Quaresma 2019 – Quarta-Feira de Cinzas – 06 de março

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DIA DE JEJUM E ABSTINÊNCIA

 

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 

(Texto abaixo extraído do Catecismo da Igreja Católica Romana. Os realces não constam no original. Fonte: Vaticano)

A TENTAÇÃO DE JESUS

538. Os evangelhos falam dum tempo de solidão que Jesus passou no deserto, imediatamente depois de ter sido baptizado por João: «Impelido»pelo Espírito para o deserto, Jesus ali permanece sem comer durante quarenta dias. Vive com os animais selvagens e os anjos servem-n’O (263).

No fim desse tempo, Satanás tenta-O por três vezes, procurando pôr em causa a sua atitude filial para com Deus; Jesus repele esses ataques, que recapitulam as tentações de Adão no paraíso e de Israel no deserto; e o Diabo afasta-se d’Ele «até determinada altura» (Lc 4, 13).

539. Os evangelistas indicam o sentido salvífico deste acontecimento misterioso, Jesus é o Novo Adão, que Se mantém fiel naquilo em que o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre perfeitamente a vocação de Israel: contrariamente aos que outrora, durante quarenta anos, provocaram a Deus no deserto (264), Cristo revela-Se o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisto, Jesus vence o Diabo: «amarrou o homem forte», para lhe tirar os despojos (265). A vitória de Jesus sobre o tentador, no deserto, antecipa a vitória da paixão, suprema obediência do seu amor filial ao Pai.

540. A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens (266) desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: «Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado» (Heb 4, 15). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto.

Fonte da perícope acima: Catecismo

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III. O Espírito Santo e a Igreja na liturgia

1091. Na liturgia, o Espírito Santo é o pedagogo da fé do povo de Deus, o artífice das «obras-primas de Deus» que são os sacramentos da Nova Aliança. O desejo e a obra do Espírito no coração da Igreja é que nós vivamos da vida de Cristo ressuscitado. Quando Ele encontra em nós a resposta da fé que suscitou, realiza-se uma verdadeira cooperação. E, por ela, a liturgia torna-se a obra comum do Espírito Santo e da Igreja.

1092. Nesta dispensação sacramental do mistério de Cristo, o Espírito Santo age do mesmo modo que nos outros tempos da economia da salvação: prepara a Igreja para o encontro com o seu Senhor; lembra e manifesta Cristo à fé da assembleia; torna presente e actualiza o mistério de Cristo pelo seu poder transformante; e finalmente, enquanto Espírito de comunhão, une a Igreja à vida e à missão de Cristo.

O ESPÍRITO SANTO PREPARA PARA ACOLHER CRISTO

1093. O Espírito Santo realiza, na economia sacramental, as figuras da Antiga Aliança. Uma vez que a Igreja de Cristo estava «admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança» (9), a liturgia da Igreja conserva, como parte integrante e insubstituível, fazendo-os seus, elementos do culto dessa Antiga Aliança:

– principalmente a leitura do Antigo Testamento;
– a oração dos Salmos;
– e sobretudo, o memorial dos acontecimentos salvíficos e das realidades significativas, que encontraram o seu cumprimento no mistério de Cristo (a Promessa e a Aliança, o Êxodo e a Páscoa, o Reino e o Templo, o Exílio e o regresso).

1094. É com base nesta harmonia dos dois Testamentos (10) que se articula a catequese pascal do Senhor (11) e, depois, a dos Apóstolos e dos Padres da Igreja. Esta catequese desvenda o que estava oculto sob a letra do Antigo Testamento: o mistério de Cristo. É chamada «tipológica», porque revela a novidade de Cristo a partir das «figuras» (tipos) que a anunciavam nos factos, palavras e símbolos da primeira Aliança. Por esta releitura no Espírito de verdade a partir de Cristo, as figuras são desvendadas (12). Assim, o dilúvio e a arca de Noé prefiguravam a salvação pelo Baptismo (13), tal como a nuvem, a travessia do Mar Vermelho e a água do rochedo eram figura dos dons espirituais de Cristo (14); e o maná do deserto prefigurava a Eucaristia, «o verdadeiro Pão do céu» (Jo 6, 48).

1095. É por isso que a Igreja, especialmente por ocasião dos tempos do Advento, da Quaresma e sobretudo na noite da Páscoa, relê e revive todos estes grandes acontecimentos da história da salvação no «hoje» da sua liturgia. Isso, porém, exige igualmente que a catequese ajude os fiéis a abrirem-se a esta inteligência «espiritual» da economia da salvação, tal como a liturgia da Igreja a manifesta e no-la faz viver.

Fonte da perícope acima:  Catecismo

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1438. Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja (31). Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias).

Fonte da perícope acima: Catecismo

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CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO

(Texto abaixo, extraído do Código de Direito Canônico)

CAPÍTULO II
DOS DIAS DE PENITÊNCIA

Cân. 1249 — Todos os fiéis, cada qual a seu modo, por lei divina têm obrigação de fazer penitência; para que todos se unam entre si em alguma observância comum de penitência, prescrevem-se os dias de penitência em que os fiéis de modo especial se dediquem à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, se abneguem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e sobretudo observando o jejum e a abstinência, segundo as normas dos cânones seguintes.

Cân. 1250 — Os dias e tempos de penitência na Igreja universal são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma.

Cân. 1251 — Guarde-se a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Cân. 1252 — Estão obrigados à lei da abstinência os que completaram catorze anos de idade; à lei do jejum estão sujeitos todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos. Todavia os pastores de almas e os pais procurem que, mesmo aqueles que, por motivo de idade menor não estão obrigados à lei da abs- tinência e do jejum, sejam formados no sentido genuíno da penitência.

Cân. 1253 — A Conferência episcopal pode determinar mais pormenoriza- damente a observância do jejum e da abstinência, e bem assim substituir outras formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade, no todo ou em parte, pela abstinência ou jejum.

Fonte da perícope acima: Código de Direito Canônico)

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LITURGIA DAS HORAS

(Texto Extraído Da Liturgia das Horas – Fonte: iBreviary Web Pro Terra Sancta

PRIMEIRA LEITURA

Do Livro de Isaías 58, 1-12

O jejum que agrada a Deus

Eis o que diz o Senhor Deus:
«Clama em altos brados sem cessar,
ergue a tua voz como trombeta.
Faz ver ao meu povo as suas faltas
e à casa de Jacob os seus pecados.
Todos os dias Me procuram
e desejam conhecer os meus caminhos,
como se fosse um povo que pratica a justiça,
sem nunca ter abandonado a lei do seu Deus.
Pedem-Me sentenças justas,
querem que Deus esteja perto de si e exclamam:  
‘De que nos serve jejuar, se não Vos importais com isso?
De que nos serve fazer penitência, se não prestais atenção?’
Porque nos dias de jejum correis para os vossos negócios
e oprimis todos os vossos servos.
Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões,
e dando punhadas sem piedade.
Não são jejuns como os que fazeis agora
que farão ouvir no alto a vossa voz.
Será este o jejum que Me agrada
no dia em que o homem se mortifica?
Curvar a cabeça como um junco, deitar-se sobre saco e cinza:
é a isto que chamas jejum e dia agradável ao Senhor?
O jejum que Eu quero não será antes este:
quebrar as cadeias injustas,
desatar os laços da servidão,
pôr em liberdade os oprimidos,
destruir todos os jugos?
Não será repartir o teu pão com o faminto,
dar pousada aos pobres sem abrigo,
levar roupa aos que não têm que vestir
e não voltar as costas ao teu semelhante?
Então a tua luz despontará como a aurora
e as tuas feridas não tardarão a sarar.
Preceder-te-á a tua justiça
e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá;
se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’.
Se tirares do meio de ti toda a opressão,
os gestos de ameaça e as palavras ofensivas,
se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente,
brilhará na escuridão a tua luz,
e a tua noite será como o meio-dia.
O Senhor será sempre o teu guia
e saciará a tua alma nos lugares desertos.
Dará vigor aos teus ossos,
e tu serás como jardim bem regado,
como nascente cujas águas nunca secam.
Reconstruirás as ruínas antigas,
levantarás os alicerces seculares.
E chamar-te-ão ‘reparador de brechas’,
‘restaurador de estradas, para se poder habitar’».

RESPONSÓRIO Cf. Is 58, 6. 7. 9; Mt 25, 31. 34. 35

R. É este o jejum que Me agrada, diz o Senhor: reparte o teu pão com o faminto e dá pousada aos pobres sem abrigo. * Então, se chamares, o Senhor responderá; se O invocares, dir-te-á: Aqui estou. 
V. Quando vier o Filho do homem, dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, porque Me destes de comer. * Então, se chamares, o Senhor responderá; se O invocares, dir-te-á: Aqui estou.

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SEGUNDA LEITURA

Da Carta de São Clemente I, Papa, aos Coríntios
(Cap. 7, 4 – 8, 3; 8, 5 – 9, 1; 13, 1-4; 19, 2: Funk 1, 71-73-77-78. 87) (Sec. I)

Fazei penitência

   Fixemos atentamente o nosso olhar no sangue de Cristo e compreenderemos como é precioso aos olhos de Deus seu Pai esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.
   Percorramos todas as idades do mundo e veremos que em todas as gerações o Senhor concedeu o tempo favorável da penitência a todos os que a Ele se quiseram converter. Noé proclamou a penitência, e todos os que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou aos ninivitas a destruição iminente, mas eles, fazendo penitência pelos seus pecados, aplacaram a ira de Deus com as suas orações e obtiveram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus.
   Nunca faltaram ministros da graça divina que, inspirados pelo Espírito Santo, pregaram a penitência. O próprio Senhor de todas as coisas falou da penitência, empenhando as suas palavras com juramento: Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas o seu arrependimento; e acrescentou aquela admirável sentença: Deixa de praticar o mal, ó casa de Israel. Diz aos fi lhos do meu povo: Ainda que os vossos pecados cheguem da terra ao céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se vos converterdes a Mim de todo o coração e disserdes ‘Pai’, Eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas.
   E querendo levar à penitência todos aqueles a quem amava, confirmou esta sentença com a sua vontade omnipotente.
   Obedeçamos, portanto, à sua excelsa e gloriosa vontade e, implorando humildemente a sua misericórdia e benignidade, refugiemo-nos na sua clemência e convertamo-nos sinceramente, abandonando as obras más, as contendas e as invejas que conduzem à morte.
   Sejamos humildes de coração, irmãos caríssimos, evitemos toda a espécie de soberba, vaidade, insensatez e cólera, e ponhamos em prática o que está escrito. Diz o Espírito Santo: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico na sua riqueza; mas quem se gloria, glorie-se no Senhor, procurando-O a Ele e praticando o direito e a justiça.
   Recordemos sobretudo as palavras do Senhor Jesus, quando nos recomendava a benevolência e longanimidade: Sede misericordiosos e alcançareis misericórdia; perdoai e sereis perdoados; como tratardes o próximo, assim sereis tratados; dai e dar-se-vos-á; não julgueis e não sereis julgados; sede benévolos e obtereis benevolência; com a medida com que medirdes, vos será medido.
   Observemos fielmente estes mandamentos e preceitos do Senhor; vivamos sempre, com toda a humildade, fiéis às suas santas palavras; e lembremo-nos do texto sagrado: Para quem voltarei o meu olhar senão para o humilde e manso de coração, para aquele que teme as minhas palavras?
   Deste modo, imitando as obras grandiosas dos nossos ilustres antepassados, corramos de novo para a meta que nos foi proposta desde o princípio, que é a paz. Contemplemos atentamente o Pai e Criador do universo, e coloquemos toda a nossa esperança na magnificência e generosidade do dom da paz que nos oferece.

RESPONSÓRIO Is 55, 7; Joel 2, 13; cf. Ez 33, 11

R. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem perverso os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele. * O Senhor nosso Deus é clemente e cheio de compaixão. V. Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. * O Senhor nosso Deus é clemente e cheio de com paixão.

Oração

   Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

V.  Bendigamos o Senhor.
R.  Graças a Deus.

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