Paráfrase ao Pai Nosso, de São Francisco de Assis (1181-1226)

 (Texto extraído da Obra “Fontes Franciscanas e Clarianas” da Editora Vozes = Petrópolis – Rio de Janeiro: Vozes, 2004. IBSN 85.326.2951-2 – pág. 127)

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1Ó santíssimo Pai nosso (Mt 6,9): criador, redentor, consolador e salvador nosso.

2Que estais nos céus (Mt 6,9): nos anjos e nos santos, iluminando-os para o conhecimento, porque vós, Senhor, sois luz cf. (1.Io 1,5); abrasando-os para o amor, porque vós, Senhor, sois amor; habitando-os e plenificando-os até á beatitude, porque vós, Senhor, sois o sumo e eterno bem, do qual procede todo o bem, sem o qual não há nenhum bem.

3Santificado seja o vosso Nome (Mt 6,9): brilhe em nós o conhecimento de vós para que conheçamos qual seja a largura dos vossos benefícios, o comprimento das vossas promessas, a sublimidade da vossa majestade e a profundidade (cf. Ef 3,18) dos vossos juízos.

4Venha o vosso reino (Mt 6,10): para que reineis em nós pela graça e nos façais chegar ao vosso reino (cf. Le 23,42), onde a visão de vós é manifesta, a dileção a vós é perfeita, a comunhão convosco é bem-aventurada e a fruição de vós é eterna.

5Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu (Mt 6,10): a fim de que vos amemos de todo o coração (cf. Dt 6,5), pensando sempre em vós, desejando-vos sempre com toda a alma, dirigindo para vós todas as nossas intenções com todo o pensamento, buscando em tudo a vossa honra e, com todas as nossas forças (Lc 10,27), gastando todas as nossas energias e sentidos da alma e do corpo em submissão ao vosso amor; e para que amemos os nossos próximos como a nós mesmos, trazendo todos, segundo nossas forças, ao vosso amor, alegrando-nos pelos bens dos outros como pelos nossos, compadecendo-nos de seus males e não causando a ninguém qualquer mal (cf. 2Cor 6,3).

6O pão nosso de cada dia: vosso dileto Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, dai-nos hoje (Mt 6,11): em memória, inteligência e reverência do amor que ele teve para conosco e das coisas que nos disse, fez e sofreu.

7E perdoai as nossas dívidas (Mt 6,12): pela vossa inefável misericórdia, pela virtude da paixão de vosso dileto Filho e pelos méritos e intercessão da beatíssima Virgem e de todos os vossos eleitos.

8Assim como nós perdoamos aos nossos devedores (Mt 6,12): e o que não perdoamos plenamente, Senhor, fazei-nos perdoar plenamente, para que, por amor a vós, amemos verdadeiramente os inimigos e intercedamos devotamente por eles junto a vós, a ninguém retribuindo mal com mal (cf. lTs 5,15), e que nos esforcemos para, em vós, sermos úteis em tudo.

9E não nos deixeis cair em tentação (Mt 6,13): oculta ou manifesta, repentina ou persistente.

10Mas livrai-nos do mal (Mt 6,13): passado, presente e futuro. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espirito Santo, como era no principio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.

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