Parte 2 – Setembro – Mês da Cruz Gloriosa e das Dores Corredentoras da Santíssima Virgem Maria

DIA 8

PARA SABER, REFLETIR, ENTENDER E VIVER!

A Cruz de Cristo e o pecado do homem.

Primeira Parte: motivos da Paixão de Cristo

Lemos no Catecismo (140) que “o Antigo Testamento prepara o Novo Testamento. Ao passo que este último, cumpre o Antigo. Os dois se iluminam reciprocamente. Os dois são verdadeira Palavra de Deus.”

Então, a “vinda do Filho de Deus à terra foi um acontecimento de tal imensidão, que Deus quis prepara-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da ‘Primeira Aliança’ – que é o Antigo Testamento – tudo faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel.” (Catecismo, 522)

E isto é confirmado pelo Senhor Jesus, no primeiro encontro que teve com os Apóstolos, depois de sua ressurreição, quando lhes disse: “que era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.” (São Lucas, 24, 44).

Referia-se assim ao Antigo Testamento, que era a única Sagrada Escritura que existia no tempo em que esteve na terra.

Daí dizer São Paulo, na Sua Epístola aos Hebreus, 9, 15:

“Eis porque Ele – Jesus – é mediador da nova aliança. Sua morte aconteceu para o resgate das transgressões cometidas no regime da primeira aliança e por isso, aqueles que são chamados, recebem a herança eterna que foi prometida.”

Praticado o primeiro pecado pelo primeiro homem, que foram nossos primeiros pais, Adão e Eva, São Paulo na sua Epístola aos Romanos, 5, 9, afirma:

19 Assim como pela desobediência de um só́ homem foram todos constituídos pecadores.”

Sobre esta transmissão do pecado original para todos os homens, o Catecismo (número 404) ensina:

“Como é que o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes?

Todo o género humano é, em Adão, «sicut unum corpus unius hominis– como um só corpo dum único homem» (294). Em virtude desta «unidade do género humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo.Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas este pecado afeta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído (295).

É um pecado que vai ser transmitido a toda a humanidade por propagação, quer dizer, pela transmissão duma natureza humana privada da santidade e justiça originais. E é por isso que o pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um ato.” (Catecismo – site do Vaticano:

Em consequência do pecado original, o Céu foi fechado, impedindo a entrada das almas dos justos, antes da Ascensão do Senhor Jesus aos Céu.

No Credo, rezamos: “Jesus Cristo desceu aos Infernos e ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.”

Esta “descida aos Infernos”, significa que o Senhor esteve na Morada dos Mortos, também denominada de Sheol ou Hades ( Filipenses 2, 10; Atos 2, 24; Apocalipse 1, 18; Efésios 4, 9) entre a sua morte e sua ressurreição.

Mas o Senhor foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados. (1 Pedro 3, 19 e Catecismo, 632 e 1023)

Deste modo, pela Paixão, Ressurreição e Ascenção de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Céu foi reaberto, pela sua entrada, acompanhado de todas as almas dos justos que estavam no Hades.

Cristo então, nas palavras de São Tomas de Aquino (Suma Teológica Questão 46, artigo 1, resposta à 3ª. proposição) “deu satisfação pelo pecado do gênero humano, e assim o homem, pela justiça de Cristo, foi libertado.”

Devemos ter presente que a Paixão do Senhor foi mais um dos Seus Divinos Ensinamentos, qual seja a obediência à vontade do Pai.

São Tomas de Aquino (Suma Teológica, Questão 46, artigo 9, resposta geral às proposições) examina esta obediência ao dizer:

“a paixão de Cristo dependia de sua vontade. Ora, a sua vontade era guiada pela sabedoria divina que, ‘com bondade’ e de modo conveniente, ‘governa o universo’, como diz o Livro da Sabedoria.”

E mais adiante São Tomás de Aquino (Suma Teológica, Questão 47, artigo 2, resposta geral) diz:

“Foi muito conveniente ter Cristo sofrido por obediência.

Primeiro, porque isso era conveniente para a justificação humana, como diz a Carta aos Romanos: ‘Assim como, pela desobediência de um só homem, a multidão se tornou pecadora, assim também, pela obediência de um só, a multidão se tornará justa.

Segundo, isso foi conveniente para reconciliar o homem com Deus, como diz a Carta aos Romanos: ‘fomos reconciliados com ele pela morte de seu Filho’, porquanto a própria morte de Cristo foi um sacrifício muito agradável a Deus, conforme a Carta aos Efésios: ‘E se entregou a si mesmo a Deus nós em oblação e vitima, como perfume de agradável odor.’

E um detalhe fundamental, que possivelmente pouco prestemos atenção, foi a voluntariedade espontânea do Senhor ao seu próprio sacrifício.

Sobre este ponto, novamente invocamos São Tomas de Aquino (Súmula, Artigo 47, artigo 2, sua conclusão quanto a proposição 1ª, se a obediência do Senhor se referia a uma ordem):

“Cristo recebeu do Pai a ordem de sofrer. É o que diz o Evangelho de São João: ‘Eu tenho o poder de entregar a vida e tenho o poder de a retomar: este é o mandamento que recebi do meu Pai’, ou seja, o poder de entregar a vida e de a retomar. Conclui-se, como diz Crisóstomo, que não se deve entender que ‘primeiro, ele esperou receber ordens e que as tivesse de entender, mas demonstrou que suas atitudes eram voluntárias, destruindo as suspeitas de contradição’ com o Pai.”

Sobre essa obediência do Senhor ao Pai Eterno, conclui-se assim, com São Tomas de Aquino (Suma Questão 47, artigo 3º, resposta geral ao referido artigo 3º):

“Cristo sofreu voluntariamente, em obediência ao Pai. E de três modos Deus Pai entregou Cristo à paixão:

Primeiro, porque, conforme sua eterna vontade, determinou a paixão de Cristo para a libertação do gênero humano, de acordo com o que diz Isaías: ‘O Senhor fez recair sobre ele a iniquidade de todos nós’ e ‘O Senhor quis tritura-lo pelo sofrimento.’

Segundo porque lhe inspirou a vontade de sofrer por nós, ao lhe infundir o amor. E na mesma passagem se lê: ‘Ofereceu-se porque quis.’

Terceiro, por não livrá-lo da paixão, expondo-o aos seus perseguidores. Assim, lemos no Evangelho de Mateus que o Senhor, pendente da cruz, dizia: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’, ou seja, porque o expôs ao poder dos que o perseguiam, como diz Agostinho.”

E essa vontade do Senhor sofrer a Paixão pelos homens pecadores, foi inspirada pelo Seu Amor Infinito por estes homens.

É o que São Tomás de Aquino responde à proposição feita, se“parece ser iníquo e cruel que um inocente seja entregue à paixão e à morte.” (Suma, Questão 47, artigo 3º, proposição 1)

Diz ele: “Portanto, deve-se dizer que é ímpio e cruel entregar à paixão e morte um homem inocente contra a vontade dele. Não foi assim, porém, que Deus Pai entregou Cristo, mas sim, por lhe ter inspirado a vontade de sofrer por nós. Nisso se demonstra tanto a ‘severidade de Deus’, que não quis perdoar os pecados sem a pena, o que observa o Apóstolo, quando diz: ‘Não poupou seu próprio filho’, como a sua bondade, pois, dado que o homem não poderia dar uma satisfação suficiente por meio de alguma pena que sofresse, deu-lhe alguém para cumprir essa satisfação. É o que assinala o Apóstolo ao dizer: ‘Ele o entrego por nós todos’ e a Carta aos Romanos diz: ‘Foi a ele, ou seja, Cristo, que Deus destinou para servir de expiação por seu sangue.”

Na Parte II desta matéria será examinado o Pecado do homem, que levou o Senhor a entregar-se à Paixão e Morte na Cruz.

Ave Maria Puríssima, sem pecado concebida. Amém!

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DIA 9

Antes, Homenagem à data celebrada pela Igreja do Nascimento da Virgem Maria

No dia de hoje, 8 de setembro de 2020, a Igreja celebra o nascimento da Santíssima Virgem Maria.

Por isto, antes de iniciarmos nossa reflexão doutrinária do Apostolado dos Sagrados Corações Unidos de Jesus e de Maria, com humildade, pedimos perdão por nossos pecados, e invocando o Espirito Santo, Divino Esposo da Santíssima Virgem Maria, oferecemos nossa insignificante homenagem à nossa querida Divina Mãezinha do Céu.

Rogamos, então, ao Pai Terno e Misericordioso, que acelere a proclamação do Quinto Dogma Mariano de Maria Dogma de Maria Corredentora, Medianeira e Advogada, bem como o Triunfo do seu Doloroso e Imaculado Coração. E que este Triunfo de seu Coração Maternal, seja a Porta pela qual venha o Reino Eucarístico do Sagrado Coração de Jesus, tudo na Divina Vontade.

Ave Maria Puríssima, sem pecado concebida. Amém!

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DIA 9

PARA CONHECER, REFLETIR, ENTENDER E VIVER!

A Cruz de Cristo e o pecado do homem.

Segunda Parte: O Pecado do homem

Lemos no Evangelho de São Mateus, 1, 20-21:

20 … o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espirito Santo.

21“Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Confirmando a Divina Vontade do Pai Eterno, manifestada no Antigo Testamento, de que enviaria o Salvador para redimir os pecados da humanidade de todos os tempos, o Embaixador de Deus, o Arcanjo São Gabriel, informou isto à São José.

Mais tarde, isto foi confirmado pelo próprio Senhor Jesus, no primeiro encontro que teve com os Apóstolos, depois de sua ressurreição, quando lhes disse: “que era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.” (São Lucas, 24, 44).

Pois o nome Jesus, que em hebraico se diz Yehoshú’a, significa “Iahweh salva”.

1 – Noções sobre o Pecado

1.a – Definição de Pecado

O Catecismo (no 1849) adota um conceito de Santo Agostinho, que diz:

“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como ‘uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna.”

De modo mais sintético podemos conceituar o pecado como sendo:

“Uma ofensa a Deus. Insurge-se contra Deus numa desobediência contrária à obediência de Cristo.” (Catecismo 1871)

1.b – Raiz Do Pecado

1.b.1 – São Mateus, transmitindo o ensinamento de Cristo, capítulo 15, 18-20, diz:

17 Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto?

18 Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem.

19 Porque é do coração que provém os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias.

20Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.

1.b.2 – Com base nesse ensinamento de Cristo o Catecismo (no 1853) repete que:

“A raiz do pecado está no coração do homem, em sua livre vontade, segundo o ensinamento do Senhor.”

1.c – Os Pecados segundo a sua gravidade

São João, na sua Primeira Epístola, 5, 16-17 mostra a existência de dois tipos de pecados:

– que há pecados levam à morte

– e pecados que não conduzem à morte.

Diz ele:

16 Se alguém vê̂ seu irmão cometer um pecado que não o conduza à morte, reze, e Deus lhe dará́ a vida; isto para aqueles que não pecam para a morte.

Há pecado que é para morte; não digo que se reze por este.

17 Toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte.

Daí a distinção de Pecado Mortal e Pecado Venial. Vamos ver cada um deles.

1.c.1 – Pecado Mortal

Diz o Catecismo (no 1855):

“O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior.

Para que haja um pecado mortal devem estar presente três condições ao mesmo tempo(Catecismo, 1857):

“É pecado mortal todo pecado que tem como objeto:

a – uma matéria grave,

b- e que é cometido com plena consciência

c – e deliberadamente.”

O que é Matéria Grave, exigida para a tipificação do pecado mortal?

“é a precisada pelos Dez Mandamentos, segundo a reposta do Senhor Jesus ao jovem rico, (São Mateus 10, 19)

Exigência de “pleno conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à Lei de Deus.” (Catecismo 1859)

Exigência “de consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal” do ato pecaminoso. (Catecismo 1859)

1.c.2 – Pecado Venial

“O pecado venial deixa subsistir a caridade, embora a ofenda e fira.” (Catecismo, 1855)

– Quando se comete pecado venial?

“Quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas se pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.

O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do vem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.

Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna.”

1.c.3 – Blasfêmia contra o Espirito Santo

São Mateus, no seu Evangelho, 12, 31 nos alerta gravemente para isto.

32 Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.

São Marcos, 3, 29, por sua vez, diz:

28 “Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias;

29mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá́ perdão, mas será culpado de um pecado eterno.”

São Lucas, 12, 10:

10 Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem obterá́ perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão.

O Catecismo (1864):

“A blasfêmia contra o Espirito Santo não será perdoada (Mt 12, 31). Pelo contrário, quem a profere é culpa de um pecado eterno. A misericórdia de Deus não tem limites mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento, rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espirito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna.

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