Parte 3 – Setembro – Mês da Cruz Gloriosa e das Dores Corredentoras da Santíssima Virgem Maria

DIA 14

PARA CONHECER, REFLETIR, ENTENDER E VIVER!

As Dores Corredentoras de Maria

Hoje continuamos a ver alguns momentos de dor vividos em sua alma, pela Santíssima Virgem Maria, na paixão do Senhor Jesus, narrada pela própria Divina Mãe, através da Madre Abadessa Sor María de Jesús de Ágreda, da província de Soria , Espanha, nascida em 1602 e falecida em 1665.

Os dados aqui apresentados foram extraídos da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS– Livro VI – Capítulo 9 – pág. 902 e seguintes – 3º. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda (Soria).

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1146 – Com estas e outras razões, que não posso explicar com palavras, respondia a Rainha do Céu ao seu Filho santíssimo, e se ofereceu à imitação e participação de sua paixão, como cooperadora e coadjutora de nossa Redenção.

E logo pedi-lhe licença para propor-lhe outro desejo e petição, prevenida muito de longe, com a ciência que tinha de todos os mistérios que o Mestre da vida havia de obrar no fim dela; e dando-lhe licença Sua Majestade, acrescentou a puríssima Maãe e disse:

Amado de minha al a e luz de meu olhos, não sou digna, Filho meu, do que anseia meu coração, para pedir-vos. Mas Vós, Senhor, sois alento de minha esperança.

e nesta fé vos suplico, me façais participane, se sois servido, do inefável sacramento de vosso sagrado corpo e sangue, como tendes determinado de institui-lo, por prenda de Vossa glória, e para que voltando a receber-vos em meu peito, se me comuniquem os efeitos de tão admirável e novo Sacramento.

Bem conheço, Senhor meu, que nenhuma das criaturas pode dignamente merecer tão excessivo benefício, prevenido sobre Vossas obras, só por Vossa magnificência, e para obriga-la agora, só tenho que oferecer-vos a Vós mesmo, com Vossos merecimentos infinitos.

E se a humanidade santíssima em que os vinculais, por havê-la recebido de minhas entranhas, induz algum direito, este não será tanto em mim, para que sejais meus neste Sacramento, como para que eu seja vossa com a nova posse de receber-Vos, em que posso restituir-me para Vossa doce companhia.

Minhas obras e desejos, dediquei a esta digníssima e divina comunhão desde a hora que vossa dignidade me deu notícia dela, e da vontade e decreto de ficardes em vossa Santa Igreja, em espécies de pão e vinho consagrados.

Voltai, pois, Senhor e bem meu, para a primeira e antiga habitação de Vossa Màe, de vossa amiga e Vossa escrava, à quem, para receber-vos em seu ventre, fizestes livre e isenta do comum contágio. Em meu peito receberei agora a humanidade que de meu sangue vos comuniquei e nele estaremos juntos com estreito e novo abraço, que alente meu coração e acenda meus afetos, para não estar de Vós, jamais ausente, que sois infinito bem e amor de minha alma.

1147 – Muitas palavras de incomparável amor e reverência disse a grande Senhora nesta ocasião, porque falou com seu Filho santíssimo com admirável afeto do coração, para pedir-lhe a participação de seu sagrado corpo e sangue.

E Sua Majestade respondeu-lhe também, com mais carícia, concedendo-lhe sua petição, e a ofereceu, que lhe daria o favor e benefício da comunhão que lhe pedia, ao chegar a hora de celebrar sua instituição.

Desde logo a puríssima Mãe, com nova atuação, fez grandiosos atos de humildade, agradecimento, reverência e viva fé, para estar disposta e preparada para a desejada comunhão da eucaristia; e sucedeu o que direi adiante (Cf. infra no 1197)

1148 – Logo mandou, Cristo Salvador nosso, aos Santos Anjos de sua Mãe Santíssima, que a assistissem desde então, em forma visível para ela, e a servissem e consolassem em sua dor e solidão, como de fato o cumpriram.

Ordenou-lhe também, à grande Senhora, que, partindo sua Majestade para Jerusalém com seus discípulos, ela lhe seguisse por algum pequeno espaço com as santas mulheres que vinham acompanhando-os desde Galileia, e que as informasse e animasse, para que não desfalecessem com o escândalo que terian, vendo-lhe padecer e morrer com tantas ignominias e morte de cruz, afrontosíssima.

E dando fim a esta conferência, o Filho do Eterno Pai, deu sua bênção para sua amantíssima Mãe, despedindo-se para a última jornada, em que haveria de padecer e morrer.

A dor que nesta despedida penetrou os corações de Filho e Mãe, excede a todo o humano pensamento, porque foi correspondente ao amor recíproco entre ambos, e este era proporcional à condição e dignidade das pessoas.

E ainda que disto possamos declarar tão pouco, não por isto ficamos escusados de ponderara-lo em nossa consideração, e acompanha-los com sua compaixão, conforme nossas forças e capacidade, para não ser repreendidos como ingratos e de pesado coração.

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Dia 15

PARA CONHECER, REFLETIR, ENTENDER E VIVER!

As Dores Corredentoras de Maria

Hoje continuamos mostrando os momentos de dor vividos em sua alma, pela Santíssima Virgem Maria, na paixão do Senhor Jesus, narrados pela própria Divina Mãe, através da Madre Abadessa Irmã Maria de Jesús de Ágreda.

Os dados aqui apresentados foram extraídos da Obra Mística CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 9 – pág. 903 e seguintes – 3o. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda (Soria).

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1149. Nosso Salvador, despedido de sua amada Mãe e dolorosa Esposa, saiu de Betânia para a última jornada a Jerusalém, na quinta-feira, que foi o da ceia, pouco antes do meio-dia, acompanhado dos Apóstolos que tinha com ele.

Nos primeiros passos que Sua Majestade deu nesta viagem, que já era a última de sua peregrinação, levantou os olhos ao Pai Eterno e, confessando-lhe com louvor e ação de graças, ofereceu-se novamente, com o ardentíssimo de seu amor e obediência, para morrer e padecer pela redenção de toda a linhagem humana.

Esta oração e oferecimento, fez nosso Salvador e Mestre, com tão inefável afeto e força de espírito, que como não pode ser escrita, tudo o que digo parece ser contrário à verdade e ao meu desejo.

Eterno Pai e meu Deus – disse Cristo nosso Senhor – vou pela Vossa vontade e amor, para padecer e morrer pela liberdade dos homens, meus irmãos, e obra das Tuas mãos.

Vou entregar-me para seu remédio, e reunir em um, os que estão derramados e divididos por culpa de Adão.

Vou dispor dos tesouros com os quais as almas criadas à Vossa imagem e semelhança, hão de ser adornadas e enriquecidas, para que sejam restituidas à dignidade da Vossa amizade e felicidade eterna, e para que o Vosso santo nome seja conhecido e engrandecido por todos as criaturas.

Quanto é de Vossa parte e da minha, nenhuma das almas ficará sem remédio abundantíssimo, e Vossa inviolável equidade, ficará justificada, naqueles que desprezarem esta copiosa Redenção.

1150. Seguindo o autor da vida, a Virgem Santíssima partiu logo de Betânia, acompanhada de Santa Maria Madalena e as outras santas mulheres, que assistiam e seguiam a Cristo nosso Senhor, da Galiléia.

E como o divino Mestre ia informando seus apóstolos, e os prevenia com a doutrina e a fé, de sua paixão, para que não desfalecessem nela, por causa das ignomínias que o veriam padecer, nem pelas tentações ocultas de Satanás; assim também a Rainha e Senhora das virtudes, ia consolando e prevenindo sua congregação santa de discípulas, para que não se  perturbassem, quando vissem morrer seu Mestre, e ser açoitado afrontosamente.

E que, na condição feminina, eeram essas santas mulheres, de natureza mais enferma e frágil, que os Apóstolos, com tudo isso, foram mais fortes do que alguns deles, em conservar a doutrina e documentos de sua grande Mestra e Senhora.

E quem mais avançou em tudo foi Santa Maria Madalena, como ensinam os Evangelistas (Mt 27,56; Mc 15,40; Lc 24,10; Jo 19,25), porque a chama do seu amor a levava toda acesa, e por sua própria condição natural, ela era magnânima, esforçada e varonil, de boa lei e respeito.

E entre todos os do apostolado, assumiu por sua conta acompanhar a Mãe de Jesus, e assisti-la sem se afastar dela, o tempo todo da paixão, e assim o fez como amante fidelíssima.

Ave Maria Puríssima, sem pecado concebida. ¡Amém!

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DÍA 16

PARA CONHECER, REFLETIR, ENTENDER E VIVER!

As Dores Corredentoras de Maria

Hoje continuamos a ver os momentos de dor, da Santíssima Virgem Maria, na paixão do Senhor Jesus, narrados pela própria Mãe Divina, através da Madre Abadessa Irmã Maria de Jesus de Ágreda.

Os dados aqui apresentados foram extraídos da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 9 – pág. 904 e seguintes – 3o. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda (Soria).

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Momento vivido: após a partida do Senhor Jesus de Betânia.

1151 – Na oração e oferecimento que fez nosso Salvador nesta ocasião, o imitou e seguiu também sua Mãe Santíssima, porque todas as obras de seu Filho Santíssimo, ia olhando no espelho claro daquela luz divina com que as conhecia, para imitá-las, como muitas vezes ficou dito (Cf. supra n. 481, 990, etc.).

E à grande Senhora, iam servindo e acompanhando os Anjos, que a guardavam, se manifestando em forma humana visível, como o próprio Senhor o havia mandado.

Com estes espíritos soberanos, ia conferindo o grande sacramento de Seu Santíssimo Filho, que não podiam perceber suas companheiras, nem todas as criaturas humanas.

Eles conheciam, e ponderavam dignamente, o incêndio de amor, que, sem modo nem medida, ardia no coração puríssimo, e candidíssimo da Mãe de Deus, e a força com que levavam atrás de si os unguentos olorosos (Cant. 1,3) do amor recíproco de Cristo, Seu Filho, Esposo e Redentor.

Eles apresentavam ao Eterno Pai, o sacrifício de louvor e expiação, que lhe oferecia sua Filha única e primogênita, entre as criaturas.

E porque todos os mortais ignoravam deste benefício, e da dívida em que os colocava o amor de Cristo nosso Senhor, e de sua Mãe Santíssima, mandava a Rainha aos Santos Anjos, que lhe dessem glória, bênção e honra ao Pai, ao Filho e ao Espirito Santo, e tudo o cumpriam, conforme a vontade de sua grande Princesa e Senhora.

E a Venerável Maria de Ágreda segue seu exame o do que via e sentia:

1152 – Faltam-me dignas palavras, e digno sentimento e dor, para dizer o que entendi, nesta ocasião, da admiração dos Santos Anjos, que, de uma parte, olhavam o Verbo humanado, e à sua Mãe Santíssima, encaminhando seus passos à obra da redenção humana, com a força do ardentíssimo amor, que aos homens tinham e têm.

E, por outra parte, olhavam a vileza, ingratidão, tardança e dureza dos próprios homens, para conhecer desta dívida, e obrigar-se do benefício, que aos demônios obrigaria, se fossem capazes de recebe-la.

Esta admiração dos anjos, não era com ignorância, senão com repreensão de nossa intolerável ingratidão.

Mulher fraca sou, e menos que um verme da terra, mas nesta luz, que se me foi dada, quisera levantar a voz, que se ouvisse por todo o orbe, para despertar aos filhos da vaidade, e amadores da mentira (Sal 4, 3), e concordar com esta dívida, a Cristo nosso Senhor, e à Sua Santíssima Mãe, e pedir a todos, prostrada sobre meu rosto, que não sejamos sérios de coração, e tão cruéis inimigos, para nós mesmos, e sacudamos este sonho, tão esquecido, que nos sepulta no perigo da eterna morte, e aparta da vida celestial, e bem-aventurada, que nos mereceu Cristo, nosso Redentor e Senhor, com morte tão amarga de cruz.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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