Parte 3 – Setembro – Mês da Cruz Gloriosa e das Dores Corredentoras da Santíssima Virgem Maria

DIA 17

Doutrina dada pela Rainha Maria Santíssima, à Venerável Madre Irmã Maria de Ágreda, para conhecer, ponderar e sentir, as ignomínias e dores, que o próprio Filho do Pai Eterno, se dignou padecer, humilhando-se a morrer em uma cruz, para redimir os homens, e tudo o que a Divina Mãe fez e padeceu, acompanhando-o na sua mais amarga paixão.

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Extraído da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 9 – número marginal 1153 a 1155 – pág. 905 e seguintes – 3º. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda (Soria).

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1153. Minha filha, de novo te chamo e convido, para que, ilustrada tua alma, com especiais dons da divina luz, entres no profundo mar dos mistérios da paixão e morte de Meu Filho Santíssimo.

Prepara tuas potências, e estreia todas as forças de teu coração e alma, para que, em alguma parte, sejas digna de conhecer, ponderar e sentir, as ignominias e dores, que o próprio Filho do Eterno Pai se dignou de padecer, humilhando-se a morrer, em uma cruz, para redimir aos homens, e tudo o que eu fiz e padeci, acompanhando-o em sua acerbíssima paixão.

Esta ciência, tão esquecida dos mortais, quero que tu, filha Minha, a estudes e aprendas, para seguir ao teu Esposo, e para imitar-Me a Mi, que sou tua Mãe e Mestra.

E escrevendo, e sentindo, juntamente o que Eu te ensinarei, destes sacramentos, quero que, o tempo todo, te desnudes de todo o humano e terreno afeto, e de ti mesma, para que, afastada do visível, sigas pobre e desvalida, nossas pisadas.

E porque agora, com especial graça, te chamo a ti, a sós, para o cumprimento da vontade de Meu Filho Santíssimo e Minha, e em ti queremos ensinar aos outros.

É necessário que, de tal  maneira, te dês por obrigada, desta copiosa Redenção, como se fosse benefício só para ti, e como se se houvesses de perder, não aproveitando tu sozinha.

Tanto como isto, deves apreciar, pois com o amor com que morreu e padeceu Meu Filho Santíssimo, por ti, te olhou com tanto afeto, como se fosses só tu, a que necessitavas de sua paixão e morte, para teu remédio.

1154 – Com esta regra, deves medir tua obrigação e teu agradecimento.

E quando conheces o pesado e perigoso esquecimento que há nos homens, de tão excessivo beneficio, como ter morrido por eles, seu próprio Deus e Criador feito homem, procura tu recompensar-lhe esta injúria, amando-o por todos, como se o retorno desta dívida estivesse remitida só ao teu agradecimento e fidelidade.

E te doa, assim mesmo, da cega estultícia dos homens, em desprezar sua eterna felicidade, e em atesourar a ira do Senhor contra si mesmos, frustrando-lhe os maiores afetos, de seu infinito amor para com o mundo.

Para isto, te dou a conhecer tantos segredos, e a dor tão sem igual, que eu padeci, desde a hora em que me despedi do meu Filho Santíssimo, para ir ao sacrifício da sua sagrada paixão e morte.

Não há termos, para significar a amargura de minha alma naquela ocasião. Mas à sua vista, nenhum trabalho reputarás como grande, nem poderás apetecer descanso, nem deleite terreno, e sé desejarás sofrer e morrer com Cristo. E compadece-te Comigo, que é devido ao que te favoreço esta fiel correspondência.

1155. Também quero que advirtas quão aborrecível é aos olhos do Senhor, e aos meus, e de todos os Bem-aventurados, o desprezo e o olvido dos homens, em frequentar a Sagrada Comunhão, e não chegar a ela, com disposição e fervor de devoção.

Para que entendas e escrevas este aviso, te manifestei o que eu fiz (cf. supra n. 835), dispondo-me tantos anos para o dia, que chegasse a receber a meu Santíssimo Filho Sacramentado, e o demais, que escreverás adiante (Cf. infra n.1197; p. III n.109, 583), para ensinamento e confusão vossa; porque, se eu, que estava inocente, e sem nenhuma culpa que me impedisse, e com tanto, cheio de todas as graças, procurei acrescentar nova disposição de fervoroso amor, humildade e agradecimento,

O que deves fazer tu, e os demais filhos da Igreja, que a cada dia e a cada hora, incorrem em novas culpas e feiuras, para chegar a receber a beleza da própria divindade e humanidade de meu Filho Santíssimo e meu Senhor?

Que desencargo darão os homens em juízo, de haverem tido consigo o próprio Deus sacramentado na Igreja, esperando que fossem recebe-Lo, para enche-los da plenitude de seus dons, e desprezaram este inefável amor e benefício, para empregar-se e divertir-se em deleites mundanos, e servir a vaidade aparente e enganosa?

E admira-te, como o fazem os Anjos e Santos, de tal insanidade e guarda-te de incorrer nela.

Hoje ficamos por aqui.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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DIA 18

Tema: A oração que nosso Salvador fez no horto, e seus mistérios, e o que de todos conheceu sua Santíssima Mãe..

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Extraído da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 12 – número marginal 1204 e 1208 – pág. 905 e seguintes – 3º. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda (Soria).

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1204 – Com as maravilhas e mistérios que nosso Salvador Jesus operou no Cenáculo, deixava disposto e ordenado, o reino que o Eterno Pai, com sua vontade imutável, lhe havia dado.

E entrada já a noite, que sucedeu à quinta-feira da ceia, determinou sair para a penosa batalha de sua paixão e morte, na qual se havia de consumar a redenção humana.

Saiu Sua Majestade do aposento onde havia celebrado tantos mistérios milagrosos, e ao mesmo tempo saiu também sua Mãe Santíssima de seu retiro para encontrar-se com ele.

Chegaram a acarear-se o Príncipe das eternidades e a Rainha, traspassando o coração de ambos, a penetrante espada penetrante de dor, que ao mesmo tempo os feriu penetrantemente sobre todo o pensamento humano e angélico.

A dolorosa Mãe se prostrou por terra, adorando-o como seu verdadeiro Deus e Redentor.

E olhando-a, Sua Divina Majestade, com o semblante majestoso e agradável de Filho seu, falou-lhe e disse apenas estas palavras: Minha Mãe, convosco estarei na tribulação. Façamos a vontade de meu Eterno Pai e a salvação dos homens.

A grande Rainha ofereceu-se com inteiro coração ao sacrifício e pediu a bênção.

E havendo-a recebido, voltou-se ao seu retiro, de onde lhe concedeu o Senhor, que ela tivesse a visão de tudo o que acontecia e o que seu Filho santíssimo ia obrando, para acompanhar-lhe e cooperar em tudo, da maneira que a ela lhe tocava.

O dono da casa, que estava presente nesta despedida, com impulso divino, ofereceu logo a própria casa que tinha, e o que nela havia, à Senhora do céu, para que se servisse, enquanto estivessem em Jerusalém, e à Rainha o admitiu com humilde agradecimento.

E com Sua Alteza ficaram os mil Anjos da Guarda, que sempre a assistiam sempre em forma visível para ela, e também a acompanharam algumas das piedosas mulheres que consigo havia trazido.

1208 – Tudo o que ia acontecendo, conhecia a grande Senhora, desde seu recolhimento, e viu os pensamentos do obstinado Judas Iscariotes, e o modo como se desviou do Colégio Apostólico, e como lhe falou Lúcifer, na forma daquele homem seu conhecido, e tudo o que passou com ele, quando chegou aos príncipes dos sacerdotes, e o que tratavam e preveniam, para prender o Senhor, com tanta presteza.

A dor que com esta ciência penetrava o castíssimo coração da Mãe virgem, os atos de virtudes que exercitava à vista de tais maldades, e como procedia em todos estes acontecimentos, não cabe em nossa capacidade explica-lo.

Basta dizer, que tudo foi com plenitude de sabedoria, santidade e agrado da beatíssima Trindade.

Compadeceu-se de Judas Iscariotes, e chorou a perda daquele perverso discípulo.

Recompensou sua maldade, adorando, confessando, amando e louvando ao próprio Senhor, que ele vendia com tão injuriosa e desleal traição.

Estava preparada e disposta a morrer por ele, se fosse necessário. Pediu pelos que estavam forjando a prisão e morte de seu divino Cordeiro, como prendas que se haviam de comprar e estimar com o valor infinito de tão precioso sangue e vida, que assim os olhava, estimava e valorava a prudentíssima Senhora.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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DIA 19

Tema: Doutrina que me deu a Rainha do Céu, Maria Santíssima, sobre a oração que fez nosso Salvador no horto, e seus mistérios, o que de tudo conheceu sua Mãe Santíssima.

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Extraído da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capitulo 12 – números marginais 1221-1222, do Livro VI – Capitulo 12 – pág. 939 – 3ª. Reimpressão – 2009 – Madrid – de Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda – Soria – Espanha.

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1221. Minha filha, tudo o que neste capítulo entendeste e escrito, é um despertador e um aviso, para ti para todos os mortais, de suma importância, se levar isso em consideração.

Preste atenção, então, e confere em teus pensamentos, quanto pesa o negócio da predestinação, ou reprovação eterna das almas.

Pois o tratou meu Filho Santíssimo com tanta consideração, e a dificuldade ou impossibilidade de todos os homens fossem salvos e bem-aventurados, o fez tão amarga a paixão e morte, que para remédio de todos, ele admitia e padecia.

E neste conflito, manifestou a importância e gravidade desta empresa, e por isto, multiplicou as petições e orações ao seu Eterno Pai, obrigando-lhe o amor dos homens, a suar copiosamente seu sangue de inestimável preço.

Porque não podia lograr em todos, sua morte, suposta a malícia com que os condenados às penas do inferno e réprobos, fazem-se indignos de sua participação.

Justificada tem sua causa, Meu Filho e Meu Senhor, com haver procurado a salvação de todos, sem taxa nem medida de seu amor e merecimentos, e justificada a tem o Eterno Pai; com o haver dado ao mundo este remédio, e haver posto em mãos de cada um, para que a estenda à morte ou à vida, à água ou al fogo (Eclo 17, 18), conhecendo a distância que há de um e de outro.

1222 – Mas que isenção de responsabilidade ou que desculpa pretenderão os homens, por terem olvidado sua própria e eterna salvação, quando meu Filho e Eu, com Sua Majestade, a desejamos e procuramos, com tanto desvelo e afeto de que eles admitissem?

E se nenhum dos mortais, tem escusa de sua tardança e estultícia, muito menos a terão no juízo, os filhos da Santa Igreja, que hão recebido a fé destes admiráveis sacramentos, e se diferenciam pouco na vida dos infiéis e pagãos.

Não entendas, filha Minha, que está escrito em vão: Muitos são os chamados e poucos os escolhidos (Mt 20, 16),

Teme esta sentença, e renova em teu coração, o cuidado e zelo de tua salvação, conforme a obrigação que em ti cresceu, com a ciência de tão altos mistérios.

E quando não interessada nisto, a vida eterna e tua felicidade, deverias corresponder à carícia com que Eu te manifesto tantos e divinos segredos, e dando-te o nome de rilha Minha, e esposa de Meu Senhor, deves entender que teu ofício há de ser amar e padecer, sem outra atenção a coisa alguma visível.

Pois, eu te chamo para Minha imitação, que sempre ocupei minhas potências nestas duas coisas, com suma perfeição.

E para que tu a alcances, quero que tua oração seja contínua, sem interrupção, e que veles uma hora Comigo, que é todo o tempo da vida mortal.

Porque comparada com a eternidade, é menos que uma hora e um ponto.

E com esta disposição quero que prossigas os mistérios da paixão; que os escrevas e sintas e imprima em teu coração.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém.

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DIA 20

Tema: Sobre a entrega e prisão de nosso Salvador, pela traição de Judas e o que nesta ocasião fez Maria Santíssima e alguns mistérios desta etapa. (números marginais 1223 ao 1236)

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Extraído da Obra MÍSTICA CIDADE DE DEUS – Livro VI – Capítulo 13 – número marginal 1237-1238, do Livro VI – Capítulo 12 de A Mística Cidade de Deus – p. 948-3rd. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda – Soria – Espanha.

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A título de Orientação: A Mística Cidade de Deus é uma obra, que nasceu da contemplação e da oração, da humildade e do assombro, de contemplar o que Deus obrou em “pura criatura”: Maria Santíssima.

Essas são atitudes que podemos adotar, ao ouvir estas reflexões.

Quando a Venerável Maria de Ágreda escreve a vida da Virgem Maria, não o faz para “informar-nos” o que fez a Santíssima Virgem durante sua vida terrena, mas para “colher Dela o fruto da graça e imitar” com suas “fracas forças”, o que entende Dela.

Por isso, peçamos à Santíssima Virgem Maria, Rainha dos Anjos, nos conceda a graça de penetrar em Sua vida, para que, conheçamos ao Seu Filho Santíssimo, e conhecendo-o, O amemos.

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Doutrina que me deu a Rainha do Céu, Maria Santíssima

Escreveu a Venerável Irmã Maria de Ágreda:

1237. Minha filha, em tudo o que vais escrevendo e entendendo por minha doutrina, vais fulminando o processo contra ti e todos os mortais, se tu não saíres de sua parvulez, e venceres sua ingratidão e grosseria, meditando de dia e de noite na paixão, dores e norte de Jesus crucificado.

Esta é a ciência dos santos, que ignoram os mundanos. É o pão da vida e entendimento, que sacia aos pequenos, e lhes dá sabedoria, deixando vazios e famintos aos soberbos amadores do século.

E nesta ciência te quero estudiosa e sábia; que com ela te virão todos os bens (Sab 7, 11). E Meu Filho e Meu Senhor, ensinou a ordem desta sabedoria oculta, quando disse: Eu Sou o caminho, a verdade, e a vida. Nada vem ao Pai, se não é por Mim. (Jo 14,6)

Pois, diz-me, caríssima, se Meu Senhor e Mestre, se fez caminho e vida de todos os homens, por meio da paixão e morte, que padeceu por eles, não é forçoso que para andar este caminho e professar esta verdade, hão de passar por Cristo crucificado, aflito, açoitado e afrontado?

Presta atenção, pois, agora, à ignorância dos mortais, que querem chegar ao Pai, sem passar por Cristo.

Porque, sem haver padecido, nem haver se compadecido com Ele, querem reinar com Sua Majestade; sem lembrar-se de sua paixão e morte, nem para gostar dela em algo, nem agradece-la verdadeiramente, querem que seja válido, para que na vida presente e na eterna, gozem eles, de deleites e de glória, havendo padecido seu Criador, acerbíssimas dores e paixão, para entrar nela, e deixa-los este exemplo, e abrir-lhes o caminho da luz.

1238 – Não é compatível o descanso com a confusão, de não haver trabalhado, quem o devia adquirir por este caminho.

Não é verdadeiro filho, o que não imita seu pai; nem fiel servo, o que não acompanha ao seu senhor; nem discípulo, o que não segue ao seu mestre.

Nem eu reputo por mim, devoto, ao que não se compadece com Meu Filho e Comigo, do que padecemos.

Mas o amor, com que procuramos a salvação eterna dos homens, nos obriga, vendo-os tão olvidados desta verdade, e tão adversos a padecer, à enviar-lhes trabalhos e penalidades, para que, se não os amam de vontade, ao menos os admitam, e sofram forçosamente. E por este modo, entrem no caminho certo, do descanso eterno que desejam.

E com tudo isto, não basta, porque a inclinação e o amor cego às coisas visíveis e terrenas, os detém e embaraça, e os faz tardes e pesados de coração, e lhe rouba toda a memória, atenção e afetos, para não levantarem-se sobre si mesmos, e sobre o transitório.

E daqui nasce, que, nas tribulações, não encontram alegria, nem nos trabalhos, alívio, nem nas penas, consolo, nem nas adversidades, gozo nem quietude alguma.

Porque, tudo isto detestam, e nada desejam que seja penoso para eles, como o desejavam os santos. E por isso, se gloriavam nas tribulações, como quem chegava à posse de seus desejos.

E em muitos fiéis, acontece esta ignorância mais adiante, porque alguns pedem ser abrasados no amor de Deus. Outros, que se lhes perdoem muitas culpas. Outros, que se lhes concedam grandes benefícios, e nada se lhes pode dar, porque não o pedem em Nome de Cristo Meu Senhor, imitando-O e acompanhando-O em seu paixão.

1239 – Abraça, pois, filha Minha, a cruz, e sem ela, não admitas consolação alguma em tua vida mortal.

Pela paixão sentida e meditada, subirás ao alto da perfeição, e granjearás o amor de esposa.

Imita-Me nisto, segundo tens a luz, e a obrigação no que te ponho.

Bendiz e magnifica Meu Filho Santíssimo, pelo amor com que se entregou à paixão, pela salvação humana.

Pouco reparam os mortais nesse mistério.

Mas eu, como testemunha ocular, te advirto, que, na apreciação de Meu Filho Santíssimo, depois de subir à destra do Eterno Pai, nenhuma coisa foi mais apreciada em desejada, de todo seu coração, que oferecer-se à padecer e morrer, e entregar-se para isto, aos seus inimigos.

E também quero, que te lamentes, com íntima dor, que Judas Iscariotes, tenha em suas maldades e aleivosias, mais seguidores que Cristo.

Muitos são os infiéis. Muitos os maus católicos. Muitos os hipócritas, que, com nome de cristãos, O vendem e entregam, e de novo, O querem crucificar. Chora por todos estes males, que entendes e conheces, para que também nisto, Me imites e sigas.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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PRÓXIMA PÁGINA – Pág. 03

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