Parte 3 – Setembro – Mês da Cruz Gloriosa e das Dores Corredentoras da Santíssima Virgem Maria

DIA 25

Continuamos com os ensinamentos sobre a Paixão do Senhor Jesus, dados pelas revelações da Divina Mãe, à Venerável Irmã Maria de Jesus de Ágreda.

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Tema: Cristo nosso Salvador, foi levado à casa do Pontífice Caifás, onde foi acusado e questionado se era o Filho de Deus. E São Pedro negou duas outras vezes. O que Maria Santíssima fez nesta etapa e em outros mistérios ocultos.

Extraído da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 16 – números marginais 1268 a 1279 – p. 973 – 3ª. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda – Soria – Espanha.

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Doutrina que me deu a grande Rainha e Senhora

1280. Minha filha, o sacramento misterioso dos opróbios, dos ultrajes e dos desprezos, que padeceu meu Santíssimo Filho, é um livro fechado, que só pode abrir e compreender, com a divina luz, como tu o conhecestes, e em parte, se te manifestou. Embora escrevas muito menos do que entendes, porque não podes tudo declarar.

Mas, à medida que se desenrola, e fica patente no segredo do teu coração, quero que fique nele escrito, e que, na notícia, deste exemplar vivo e verdadeiro, estudes a divina ciência, que a carne, nem o sangue, não te podem ensinar, porque, nem conhece o mundo, nem merece conhecer.

Esta filosofia divina, consiste em aprender e amar, a felicíssima sorte dos pobres, dos humildes, dos aflitos, desprezados, e não conhecidos entre os filhos da vaidade.

Esta escola, estabeleceu o Meu Filho Santíssimo e amantíssimo na sua Igreja, quando no monte, pregou e propôs a todos, as oito bem-aventuranças.

E depois, como catedrático que executa a doutrina que ensina, a pôs em prática, quando na paixão e opróbios, renovou os capítulos desta ciência, que em si mesmo executava, como o escrevestes (cf. supra n. 1275).

Mas com tudo isso, ainda que a tenham presente os católicos, e está pendente diante deles, este livro da vida, muito poucos, contados os que entram nesta escola e estudam neste livro. E infinitos os estultos e néscios, que ignoram esta ciência, porque não se dispõem para serem ensinados nela.

1281. Todos repudiam a pobreza, e estão sedentos das riquezas, sem se desapontar com sua falácia.

Infinitos são os que seguem a ira e a vingança, e desprezam a mansidão.

Poucos choram suas misérias verdadeiras, e trabalham muito, pela consolação terrena. Apenas há quem ame a justiça, e quem não seja injusto e desleal, com seus próximos.

A misericórdia está extinta.

A limpeza dos corações, violada e obscurecida.

A paz, estragada: ninguém perdoa, nem quer padecer. Não só pela justiça, mas merecendo por justiça, padecer muitas penas e tormentos, fogem todos injustamente deles.

Com isso, caríssima, há poucos bem-aventurados, a quem lhes alcancem as bênçãos de Meu Filho Santíssimo e as minhas.

E muitas vezes, se te há manifestado o desgosto e justa indignação do Altíssimo, contra os professores da fé. Porque, à vista de seu exemplar e Mestre da vida, vivem quase como infiéis.

E muitos, merecem ser mais aborrecidos, porque eles são os que, de verdade, desprezam o fruto da redenção, que confessam e conhecem; e na terra dos santos, eles obram a maldade, com impiedade, e se fazem indignos do remédio, que com maior misericórdia se lhes colocou em suas mãos.

1282. De ti, Minha filha, quero que trabalhes para chega a ser bem-aventurada, seguindo-Me por imitação perfeita, segundo as forças da graça que recebes, para compreender esta doutrina, escondida dos prudentes e sábios do mundo.

Cada dias te manifesto novos segredos de Minha sabedoria, para que teu coração se inflame, e te animes, estendendo tuas mãos para coisas fortes.

E agora, te acrescento um exercício que Eu fiz, que em parte possas imitar-Me.

Já sabes que, desde o primeiro instante de minha concepção, fui cheia de graça. Sem a macula do pecado original, e sem participar de seus efeitos.

E por este singular privilégio, fui desde então, bem-aventurada nas virtudes, sem sentir a repugnância nem a contradição, para vencer, nem achar-Me devedora, de que pagar nem satisfazer, por culpas próprias minhas.

Com tudo isso, a divina ciência me ensinou que, por ser filha de Adão, na natureza que havia pecado, ainda que não na culpa cometida, deveria humilhar-Me mais que o pó.

E porque eu tinha sentidos, da mesma espécie daqueles, com que se havia cometido a desobediência, e seus maus efeitos, que então, e depois se sentem na condição humana, devia Eu, por só este parentesco, mortificá-los, humilhá-los, e privá-los, da inclinação, que na própria natureza eles tinham.

E procedia como uma filha fidelíssima de família, que a dívida de seu pai e de seus irmãos, ainda que a ela não a alcança, a tem por própria, e procura pagá-la, e satisfazer por ela, com tanto mais diligência, quanto ama seu pai e irmãos.

E eles, menos podem paga-la e desempenhar-se, e nunca descansa, até consegui-lo.

Isto mesmo fazia eu, com toda a linhagem humana, cujas misérias e delitos chorava.

E por ser filha de Adão, mortificava em Mim, os sentidos e potências, com que ele pecou, e me humilhava, ainda que não me tocasse, e o mesmo fazia pelos demais, que, na natureza, são Meus irmãos.

Não podes tu imitar-Me nas condições ditas, porque és participante da culpa. Mas, isso mesmo te obriga a que me imites, no demais, que Eu obrava sem ela.

Pois, ao tê-la, e a obrigação de satisfazer a divina justiça, te há de compelir a trabalhar, sem cessar, por ti e por teus próximos, e a humilhar-te, até o pó.

Porque o coração contrito e humilhado, inclina à verdadeira piedade, para usar de misericórdia.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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DÍA 26

Tema: O que padeceu nosso Salvador Jesus, depois da negação de São Pedro até de manhã, e a grande dor de sua Santíssima Mãe.

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Extraído da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 16 – números marginais 1283 a 1294 – 3º. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda – Soria – Espanha.

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Doutrina da Rainha do Céu Maria Santíssima

1295. Minha filha, escrito está no Evangelho (Jo 5:27) que o Pai Eterno deu ao seu Unigênito e Meu, a potestade para julgar e condenar aos réprobos, no último dia do juízo universal.

E foi muito conveniente, não só para que então todos vejam todos os julgados e réus, o Juiz Supremo, que, conforme a vontade e retidão divina, os condenará, senão também, para que vejam e conheçam aquela mesma forma de Sua humanidade Santíssima, em que foram redimidos, e que se lhe manifestem nela, os tormentos e opróbios que padeceu, para resgatá-los da eterna condenação.

E o próprio Senhor e Juiz, que os há de julgar, lhes fará esta acusação. A qual, assim como não poderão responder e nem satisfazer, assim será esta confusão, o princípio da pena eterna, que mereceram com sua ingratidão obstinada, porque, então, se fará notória e patente, a grandeza da misericórdia piedosíssima, com que foram redimidos, e a razão da justiça, com que são condenados.

Grande foi a dor; acerbíssimas as penas e amarguras, que havia padecido Meu Filho Santíssimo, porque não haveriam de lograr todos, o fruto da Redenção.

E isto transpassou Meu Coração, ao tempo que lhe atormentavam, juntamente ao vê-lo cuspido, esbofeteado, blasfemado e aflito, com tão ímpios tormentos, que não se podem conhecer na vida presente e mortal.

Eu o conheci, digna e claramente. E à medida desta ciência, foi minha dor, como o era o amor e reverência da pessoa de Cristo, Meu Senhor e Meu Filho.

Mas, depois destas penas, foram as maiores, por conhecer que, com haver padecido Sua Majestade, tal morte e paixão pelos homens, se haveriam de condenar tantos, à vista daquele infinito valor.

1296 – Nesta dor, também quero que Me acompanhes, e me imites, e te lastimes, desta lamentável desdita, que os mortais não há outra digna de ser chorada com pranto lastimoso, nem dor que se compare a esta

Poucos há no mundo, que percebem nesta verdade, com a ponderação que se deve.

Mas, Meu filho e Eu, admitimos com especial agrado, aos que nos imitam nesta dor, e se afligem pela perdição de tantas almas.

Procura tu, caríssima, assinalar neste exercício, e pede, que não sabes como o aceitará o Altíssimo.

Mas hás de saber suas promessas, que, ao que pede, lhe darão, e à quem chamar, lhe abrirão a porta de seus tesouros infinitos.

E para que tenhas o que oferecer-Lhe, escreve em tua memória, o que padeceu Meu Filho Santíssimo e teu Esposo, pela mão daqueles ministros, vis e depravados homens, e a invencível paciência, mansidão e silêncio, com que se sujeitou à sua iniqua vontade.

E, com este modelo de perfeição, desde hoje, trabalha para que, em ti, não reine o irascível, nem outra paixão de filha de Adão, e se engendre em teu peito, um aborrecimento eficaz, do pecado da soberba, de desprezar e ofender o próximo.

E pede e solicita com o Senhor, a paciência, mansidão, tranquilidade e amor, aos trabalhos e cruz do Senhor.

Abraça-te com ela; toma-a, com piedoso afeto e segue a Cristo, teu esposo, para que Lhe alcances.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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DIA 27

Continuamos com os ensinamentos sobre a Paixão do Senhor Jesus, dados pelas revelações da Divina Mãe, à Venerável Irmã Maria de Jesus de Ágreda.

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Tema: O conselho se reúne na sexta-feira de manhã, para fundamentar o caso contra nosso Salvador Jesus, encaminhá-lo a Pilatos e Maria Santíssima com São João Evangelista e as três Marias saem ao encontro.

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Extraído da Obra Mística CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 18 – números marginais 1297 a 1310 – 3º. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda – Soria – Espanha.

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Doutrina que me deu a grande Senhora do céu Maria Santíssima.

1311. Minha filha, grande é o descuido e a inadvertência dos mortais em ponderar as obras de meu Santíssimo Filho, e penetrar com humilde reverência, os mistérios que neles encerrou, para remédio e salvação de todos.

Por isto, ignoram muitos, e outros ficam espantados, que Sua Majestade consentisse em ser traído como réu, perante os juízes ímpios, e ser examinado por eles, como um malfeitor e criminoso, que o tratassem e o reputassem por homem estulto e ignorante, e que com sua sabedoria divina, não respondesse por sua inocência, e convencesse da malícia dos judeus e de todos seus adversários. Pois, com tanta facilidade o poderia fazer.

Nesta admiração, o primeiro que se há de venerar, são os altíssimos juízos do Senhor, que assim dispos para a Redenção humana, obrando com equidade e bondade, retidão, e como convinha a todos os seus atributos, sem negar a cada um de seus inimigos, os auxílios suficiente para bem obrar, se quisessem cooperar com eles, usando os foros de sua liberdade, para o bem.

Porque todos quis que fossem salvos, e nenhum tem justiça, para reclamar da piedade divina, que foi superabundante.

1312. Mas, além disso, quero, caríssima, que entendas o ensinamento que contém estas obras.

Porque, nenhuma fez meu Filho Santíssimo que nãoa fosse como Redentor e Mestre dos homens.

 E no silêncio e na paciência que guardou em sua paixão, sofrendo ser reputado por iníquo e estulto, deixou aos homens, uma doutrina tão importante, quão pouco percebida, e menos praticada dos filhos de Adão.

E porque não consideram o contágio, que Lúcifer lhes comunicou pelo pecado, e que continua sempre no mundo.

Por isto que não procuram no médico, a medicina para sua doença. Mas Sua Majestade, por sua imensa caridade, deixou o remédio em suas palavras e em suas obras.

 Considerem-se, pois, os homens, concebidos em pecado, e vejam quanto poder possui em seus corações, a semente que o Dragão plantou, de soberba, de presunção, vaidade e auto-estima, de cobiça, hipocrisia e mentira, e assim dos outros vícios.

 Todos geralmente desejam apresentar-se em honra e vanglória:

– querem ser preferidos e estimados os doutos, e que se reputam por sábios;

– querem ser aplaudidos e celebrados e jactar-se da ciência;

– os incultos querem parecer sábios;

– os ricos se gloriam das riquezas e por elas querem ser venerados;

– os pobres querem ser ricos e ter a aparência e ganhar sua estima;

– os poderosos querem ser temidos, adorados e obedecidos;

– todos se adiantam nesse erro, e procuram parecer o que não são na virtude, e não são o que querem parecer;

– desculpam seus vícios,

– desejam encarecer suas virtudes e qualidades; atribuem-se os bens e benefícios, como se não os tivessem recebido.

Recebem-nos, como se não fossem estranhos, e se lhes tivessem dado gratuitamente. Em vez de agradecê-los, fazem deles, armas contra Deus e contra si mesmos.

 E, geralmente, todos estão entorpecidos, com o mortal veneno da antiga serpente, e mais sedentos de bebê-lo, quanto mais feridos e doentes desta lamentável achaque.

 E o caminho da cruz e da imitação de Cristo, pela humildade e pela sinceridade cristã, está deserto, porque poucos são os que caminham por ele.

 1313. Para quebrantar esta cabeça de Lúcifer, e vencer a soberba de sua arrogância, foi a paciência e o silêncio que teve Meu Filho em sua paixão, consistindo que o tratassem como um homem ignorante e um estulto malfeitor.

 E como Mestre desta filosofia, e Médico, que vinha para curar a doença do pecado, não quis desculpar-se nem defender-se, justificar-se, nem desmentir aos que o acusavam, deixando aos homens, este exemplo vivo de proceder e agir, contra o intento da serpente.

 E, em Sua Majestade, pôs em prática aquela doutrina do Sábio: Mais preciosa é ao seu tempo, a pequena estultícia, que a sabedoria e a glória (Ecl 10: 1), porque, melhor lhe está a fragilidade humana, ser a tempos, reputado o homem por ignorante e mau, que fazer ostentação vã da virtude e sabedoria.

 Infinitos são os que estão compreendidos neste perigoso erro, e desejando parecer sábios, falam muito e multiplicam as palavras como estultos (Ecl 10,14) e vem a perder, o memso que pretenem, porque são conhecidos por ignoranes. Todos estes vícios nascem da soberba radicada na natureza.

Mas tu, filha, conserva em teu coração a doutrina do meu Filho e Minha, e repudia a ostentação humana, sofre, cala, e deixa ao mundo que te repute por ignorante. Pois ele não conhece em que lugar vive a verdadeira sabedoria (Bar 3, 15).

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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DIA 28

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Tema: Remete Pilatos à Herodes, a causa e pessoa de nosso Salvador Jesus, acusam-Lhe ante de Herodes, e ele o despreza e envia a Pilatos. Segue-Lhe Maria Santíssima, e o que aconteceu nesta etapa.

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Extraído da Obra MÍSTICA CIUDAD DE DIOS – Livro VI – Capítulo 19 – números marginais 1314 a 1330 – 3º. Reimpressão – 2009 – Madrid – Propriedade de MM. Concepcionistas de Ágreda – Soria – Espanha.

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Doutrina que me deu a grande Senhora do céu Maria Santíssima.

1331. Minha filha, do que escreveste e entendeste, te vejo admirada, observando que Pilatos e Herodes não se mostraram tão desumanos e cruéis, na morte de meu Filho Santíssimo, como os sacerdotes, pontífices e fariseus.

E ponderas muito, que aqueles eram juízes seculares e gentios, e estes eram ministros da lei, e sacerdotes do povo de Israel, que professavam a verdadeira fé.

A este pensamento, quero te responder com uma doutrina, que não é nova, e tu entendeste outras vezes. Mas agora, quero que a renoves e não a esqueças, por todo o decurso de tua vida.

Percebe, pois, caríssima, que a queda domais alto lugar, é em extremo, perigosa, e seu dano, o é irreparável ou muito dificultoso o remédio.

Eminente lugar na natureza, e nos dons da luz e da graça, teve Lúcifer no céu, porque em sua beleza, excedia todas as criaturas, e pela queda de seu pecado, desceu ao profundo da fealdade e da miséria, e à maior obstinação de todos seus sequazes.

Os primeiros pais da linhagem humana, Adão e Eva, foram postos em altíssima dignidade e elevados benefícios, como saídos da mão do Todo Poderoso.

E sua queda, levou a perda de toda sua posteridade com eles mesmos, e seu remédio foi tão custoso, como o ensina a fé, e foi imensa misericórdia remediar para eles e seus descendentes.

1332 – Outras muitas almas subiram ao cume da perfeição, e dali caíram infelicissimamente, encontrando-se depois, quase desconfiadas, ou quase impossibilitadas para levantar-se.

Este dano, parte da própria criatura, nasce de muitas causas.

A primeira é o despeito e confusão desmedida que sente, o que caiu de maiores virtudes.

Porque não só perdeu maiores bens, mas tampouco confia dos benefícios futuros, mais que dos passados e perdidos, e não se promete mais firmeza, dos que pode adquirir, com nova diligência, que nos adquiridos e malogrados, por sua ingratidão.

Desta perigosa desconfiança, segue-se o obrar com tibieza, sem fervor e sem diligência, sem gosto e sem devoção. Porque tudo isto, extingue a desconfiança. Assim como animada e alentada a esperança, vence muitas dificuldades; corrobora e vivifica a fraqueza da criatura humana, para empreender magníficas obras.

Outra razão há, e não menos formidável, e é que as almas acostumadas aos benefícios de Deus, ou por ofício, como os sacerdotes e religiosos, ou por exercícios de virtudes e favores, como outras pessoas espirituais, de ordinário pecam com desprezo dos mesmos benefícios, e mau uso das coisas divinas.

Porque com a frequência delas, incorrem nesta perigosa grosseria, de estimar em pouco, os dons do Senhor. E com esta irreverência e pouco apreço, impedem os efeitos da graça, para cooperar com ela, e perdem o temor santo, que desperta e estimula para o bom obrar, para obedecer à Divina Vontade, e aproveitar-se logo dos meios que Deus ordenou, para sair do pecado e alcançar sua amizade e a vida eterna.

Este perigo é manifesto nos sacerdotes tíbios, que sem temor e reverência, frequentam a Eucaristia e outros sacramentos; nos doutos e sábios, e nos poderosos do mundo, que com dificuldade se corrigem, e emendam seus pecados, porque perderam o apreço, e veneração dos remédios da Igreja, que são os santos Sacramentos, a pregação e a doutrina.

E com estes remédios, que são em outros pecadores, saudáveis, e curam os ignorantes, adoecem eles, que são os médicos da saúde espiritual.

 1333 – Outras razões há deste dano, que olham para o próprio Senhor.

Porque os pecados daquelas almas, que por estado ou virtude se encontram mais obrigadas a Deus, se pesam na balança de sua justiça, muito diferentemente que os de outras almas, menos beneficiadas de sua misericórdia.

E ainda que os pecados de todos, sejam de uma mesma matéria, pelas circunstâncias, são muito diferentes: porque os sacerdotes e mestres, os poderosos e prelados e os que têm lugar, ou nome de santidade, fazem grande dano com o escândalo da queda e pecados que cometem.

É maior sua audácia e temeridade, em atrever-se contra Deus, à quem mais conhecem e devem, ofendendo-O com maior luz e ciência, e por isto, com mais ousadia e desacato, que os ignorantes; com o que lhe desobriga tanto os pecados dos católicos, entre eles, os dos mais sábios e ilustrados, como se conhecem em tudo, a corrente da Escrituras Sagradas.

E como no término da vida humana, que está designado para cada um dos mortais, para que nele, mereça o premio eterno, também está determinado até que número de pecados lhe há de aguardar e sofrer a paciência do Senhor para cada um.

Mas este número não se computa só, segundo a quantidade e multidão, senão também segundo a qualidade e peso dos pecados na divina justiça.

E assim, pode acontecer, que nas almas de maior ciência e benefícios do céu, a qualidade supere a multidão dos pecados, e com menos em número, sejam desamparados e castigados, que outros pecadores com mais.

Não para todos pode suceder o que ao Santo Rei Davi e a São Pedro, porque, não em todos terão precedido tantas obras boas antes de sua queda, para que tenha atenção do Senhor. Nem tampouco o privilégio de alguns, é regra geral para todos, porque nem todos são eleitos para um ministérios, segundo os juízos ocultos do Senhor.

1334 – Com esta doutrina, ficará, filha Minha, satisfeita tua dúvida, e entenderás, quão mau e cheio de amargura, é ofender ao Todo Poderoso, quando a muitas almas que redimiu com seu sangue, as põe no caminho da ljz, e as leva por ele. E como de alto estado pode cair uma pessoa, à mais perversa obstinação, que outras inferiores.

Esta verdade testifica o mistério da morte e paixão de Meu Filho Santíssimo, no que os pontífices, sacerdotes, escribas e todos aquele povo, em comparação dos gentios, estavam mais obrigados a Deus, e seus pecados os levaram à obstinação, cegueira e crueldade, mais abominável e precipitada, que aos próprios gentios, que ignoravam a verdadeira religião.

Quero também que esta verdade e exemplo, te avisem, de tão terrível perigo, para que, prudente, o temas, e com o temor santo, juntes o humilde agradecimento e alta estima dos bens do Senhor.

No tempo da abundância, não te esqueças da penúria. (Eclo 18,25)

Confere um e outro, em ti mesma, considerando que o tesouro o tens em vaso quebradiço, e o podes perder, e que o receber tantos benefícios, não é merece-los, nem possui-los é direito de justiça, senão graça e liberalidade.

E o haver-te feito Altíssimo, tão familiar sua, não é assegurar-te de que não podes cair, ou que vivas descuidada ou percas o temor e reverência.

Tudo há de caber em ti, ao passo e peso dos favores, porque também cresceu a ira da serpente, e se desvela contra ti, mais que contra outras almas.

Porque, conhecestes, que com muitas gerações não mostrou o Altíssimo seu liberal amor, tanto como o faz contigo. E se caísses, tua ingratidão sobre tantos benefícios e misericórdias, serias infelicíssima e digna de rigoroso castigo.

Ave Maria Puríssima, sem pecado original concebida. Amém!

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