Dias Litúrgicos

05.06.2022 – Solenidade de Pentecostes: A vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos e outros fiéis, na Mística Cidade de Deus da Soror Maria de Jesus de Ágreda.

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Fonte da Imagem: catequesecatolica

 

A vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos e outros fiéis. Maria Santíssima, viu, intuitivamente, outros ocultíssimos mistérios e segredos que aconteceram então – na Mística Cidade de Deus da Soror Maria de Jesus de Agreda

 

Texto extraído do original espanhol LIVRO VII — CAP. V – pág. 1153 e seguintes – 3.a Reimpressão, 2009 – OBRA: MÍSTICA CIDADE DE DEUS A VIDA DE MARIA – Escrita por SOROR MARIA DE JESUS DE ÁGREDA.

Texto de acordo com o autógrafo original – Introdução, notas e edição por CELESTINO SOLAGUREN, OFM.

Com a colaboração de Ángel Martínez Moñux, OFM, e Luis Villasante, OFM – MADRID, 2009.

Excerto traduzido do espanhol para o português, por Julio, Apostolado do Brasil.

Obra: Mística Cidade de Deus Vida da Virgem Maria

NIHIL OBSTAT: CÁNDIDO ZUBIZARRETA, OFM – Censor Ordinis – 4 noviembre 1970.

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  1. VICENTE SERRANO – 21 noviembre 1970.

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IMPRIMASE: + RICARDO, OBISPO AUX. – Y VIC. GEN. – 21 diciembre 1970.

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IMPRIMI POTEST: FR. MARCELINO ASURABARRENA Min. Prov. – 4 noviembre 1970.

1.a Edición, 1970 – La Reimpresión, 1982 – 2.a Reimpresión, 1992 – 3.a Reimpresión, 2009.

PROPIEDAD Y VENTA DE LA OBRA: MM. CONCEPCIONISTAS DE ÁGREDA (SORIA) – I.S.B.N.: 978-84-300-7944-5 – Depósito legal: M. 31.258-2009 – Imprenta FARESO, S. A. — Paseo de la Dirección, 5. 28039 Madrid.

Sitio del Orden de la Inmaculada Concepción – conocidas también como Concepcionistas Franciscanas: https://mariadeagreda.org

 

58. Em companhia da grande Rainha do céu, perseveraram alegres os doze Apóstolos com os demais discípulos e fiéis, aguardando no Cenáculo a promessa do Salvador, confirmada pela Mãe Santíssima, de que lhes enviaria das alturas o Espírito Consolador, que os ensinaria e administraria todas as coisas que em sua doutrina tinham ouvido. (Jo 14,26).

Estavam todos unânimes e tão conformes na caridade, que em todos aqueles dias nenhum teve pensamento, afeto nem gesto contrário aos demais; um só era o coração e a alma de todos, em sentir e obrar.

E ainda que tenha sido oferecida a eleição de São Matias, não interveio entre todos estes novos filhos da Igreja, nenhum gesto ou movimento de discórdia, por ser esta ocasião em que as diferentes opiniões arrastam a vontade para discordar mesmo dos mais atentos, porque todos o são para seguir cada um seu parecer e não se reduzir ao alheio.

Mas entre aquela santa congregação não teve entrada a discórdia, porque os uniu a oração, o jejum e o estar esperando a visita do Espírito Santo, que sobre corações encontrados e discordes, não podem ter assento.

E para que se veja quão poderosa foi esta união de caridade, não só para dispô-los a receber o Espírito Santo, mas também para vencer os demônios e afugentá-los, advirto que desde o inferno, onde estavam aterrorizados após a morte de nosso Salvador Jesus, desde ali sentiram nova opressão e terror, com as virtudes dos que estavam no cenáculo;

Ainda que não os conhecessem em particular, sentiram que desde ali, lhes resultava aquela nova força que os acovardava e julgaram que se destruía seu império com o que aqueles discípulos de Cristo começavam a obrar no mundo com sua doutrina e exemplo.

 

59. A Rainha dos Anjos Maria Santíssima, com plenitude de sabedoria e graça, conheceu o tempo e a hora determinados pela vontade divina para enviar o Espírito Santo sobre o Colégio Apostólico.

E como se cumprissem os dias de Pentecostes (At 2, 1ss), que foi cinquenta dias depois da ressurreição do Senhor e Nosso Redentor, a Beatíssima Mãe viu como no céu a humanidade da pessoa do Verbo propunha ao Pai Eterno o promessa que o próprio Salvador deixava feita no mundo aos seus Apóstolos, de enviar-lhes o divino Espírito consolador, e que se cumpria o tempo determinado por sua infinita sabedoria, para fazer esse favor à Santa Igreja, para plantar nela a fé que o próprio Filho havia ordenado e os dons que havia merecido.

Propôs Sua Majestade também os méritos que na carne mortal havia adquirido com sua santíssima vida, paixão e morte e os mistérios que havia obrado para remédio da linhagem humana, e que ele era seu mediador, advogado e intercessor entre o Eterno Pai e os homens, e que entre eles viveu a sua dulcíssima Mãe, em quem as pessoas divinas se compraziam.

Pediu também Sua Majestade que viesse o Espírito Santo ao mundo de forma visível, além da graça e dons invisíveis, porque convinha honrar a Lei do Evangelho diante do mundo, para confortar e alentar mais os Apóstolos e fiéis que deviam pregar a palavra divina, para causar terror nos inimigos do próprio Senhor, que em sua vida o haviam perseguido e desprezado até a morte de Cruz. 

 

60. Esta petição, que fez nosso Redentor no céu, a acompanhou sua santíssima Mãe desde a terra, na forma que a piedosa Mãe dos fiéis competia fazer.

E estando com profunda humildade prostrada em terra em forma de cruz, soube como no consistório da Beatíssima Trindade se admitia a petição do Salvador do mundo e que para despachá-lo e executá-lo — no nosso modo de entender — as duas pessoas do Pai e do Filho, como princípio de quem procede o Espírito Santo, ordenaram a missão ativa da terceira Pessoa, porque às duas se lhes atribui o enviar a que procede de ambos, e a terceira pessoa do Espírito Santo aceitava a missão passiva e admitia vir ao mundo.

E embora todas essas Pessoas divinas e suas operações sejam de uma mesma vontade infinita e eterna sem qualquer desigualdade, mas as mesmos potências que em todas as Pessoas são indivisas e iguais, têm operações ad intra em uma pessoa que não as tem em outra; e assim o entendimento no Pai engendra, e não no Filho, porque é engendrado, e a vontade no Pai e no Filho expira, e não no Espírito Santo, que é expirado. E por esta razão ao Pai e ao Filho se lhes atribui enviar, como princípio ativo, o Espírito Santo ad extra, e a ele se lhe atribui o ser enviado como passivamente. 

61. Precedendo as ditas petições, o dia de Pentecostes, pela manhã, a prudentíssima Rainha preveniu os Apóstolos e aos demais discípulos e santas mulheres —que eram todos cento e vinte pessoas— para que rezassem e esperassem com maior fervor, porque muito em breve seriam visitados das alturas com o Espírito divino.

E estando assim orando todos juntos com a celestial Senhora, na hora Terça, ouviu-se no ar um som de um espantoso trovão e um vento ou espirito veemente com grande resplendor, como relâmpagos e fogo, e tudo se encaminhou para o casa do cenáculo, enchendo-a de luz e derramando-se aquele divino fogo sobre toda aquela santa congregação. 

 

Apareceram sobre a cabeça de cada um dos cento e vinte, umas línguas do próprio fogo em que vinha o Espírito Santo, enchendo a todos e a cada um, de divinas influências e dons soberanos, e causando ao mesmo tempo efeitos muito diferentes e contrários no cenáculo e em toda Jerusalém, segundo a diversidade de sujeitos.

62. Em Maria santíssima foram divinos e admiráveis para os cortesãos do céu, que os demais de nós somos muito inferiores para entende-los e explicá-los.

Ficou a puríssima Senhora transformada e elevada toda no próprio altíssimo Deus, porque viu intuitivamente e com claridade o Espírito Santo, e por algum espaço de tempo, ainda que de passagem, gozou da visão beatífica da divindade, e de seus dons e efeitos recebeu só ela, mais do que todos os outros santos. E sua glória por aquele tempo excedeu a dos Anjos e dos Bem-aventurados.

E só ela deu mais glória, louvor e agradecimento do que todos eles juntos, pelo benefício de ter enviado o Senhor seu Divino Espírito sobre a Santa Igreja, empenhando-se para enviá-lo muitas vezes e governá-la com sua assistência até o fim do mundo.

E das obras que somente Maria Santíssima fez nesta ocasião, a Beatíssima Trindade se comprazeu e se agradou de tal maneira, que Sua Majestade se deu por paga e satisfeita com este favor que fez ao mundo; e não só porque estava satisfeito, mas fez como se encontrasse obrigado, por ter essa única criatura que o Pai olhava como Filha, e o Filho como Mãe, e o Espírito Santo como Esposa, a quem — no nosso modo de entender — devia visitar e enriquecer. depois de tê-la escolhido para tão alta dignidade.

Renovaram-se na digna e feliz Esposa todos os dons e graças do Espirito Santo com novos efeitos e operações que não cabem em nossa capacidade. 

 

63. Os Apóstolos, como diz São Lucas (At 2, 4), foram também cheios e repletos do Espirito Santo, porque receberam admiráveis aumentos da graça justificante em grau muito elevado, e só eles doze foram confirmados nesta graça para não a perder.

Respectivamente, se lhes infundiram hábitos dos sete dons, sabedoria, entendimento, ciência, piedade, conselho, fortaleza e medo, todos em grau convenientíssimo.

Neste benefício tão grandioso e admirável como novo no mundo, ficaram os Doze Apóstolos elevados e renovados para serem ministros idôneos do Novo Testamento (2 Cor 3, 6), e fundadores da Igreja evangélica em todo o mundo, porque esta nova graça e dons comunicaram-lhes uma virtude divina que com eficaz e suave força os inclinava para a mais heroica de todas as virtudes e para o supremo da santidade.

E com esta força oravam e obravam pronta e facilmente todas as coisas, por árduas e difíceis que fossem, e isto não com tristeza e necessidade violenta, mas com alegria e alegria.

64. Em todos os demais discípulos e outros fiéis que receberam o Espírito Santo no cenáculo, o Altíssimo operou os mesmos efeitos com proporção e respectivamente, exceto os que não foram confirmados na graça como os Apóstolos, mas segundo a disposição de cada um, se lhes comunicou graça e dons com mais ou menos abundância para o ministério que lhes tocava na Santa Igreja.

E a mesma proporção foi mantida nos Apóstolos, mas São Pedro e São João Evangelista, de maneira especial, excederam nestes dons, pelos mais altos ofícios que tinham, o de governar a Igreja como cabeça, e o outro, de assistir e servir sua Rainha e Senhora do céu e da terra Maria Santíssima.

O texto sagrado de São Lucas diz que o Espírito Santo encheu toda a Casa onde estava aquela feliz congregação (At 2, 2), não só porque todos nela estavam cheios do Divino Espírito e seus inefáveis dons, mas porque a própria casa foi cheia de admirável luz e resplendor. 

 

E esta plenitude de maravilhas e prodígios, redundou e foi comunicada a outros fora do cenáculo, porque operou também diversos e variados efeitos o Espírito Santo, sobre os moradores e vizinhos de Jerusalém.

Todos aqueles que com alguma piedade se compadeceram de Nosso Salvador e Redentor Jesus em sua paixão e morte, condoendo-se com seus acerbíssimos tormentos e reverenciando sua venerável pessoa, foram visitados no interior, com uma nova luz e graça, que os dispôs a admitir mais tarde a Doutrina dos Apóstolos.

E os que se converteram com o primeiro sermão de São Pedro foram muitos destes, a quem sua compaixão e pena pela morte do Senhor, começou-lhes granjear tanta felicidade como esta.

Outros justos que estavam em Jerusalém fora do cenáculo, também receberam grande consolação interior, com o que se movimentaram e se dispuseram. E assim o Espírito Santo operou novos efeitos de graça, respectivamente, em cada um.  

 

65. Mas não são menos admiráveis, ainda que mais ocultos, outros efeitos muito contrários aos que disse, que o mesmo Espírito Divino operou hoje em Jerusalém.

Aconteceu, pois, que com o espantoso trovão e veemente comoção do ar e relâmpagos em que o Espírito Santo veio, turbou e atemorizou todos os moradores da cidade, inimigos do Senhor, respectivamente, cada um de acordo com sua maldade e perfídia.

Observou-se este castigo com todos aqueles que foram atores e concorreram na morte de nosso Salvador, particularizando-se e irando-se em malícia e raiva.

Todos estes caíram em terra por três horas, ficando nela de cabeça. E os que açoitaram Sua Majestade todos morreram logo, afogados no próprio sangue, que de golpe lhes moveu e lhes transvazou das veias até sufoca-los, o qual com tanta impiedade o derramaram.

O atrevido que deu a bofetada em Sua divina Majestade não morreu repentinamente, senão que foi lançado no inferno de alma e corpo.

Outros dos judeus, embora não tivessem morrido, foram castigados com dores intensas e algumas enfermidades abomináveis.

Esse castigo foi notório em Jerusalém, ainda que os pontífices e fariseus pusessem grande diligência em desmenti-lo, como o fizeram na Ressurreição do Salvador, mas como isso não era tão importante, não o escreveram os Apóstolos e nem os Evangelistas, e a confusão da cidade e da multidão logo o esqueceu. 

 

66. Passou também o castigo e o temor até o inferno, onde os demônios o sentiram com nova confusão e opressão, que lhes durou três dias, como aos judeus estarem três horas na terra.

E naqueles dias Lúcifer e seus demônios estiveram dando uivos formidáveis, com que todos os condenados receberam nova pena e terror de confusíssima dor.

Ó Espírito inefável e poderoso! A Santa Igreja vos chama o dedo de Deus, porque procedeis do Pai e do Filho, como o dedo do braço e do corpo, mas nesta ocasião me foi manifestado que tendes o mesmo poder infinito com o Pai e o Filho.

Ao mesmo tempo, com vossa real presença, moveram-se céu e a terra com efeitos tão diferentes em todos os seus moradores, mas muito semelhantes aos que acontecerão no dia do Juízo.

Aos santos e aos justos enchestes de vossa graça, dons e consolação inefável, e aos ímpios e soberbos, castigastes e enchestes de confusão e penas.

Verdadeiramente vejo aqui cumprido o que dissestes pelo Santo Rei e Profeta Davi (Sl 93, 1ss), que sois um Deus de vingança, e obrais livremente, dando a retribuição digna aos maus, para que não se gloriem em sua malicia injusta, nem digam em seu coração que não o vereis nem entendereis, redarguindo e castigando seus pecados. 

 

67. Entendam, pois, os insipientes do mundo, saibam os estultos da terra, que o Altíssimo conhece os pensamentos vãos dos homens, e que, se com os justos Ele é liberal e suavíssimo, com os ímpios e maus, Ele é rígido e justiceiro para seu castigo.

Tocava ao Espírito Santo fazer um e o outro nesta ocasião. Porque procedia do Verbo, que se humanou pelos homens, e morreu para redimi-los, e padeceu tantos opróbios e tormentos sem abrir sua boca, nem dar retribuição destas desonras e desprezos.

E baixando ao mundo o Espírito Santo, era justo que retornasse para a honra do próprio Verbo humanado, e, embora não castigasse todos os seus inimigos, mas no castigo dos mais ímpios ficasse assinalado o que mereciam todos os que, com dura perfídia O tinham desprezado, se dando-lhes lugar não se reduzissem à verdade com verdadeira penitência.

Aos poucos que haviam admitido o Verbo humanado, seguindo e ouvindo-O como Redentor e Mestre, e aos que haveriam de pregar sua fé e doutrina, era justo recompensá-los e dispor-lhes com favores proporcionados ao ministério de plantar a Igreja e a Lei do Evangélica.

 

 

À Maria Santíssima era como devido visita-la o Espírito Santo. O Apóstolo disse (Ef 5, 31) que deixar o homem a seu pai e sua mãe e unir-se com sua esposa, como o havia dito o Santo Profeta e Legislador Moisés (Gn 2, 24), era grande sacramento entre Cristo e a Igreja, por quem desceu do seio do Pai para unir-se a ela na humanidade que Ele recebeu.

Pois se Cristo desceu do céu para estar com sua esposa, a Igreja, consequentemente parecia que descesse o Espírito Santo por Maria Santíssima, não menos esposa sua, do que Cristo da Igreja, e não a amava menos do que o Verbo humanado a Igreja. 

 

68 Filha minha: pouco atentos e agradecidos são os filhos da Igreja ao benefício que lhes fez o Altíssimo, enviando para ela o Espirito Santo, depois de haver enviado seu Filho por Mestre e Redentor dos homens.

Tanta foi a dileção com que os quis amar e trazer a Si, que para faze-los participantes de Suas perfeições divinas, enviou primeiro o Filho, que é sabedoria, e depois o Espírito Santo, que é Seu próprio amor, para que destes atributos fossem enriquecidos no modo que todos eram capazes de recebê-los.

E embora o Espírito divino tenha vindo pela primeira vez sobre os Apóstolos e os demais que estavam com eles, ainda assim, naquela vinda, deu prendas e testemunho de que faria o mesmo favor aos demais filhos da Igreja, da luz e do Evangelho, comunicando a todos Seus dons, se todos se dispuserem a recebê-los.

E na fé desta verdade vinha o mesmo Espírito Santo sobre muitos dos crentes, em forma ou em efeitos visíveis, porque eram verdadeiros servos fiéis, humildes, simples e de coração limpo e aparelhados para recebê-Lo.

E também agora, vem em muitas almas justas, embora não com sinais tão manifestos como então, porque não é necessário nem conveniente. Os efeitos e dons interiores todos são de uma mesma condição, segundo a disposição e o grau de cada um que os recebe.

69. Ditosa é a alma que anela e suspira por alcançar este benefício, e por participar deste fogo divino, que acende, ilustra e consome tudo o que é terreno e carnal, e que, purificando-a, eleva-a um novo ser, pela união e participação do próprio Deus.

Esta felicidade, filha minha, desejo para ti como verdadeira e amorosa mãe; e para que a consigas com plenitude, te admoesto de novo a que prepares teu coração, trabalhando por conservar nele uma inviolável tranquilidade e paz em tudo o que te acontecer.

Quer a divina clemência elevar-te a uma habitação muito alta e segura, aonde tenham fim as tormentas de teu espirito e não alcancem as baterias do mundo nem do inferno, onde em teu repouso descanse o Altíssimo e encontre em ti uma digna morada templo de sua glória.

Não te faltarão acometimentos e tentações do dragão, e todas com suma astúcia. Vive prevenida, para que nem te perturbes, nem admitas desassossego no interior de tua alma. Guarda teu tesouro em teu segredo e goza das delícias do Senhor, dos efeitos doces de seu casto amor, das influências de sua ciência, pois nisto ele te escolheu e te assinalou entre muitas gerações, alongando sua mão liberalíssima contigo.

70. Considera, pois, tua vocação e assegura-te que de novo o Altíssimo te oferece a participação e a comunicação de Seu Divino Espírito e de Seus dons.

Mas fique advertida de que, quando os concede, não tira a liberdade da vontade, porque sempre deixa em sua mão o fazer a escolha do bem e do mal ao seu alvedrio; e assim te convém que, em confiança do favor divino tomes a eficaz resolução de imitar-Me em todas as obras que de minha vida conheces, e não impedir os efeitos e a virtude dos dons do Espírito Santo. 

 

E para que melhor entendas esta doutrina, te direi a prática de todos os sete.

71. O primeiro, que é sabedoria, administra o conhecimento e o gosto das coisas divinas, para mover o cordial amor que nelas deves exercitar, cobiçando e apetecendo em tudo o que é bom, o melhor e mais perfeito e agradável ao Senhor.

E a esta moção deves concorrer, entregando-te toda ao beneplácito da divina vontade, e desprezando o quanto te possa impedir, por mais amável que seja à vontade e por mais desejável ao apetite.

A isto ajuda o dom do entendimento, que é o segundo, dando uma luz especial para penetrar profundamente o objeto representado para o entendimento.

Com esta inteligência deves cooperar e concorrer, desviando e apartando a atenção e o discurso de outras notícias bastardas e peregrinas, que o demônio, por si e por meio de outras criaturas, oferece para distrair o entendimento, e que não penetre bem a verdade das coisas divinas.

Isto o embaraça muito, porque são incompatíveis estas duas inteligências, e porque a capacidade humana é curta e dividida em muitas coisas, compreende menos e atende menos a cada uma, do que se atendesse só a ela.

E nisto se experimenta a verdade do Evangelho, que ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6,24). E quando toda a alma está atenta, a inteligência do bem a penetra, é necessária a fortaleza, que é o terceiro dom, para executar com resolução tudo o que o entendimento conheceu por ser mais santo, perfeito e agradável ao Senhor.

E as dificuldades ou impedimentos que se oferecem para fazê-lo, se os há de vencer com fortaleza, expondo-se a criatura a padecer qualquer trabalho e pena para não se privar do verdadeiro e sumo Bem que conhece.

72. Mas porque muitas vezes acontece que com a natural  ignorância e dubiedade, junto com a tentação, não alcança a criatura as conclusões ou consequências da verdade divina que conheceu, e com isto se embaraça para obrar o melhor entre os arbítrios que oferece a prudência da carne, serve para isto o dom da ciência, que é o quarto, e dá luz para inferir umas coisas boas de outras, e ensina o mais certo e seguro e para declarar-se nele, se for necessária, sendo assim impedida de fazer o que é melhor entre os caminhos oferecidos pela prudência da carne, o dom do conhecimento, que é o quarto, serve para este propósito, e dá luz para inferir algumas coisas boas de outras, e ensina o que é mais certo e certo, e para declarar-se nele, se necessário.

A este vem o dom da piedade, que é o quinto, e inclina a alma com uma disposição gentil a tudo o que é verdadeiramente agradável e ao serviço do Senhor e do benefício espiritual da criatura, para que o execute não com alguma paixão natural, mas com um motivo santo, perfeito e virtuoso.

E para que em tudo se governe com alta prudência, serve o sexto dom do conselho, que encaminha a razão para obrar com acerto e sem temeridade, pesando os meios e conciliando para si e para os outros com discrição, para escolher os meios mais proporcionados aos fins honestos e santos.

A todos estes dons segue-se o último, do temor, que os guarda e os sela a todos. Este dom inclina o coração para que fuja e se recate de todo imperfeito, perigoso e dissonante para as virtudes e perfeição da alma, e assim vem a servir de muro que o defende.

Mas é necessário entender a matéria e o modo deste santo temor, para que não o exceda nele a criatura, nem tema onde não há necessidade de temer, como tantas vezes te aconteceu pela astúcia da serpente, que, em troca do santo temor, procurou te introduzir um temor desordenado dos próprios benefícios do Senhor.

Mas com esta doutrina ficarás advertida de como deves praticar os dons do Altíssimo e chegar a um acordo com eles.

E advirto e admoesto que o conhecimento do temor é efeito próprio dos favores que Deus comunica e dá à alma, e com suavidade e doçura, paz e tranquilidade, para que saiba estimar e apreciar o dom, porque não há nada pequeno da mão do Altíssimo, e para que este temor não a impeça de conhecer bem o favor de sua mão poderosa, e que este temor a encaminhe a agradecer-lhe com todas as suas forças e a se humilhar até o pó. Conhecendo estas verdades sem engano, e removendo a covardia do temor servil, permanecerá o filial e com ele, como norte, navegarás segura neste vale de lágrimas. 

 

 

PDF da Matéria

 – Português – A4 

 

 

Alguns dados da Venerável Maria de Ágreda

(Extraídos da Obra Mística Cidade de Deus, original espanhol, ao inicio descrita)

1-) Nascimento: 2 de abril de 1602

2-) Morte: 24 de maio de 1665

3-) Seu corpo permanece incorrupto, conforme imagens abaixo

 

Fonte das imagens acima: mariadeagreda.org

Extraído da 32a. Hora da Devoção das 33 Horas de Reparação

10 Março 2021

Trigésima Segunda Hora de Meditação Reparadora

Chamado de Amor e Conversão do Doloroso e Imaculado Coração de Maria

“Pentecostes”

Querido filho de Meu Doloroso e Imaculado Coração: cinquenta dias depois da Ressurreição de Meu Amado Filho, a comunidade ainda estava encerrada pelo medo no Cenáculo de Jerusalém. Os Apóstolos decidiram calar e viver em silencio a alegria pascal. No entanto, era desobedecer ao Mandado de Meu Filho: “Vão e anunciem ao mundo a Boa Nova.”

Nove dias antes que a Páscoa terminasse, o Espirito Santo moveu-me para iniciar com a comunidade uma Novena de Oração e Jejum, para finalizar no último dia de Páscoa. O último Dia de Páscoa, Domingo, enquanto estávamos orando, na Hora Terceira, escutou-se um ruído de trovão no Cenáculo, e uma Pomba voou sobre todos, deixando nas cabeças dos discípulos uma chama de fogo, e a Pomba acesa no Fogo Santo, pousou sobre Mim.

Os Apóstolos encheram-se do Poder do Espirito Santo. O medo e a amargura afastaram-se de seus corações, e começaram, primeiramente por São Pedro, a confessar a fé.

Este mesmo Espirito Santo, é o que Meu Filho e o Pai desejam enviar ao mundo. Por isso, primeiro enviam-me a Mim, como a Grande Mulher do Apocalipse. A Santíssima Trindade envia o Sinal, que é Meu Doloroso e Imaculado Coração, para que, com Meus Últimos Chamados de Amor e Conversão e o Apostolado do final dos tempos, na humanidade inteira se formem Cenáculos de Oração, que preparem a chegada do Grande Pentecostes, que transformará a criação.

Elevação da alma

Sagrado Coração Eucarístico de Jesus: amo-vos, adoro-vos, bendigo-vos, consolo-vos, reparo-vos, peço por todos. Que o Grande Pentecostes venha sobre toda a humanidade, transformando os corações em cópias viventes do Coração de Maria. Por isso, peço os Méritos, Frutos, Dons e o próprio Poder do Espirito Santo, para que, o Pentecostes do Cenáculo de Jerusalém se estenda no Cenáculo universal dos Sagrados Corações Unidos. Amém. Fiat.

 

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