Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo na Mística Cidade de Deus, da Venerável Serva de Deus Madre Maria de Jesus de Ágreda

 

Texto extraído do Cap. X, pág. 552-562 – 3.a Reimpressão, 2009

LIBRO IV — CAP. 10 – pág. 552

SOR MARÍA DE JESÚS DE ÁGREDA

MÍSTICA CIUDAD DE DIOS VIDA DE MARÍA

Texto conforme al autógrafo original

Introducción, notas y edición por

CELESTINO SOLAGUREN, OFM

Con la colaboración de Ángel Martínez Moñux, OFM,

y Luis Villasante, OFM

MADRID, 2009

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A Obra Mística Cidade de Deus Vida da Virgem Maria:

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Texto extraído del Cap. X, pág. 552-562 – 3.a Reimpresión, 2009

LIBRO IV — CAP. 10 – pág. 552

SOR MARÍA DE JESÚS DE ÁGREDA

MÍSTICA CIUDAD DE DIOS VIDA DE MARÍA

Texto conforme al autógrafo original

Introducción, notas y edición por

CELESTINO SOLAGUREN, OFM

Con la colaboración de Ángel Martínez Moñux, OFM,

y Luis Villasante, OFM

MADRID, 2009

La Obra Mística Ciudad de Dios Vida de la Virgen María:

NIHIL OBSTAT:

CÁNDIDO ZUBIZARRETA, OFM

Censor Ordinis

4 noviembre 1970

VICENTE SERRANO

21 noviembre 1970

IMPRIMASE:

+ RICARDO, OBISPO AUX.

Y VIC. GEN.

21 diciembre 1970

IMPRIMI POTEST:

MARCELINO ASURABARRENA

Min. Prov.

4 noviembre 1970

1.a Edición, 1970

La Reimpresión, 1982

2.a Reimpresión, 1992

3.a Reimpresión, 2009

PROPIEDAD Y VENTA DE LA OBRA: MM. CONCEPCIONISTAS DE ÁGREDA (SORIA)

I.S.B.N.: 978-84-300-7944-5

Depósito legal: M. 31.258-2009

Imprenta FARESO, S. A. — Paseo de la Dirección, 5. 28039 Madrid

Sitio del Orden de la Inmaculada Concepción – conocidas también como Concepcionistas Franciscanas: https://mariadeagreda.org

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PDF do post – português

PDF del post – español

CAPÍTULO 10

Cristo, nosso bem, nasce da Virgem Maria em Belém da Judéia

468 – O palácio que tinha preparado o supremo Rei dos reis e Senhor dos senhores para hospedar no mundo a seu eterno Filho humanado para os homens, era a mais pobre e humilde choça ou cova, aonde Maria Santíssima e José se retiraram despedidos dos asilos e piedade natural dos próprios homens, como ficou dito no capitulo passado.

Era este lugar tão desdenhado e desprezado, que com estar a cidade de Belém tão cheia de forasteiros, que faltavam pousadas para habitar. Com tudo isso, ninguém se dignou de ocupa-la nem descer para ela, porque era certo, não lhes competia nem lhes vinha bem, senão aos mestres da humildade e pobreza, Cristo nosso bem e sua puríssima Mãe. E por este meio reservou para eles a sabedoria do Eterno Pai, consagrando-lhe com os adornos da nudez, solidão e pobreza, para o primeiro templo da luz e casa do verdadeiro sol de justiça, que para os retos de coração, havia de nascer da candidíssima aurora Maria, no meio das trevas da noite – símbolo das trevas do pecado – que ocupam todo o mundo.

469 – Entraram Maria Santíssima e José neste preparado asilo, e com o resplendor que desprendiam os dez mil Anjos que os acompanhavam, puderam facilmente reconhecer pobre e só, como o desejavam, com grande consolo e lágrimas de alegria. Logo, os dois santos peregrinos ajoelharam-se e louvaram o Senhor; e deram-Lhe graças por aquele benefício, que não ignoravam, era disposto pelos ocultos juízos da eterna Sabedoria.

Deste grande sacramento esteve mais capaz, a divina princesa Maria, porque, em santificando com a planta de seus pés aquela felicíssima pequena gruta, sentiu uma plenitude de júbilo interior que a elevou e a vivificou toda; e pediu ao Senhor que pagasse com liberal mão, todos os vizinhos da cidade, que, despedindo-a de suas casas, a haviam causado tanto bem, como naquela humilíssima choupana a esperava. Era toda de rochas naturais e toscas, sem gênero de curiosidade nem artifício, e tal que os homens a julgaram por conveniente para só albergue de animais. Mas o Eterno Pai a tinha destinada para abrigo e quarto de seu próprio Filho.

470 – Os espíritos angélicos, que como milícia celestial guardavam sua Rainha e Senhora, ordenaram-se em forma de esquadrões, como quem fazia corpo de guarda no palácio real. E na forma corpórea e humana que tinham, manifestavam-se também ao santo esposo José, que naquela ocasião era conveniente, gozasse deste favor, assim para aliviar sua pena, vendo tão adornado e belo aquele pobre asilo, com as riquezas do céu, como para aliviar e animar SEU coração e levantar-lhe mais para os eventos que o Senhor tinha preparado para aquela noite em tão desprezado lugar.

A grande Rainha e Imperatriz do céu, que já estava informada do mistério que ia celebrar, determinou-se limpar com suas mãos aquela cova, que logo haveria de servir de trono real e propiciatório sagrado, porque nem a ela lhe faltava exercício de humildade, nem ao seu Filho unigênito, aquele culto e reverencia que era  ele que em tal ocasião, podia lhe preparar por adorno de seu tempo.

471 – O santo esposo José, atento a majestade de sua divina Esposa, que ela parece esquecida, em presença da humildade, suplicou-lhe que não tirasse dele aquele oficio que então lhe tocava, e adiantando-se, começou a limpar o chão e cantos da gruta, ainda que não por isso, deixou de fazê-lo juntamente com ele a humilde Senhora.

E porque estando os santos anjos em forma humana visíveis – parece que, ao nosso entender, eles se encontraram correndo à vista de uma porfia tão devotada e da humildade de sua rainha – logo, com emulação santa ajudaram a este exercício ou, melhor dizendo, em curto espaço de tempo, limparam e esvaziaram toda aquela caverna, deixando-a alinhada e cheia de fragrância.

São José acendeu fogo com o adereço que para isso trazia, e porque o frio era grande. Chegaram a ele, para receber algum alívio, e do pobre sustento que levavam, comeram ou cearam com incomparável alegria de suas almas; ainda que a Rainha do céu e da terra, com a vizinha hora de seu divino parto, estava tão absorta e abstraída no mistério, que nada comesse se não mediasse a obediência de seu esposo.

472 – Deram graças ao Senhor, como costumavam, depois de haver comido; e detendo-se um breve espaço nisto, e em conferir os mistérios do Verbo humanado, a prudentíssima Virgem reconhecia que se lhe chegava o parto felicíssimo. Rogou ao seu esposo José que se recolhesse para descansar e dormir um pouco, porque já a noite corria muito avançada. Obedeceu o varão divino a sua esposa, e pediu-lhe que também ela fizesse o mesmo. E para isto, alinhou e preparou com as roupas que traziam, um presépio (manjedoura) um pouco amplo, que estavam no chão da gruta, para serviço dos animais que nela se recolhiam.

E deixando Maria santíssima acomodada neste tálamo, retirou-se o santo José para um canto do portal, onde se pôs em oração. Logo foi visitado pelo Espirito divino, e sentiu uma força suavíssima e extraordinária, que foi arrebatado e elevado em um êxtase altíssimo, e lhe foi mostrado tudo o que aconteceu naquela noite na ditosa gruta; porque não voltou aos seus sentidos até que lhe chamou a divina esposa. E este foi o sonho que ali recebeu José, mais alto e mais feliz que o de Adão no paraíso.

473 – No lugar em que estava a Rainha das criaturas, foi ao mesmo tempo movida de um forte chamamento do Altíssimo, com eficaz e doce transformação, que a elevou sobre todo o criado, e sentiu novos efeitos do poder divino, porque foi este êxtase dos mais raros e admiráveis de sua vida santíssima. Logo foi levantando-se mais com novos lumens e qualidades que a deu o Altíssimo, dos que em outras ocasiões declarei para chegar à visão clara da divindade. Com estas disposições, a cortina correu e ela viu intuitivamente o próprio Deus, com tanta glória e plenitude de ciência, que todo o entendimento angélico e humano não o pode explicar, nem adequadamente entender.

Renovou-se nela a notícia dos mistérios da divindade e humanidade santíssima de seu Filho, que em outras visões se lhe havia dado, e de novo, se lhe manifestaram outros segredos encerrados naquele arquivo inesgotável do divino peito. E eu não tenho bastante, capazes e adequados termos nem palavras para manifestar o que destes sacramentos conheci com a luz divina: que sua abundância e fecundidade me faz pobre de razões

474 – Declarou o Altíssimo a sua Virgem Mãe, como era tempo de sair ao mundo, de seu virginal tálamo, e o modo como isto haveria de ser cumprido e executado.

E conheceu a prudentíssima Senhora nesta visão, as razões e fins altíssimos de tão admiráveis obras e sacramentos, assim de parte do próprio Senhor, como do que tocava para as criaturas, para quem se ordenavam imediatamente.

Prostrou-se diante do trono real da divindade, e, dando-lhe glória e magnificência, graças, louvores por si e pelas que todas as criaturas lhe deviam por tão inefável misericórdia e dignação de seu imenso amor. Pediu a Sua Majestade nova luz e graça para obrar dignamente no serviço, obséquio, educação do Verbo humanado, que havia de receber em seus braços e alimentar com seu leite virginal.

Esta petição fez a divina Mãe com humildade profundíssima, como quem entendia a alteza de tal novo sacramento, qual era o de criar e tratar como mãe a Deus feito homem, e porque se julgava indigna de al ofício para cujo cumprimento os supremos serafins eram insuficientes.

Prudente e humildemente o pensava e pesava a Mãe da sabedoria, e porque se humilhou até o pó e se desfez toda em presença do Altíssimo, a levantou sua Majestade, e de novo deu-lhe o título de Mãe sua, e a mandou que como Mãe legítima e verdadeira, exercitasse este ofício e ministério: que lhe tratasse como Filho do eterno Pai, e juntamente Filho de suas entranhas. E tudo pode fiar para tal Mãe. No que, encerro tudo o que não posso explicar com mais palavras.

475 – Esteve Maria santíssima neste arrebatamento e visão beatífica mais de uma hora, imediata ao seu divino parto; e ao mesmo tempo que saía dele e retornava aos seus sentidos, reconheceu e viu que o corpo do menino Deus se movia em seu virginal ventre, soltando-se e despedindo-se daquele natural lugar, onde havia estado nove meses, e se encaminhava para sair daquele sagrado tálamo.

Este movimento do menino, não só não causou na Virgem Mãe, dor e pena, como acontece com as demais filhas de Adão e Eva em seus partos. Mas antes, a renovou toda no júbilo e alegria incomparável, causando em sua alma e corpo virgíneo, efeitos tão divinos e elevados, que sobrepujam e excedem a todo pensamento criado.

Ficou no corpo tão espiritualizada, tão bela e refulgente, que não parecia criatura humana e terrena: o rosto despendia raios de luz como um sol entre cor vermelha belíssima, o semblante gravíssimo, com admirável majestade e o afeto inflamado e fervoroso.

Estava posta de joelhos no presépio; os olhos levantados para o céu; as mãos juntas e unidas ao peito; o espirito elevado na divindade e toda ela deificada.

E com esta disposição, no final daquele divino arrebatamento, deu ao mundo a eminentíssima Senhora ao Unigênito do Pai e seu e nosso Salvador Jesus, Deus e homem verdadeiro, a hora de meia noite, dia de domingo, e o ano da criação do mundo, que a Igreja romana ensina, de cinco mil cento e noventa e nove; que esta conta foi-me declarada é certa e verdadeira.

476 – Outras circunstâncias e condições deste diviníssimo parto, ainda que todos os fiéis as suponham por milagrosas, mas como não tiveram outras testemunhas mais que a própria Rainha do céu e seus cortesãos, não se puderam saber todas em particular, salvo as que o próprio Senhor manifestou para sua santa Igreja em comum, ou a particulares almas por diversos modos.

E porque nisto creio que haja alguma variedade, e a matéria é altíssima, e em toda venerável, havendo eu declarado aos meus prelados que me governam, o que conheci destes mistérios, para escreve-los, me ordenou a obediência que de novo os consultasse com a divina luz, e perguntasse a Imperatriz do céu, minha mãe e mestra, e aos santos anjos que me assistem e libertam das dificuldades que se me oferecem, algumas particularidades que convinham, para a maior declaração do parto sacratíssimo de Maria, Mãe de Jesus, Redentor nosso. E havendo cumprido com este mandato, voltei para entender o mesmo, e me foi declarado que aconteceu na forma seguinte:

477 – No final da visão beatífica e do arrebatamento da Mãe sempre Virgem, que deixo declarado, nasceu dela o sol de justiça, Filho do eterno Pai e seu, limpo, belíssimo, refulgente e puro, deixando-a em sua virginal inteireza e pureza, mais divinizada e consagrada; porque não dividiu, senão que penetrou o virginal claustro, como os raios do sol, que, sem ferir o vitral cristalino, a penetra e deixa mais formosa e refulgente.

E antes de explicar o modo milagroso como isto se executou, digo que nasceu o menino Deus só e puro, sem aquela túnica que chamam de secundina (Nota do tradutor: “secundinas: placenta, cordão umbilical e membranas, normalmente expulsos do útero após o parto), na que nascem comumente enredadas as outras crianças, e estão envoltas nela nos ventres de suas mães.

E não me detenho em declarar a causa de onde pode nascer e originar-se o erro que se introduziu do contrário.

Basta saber e supor, que na geração do Verbo humanado e em seu nascimento, o braço poderoso do Altíssimo tomou e elegeu da natureza, tudo aquilo que pertencia a verdade e substância da geração humana, para que o Verbo feito homem verdadeiro, verdadeira se chamasse concebido, gerado e nascido como filho da substância de sua Mãe sempre Virgem.

Mas nas demais condições, que não são de essência, senão acidentais para a geração e natividade, não só se hão de apartar de Cristo Senhor nosso e de sua Mãe santíssima, as que tem relação e dependência da culpa original ou atual. Mas outras muitas que não derrogam a substância da geração ou nascimento, e nos próprios termos da natureza contém alguma impureza ou superfluidade não necessária para que a Rainha do céu se chame Mãe verdadeira e Cristo Senhor nosso, filho seu e que nasceu dela.

Porque nem estes efeitos do pecado ou natureza eram necessários para a verdade da humanidade santíssima, nem tampouco para o ofício de Redentor ou Mestre; e o que não foi necessário para estes três fins, e por outra parte, redundava na maior excelência de Cristo e de sua Mãe santíssima, não se há de negar a ambos?

Nem os milagres que para isto foram necessários se hão de regatear com o Autor da natureza e graça, com a que foi sua digna Mãe, preparada, adornada e sempre favorecida e embelezada; que a divina destra em todos os tempos a esteve enriquecendo de graças e dons, e se estendeu com seu poder para tudo o que em pura criatura fosse possível.

478 – Conforme esta verdade, não derrogava a razão de mãe verdadeira que fosse virgem no conceber e dar à luz, por obra do Espirito Santo, ficando sempre virgem.

E ainda que sem culpa sua pudesse perder este privilégio da natureza, mas faltasse à divina Mãe, rara e singular excelência; e porque não estivesse e carecesse dela, concedeu-lhe o poder seu Filho santíssimo.

Também poderia nascer o menino Deus com aquela túnica ou pele que os demais, mas isto não era necessário para nascer como filho de sua legítima Mãe. Por isto não a tirou consigo do ventre virginal e materno, como tampouco pagou a natureza este parto outras pensões e tributos: de menos pureza que contribuem os demais pela ordem comum de nascer.

O Verbo humanado não era justo que passasse pelas leis comuns dos filhos de Adão. Antes era como conseguinte ao milagroso modo de nascer, que fosse privilegiado e livre de tudo o que pudesse ser matéria de corrupção ou menos limpeza; e aquela túnica secundinas não se havia de corromper fora do virginal ventre, por haver estado tão contígua ou continua com seu corpo santíssimo e ser parte do sangue e substância materna; nem tampouco era conveniente guarda-la e conserva-la, nem que a tocassem a ela as condições e privilégios que se lhe comunicam ao divino corpo, para sair penetrando o de sua Mãe santíssima, como direi logo.

E o milagre com que se havia de dispor desta pela sagrada, se saísse do ventre, se pode obrar melhor ficando nele, sem sair fora.

479 – Nasceu, pois, o menino Deus do tálamo virginal, só e sem outra coisa material ou corporal que lhe acompanhasse. Mas saiu glorioso e transfigurado; porque a divindade e sabedoria infinita dispôs e ordenou que a glória da alma santíssima redundasse e se comunicasse ao Corpo do menino Deus, ao tempo de nascer, participando os dotes da glória, como aconteceu depois no Tabor, em presença dos três apóstolos.

E não foi necessária esta maravilha para penetrar o claustro virginal e deixa-lo ileso na sua virginal integridade; porque sem estes dotes poderia Deus fazer outros milagres: que nascesse o menino deixando virgem a Mãe, com o dizem os doutores santos, que não conheceram outro mistério nesta natividade.

Mas vontade divina foi que a beatíssima Mãe visse o seu Filho homem-Deus a primeira vez, glorioso em corpo para dois fins: o primeiro, que com a vista daquele objeto divino, a prudentíssima Mãe concebesse a reverência altíssima com que havia de tratar ao seu Filho, Deus e homem verdadeiro; e ainda que, antes havia sido informada disto, com tudo isto, ordenou o Senhor, que por este meio, como experimental, se a infundisse nova graça, correspondente à experiência que tomava da divina excelência de seu dulcíssimo Filho e de sua majestade e grandeza. o segundo fim desta maravilha foi como premio da fidelidade e santidade da divina Mãe, para que seus olhos puríssimos e castíssimos, que a todo o terreno se haviam fechado por amor de seu Filho santíssimo, o vissem logo, nascendo com tanta glória e recebessem aquele gozo e premio de sua lealdade e fineza.

480 – O sagrado evangelista são Lucas disse que a Mãe Virgem, havendo dado à luz ao seu Filho primogênito, o envolveu em faixas e o reclinou em um presépio. E não declara quem o levou às suas mãos desde seu virginal ventre, porque isto não pertencia ao seu intento.

Mas foram ministros desta ação os dois príncipes soberanos são Miguel e são Gabriel, que como assistiam em forma humana corpórea ao mistério, ao ponto que o Verbo humanado, penetrando com sua virtude pelo tálamo virginal, saiu à luz;  em devida distancia o receberam em suas mãos com incomparável reverência, e ao modo que o sacerdote propõe ao povo a sagrada hóstia, para que a adore, assim estes dois celestiais ministros apresentaram aos olhos da divina Mãe o seu Filho glorioso e refulgente.

Tudo isto aconteceu em curto espaço de tempo. E ao ponto que os santos Anjos apresentaram o menino Deus à sua Mãe, reciprocamente se olharam Filho e Mãe santíssima, ferindo ela o coração do doce menino e ficando juntamente levada e transformada nele.

E desde as mãos dos dois santos príncipes falou o Príncipe celestial para sua feliz Mãe, e lhe disse:

Mãe, assimila-te a mim, que pelo ser humano que me destes, quero desde hoje dar-te outro novo ser de graça mais elevado, que sendo de pura criatura, se assimile ao meu, que sou Deus e homem por imitação perfeita.

– Respondeu a prudentíssima Mãe: Trahe me post te, in odorem unguentorum tuorum curremos. Levai-me Senhor, depois de ti e correremos no olor de teus unguentos. – Aqui se cumpriram muitos dos ocultos mistérios dos Cantares; e entre o menino Deus e sua mãe Virgem, passaram-se outros dos divinos colóquios que ali se referem, como: Meu amado para mim e eu para ele, e se converte para mim. Atende que formosa és, amiga minha, e teus olhos são de pomba. Atende que formoso és, dileto meu; e outros muitos sacramentos, que para referi-los seria necessário dilatar mais do que é necessário este capítulo.

481 – Com as palavras que ouviu Maria santíssima da boca de seu Filho diletíssimo, juntamente lhe foram patentes os atos interiores de sua alma santíssima unida à divindade para que os imitando se assimilasse a ele.

E este benefício foi o maior que recebeu a fidelíssima ditosa Mãe, de seu Filho, homem e Deus verdadeiro, não só porque desde aquela hora foi contínuo por toda sua vida. Mas porque foi o exemplar vivo de onde ela copiou a sua, com toda a similitude possível entre a que era pura criatura e Cristo, homem e Deus verdadeiro.

Ao mesmo tempo conheceu e sentiu a divina Senhora a presença da Santíssima Trindade, e ouviu a voz do Pai Eterno que dizia:

“Este é meu Filho amado, em quem recebo grande agrado e complacência.”

– E a prudentíssima Mãe, toda divinizada entre tão elevados sacramentos, respondeu e disse:

Eterno Pai e Deus altíssimo, Senhor e Criador do universo, dai-me de novo vossa licença e bênção para que com ela receba em meus braços o desejado das gentes, e ensinai-me a cumprir no ministério de mãe indigna e de escrava fiel vossa divina vontade. –

Ouviu logo uma voz que lhe dizia:

Recebe teu unigênito Filho, imita-o, cria-o, e advirto que me as de sacrifica-lo quando eu te o pedir. Alimenta-o como mãe e reverencia-o como teu verdadeiro Deus.

– Respondeu a divina Mãe:

Aqui está a feitura de vossas divinas mãos; adornai-me de vossa graça para que vosso Filho e meu Deus me admita por sua escrava; e dando-me a suficiência de vosso grande poder, eu acerte em seu serviço, e não seja atrevimento que a humilde criatura tenha em suas mãos e alimente com seu leite ao seu próprio Senhor e Criador.

482 – Acabados estes colóquios tão cheios de divinos mistérios, o menino Deus suspendeu o milagre e voltou a continuar o que suspendia os dotes e glória de seu corpo santíssimo, ficando represada só na alma, e mostrou-se sem eles, em seu ser natural e passível.

E neste estado o viu também sua Mãe puríssima, e com profunda humildade e reverência, adorando-o na postura que ela estava de joelhos, o recebeu das mãos dos santos anjos que o tinham.

E quando o viu nas suas, falou-lhe e lhe disse:

“Dulcíssimo amor meu, luz de meus olhos e ser de minha alma, vinde em boa hora ao mundo, sol de justiça para desterras as trevas do pecado e da morte. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, redimi vossos servos, e veja toda a carne a quem lhe traz a saúde. Recebei para vosso obséquio vossa escrava e supri minha insuficiência para servir-vos. Fazei-me, Filho meu, tal como quereis que seja convosco.”

Logo converteu-se a prudentíssima Mãe em oferecer seu Unigênito ao Eterno Pai, e disse:

Altíssimo Criador de todo o universo, aqui está o altar e o sacrifício aceitável a vossos olhos. Desde esta hora, Senhor meu, olhai a linhagem humana com misericórdia, e quando mereçamos vossa indignação, tempo é de que se aplaque com vosso Filho e meu.

Descanse já a justiça, e magnifique-se vossa misericórdia, pois para isto se vestiu o Verbo divino, à similitude da carne do pecado, e se fez irmão dos mortais e pecadores. Por este título os reconheço por filhos e peço com o íntimo do coração por eles.

Vós, Senhor poderoso, me haveis feito Mãe, de vosso Unigênito sem merece-lo, porque esta dignidade é sobre todos os merecimentos de criaturas. Mas devo aos homens em parte, a ocasião que têm à minha incomparável felicidade, pois por eles sou Mãe do Verbo humanado passível e Redentor de todos. Não lhes negarei meu amor, meu cuidado e desvelo para seu remédio. Recebei, eterno Deus, meus desejos e petições para o que é de vosso próprio agrado e vontade.

483 – Converteu-se também na Mãe de misericórdia para todos os mortais, e falando com eles disse:

Consolem-se os aflitos; alegrem-se os desconsolados; levantem-se os caídos; pacifiquem-se os turbados; ressuscitem os mortos; regozijem os justos; alegrem-se os santos; recebam novo júbilo os espíritos celestiais; aliviem-se os profetas e patriarcas do limbo e todas as gerações louvem e magnifiquem ao Senhor que renovou suas maravilhas. Vinde, vinde, pobres; legai, párvulos, sem temor, que em minhas mãos tenho feito cordeiro manso ao que se chama leão; ao poderoso, fraco; ao invencível, rendido. Vinde pela vida; chegai pela saúde; acercai-vos pelo descanso eterno, que para todos o tenho, e se vos dará gratuitamente, e lhes comunicarei sem inveja. Não queirais ser tardos e pesados de coração, ó filhos dos homens. E vós, doce bem de minha alma, dai-me licença para que receba de vós aquele desejado ósculo de todas as criaturas.

– Com isto, a felicíssima Mãe aplicou seus divinos e castíssimos lábios, às carícias ternas e amorosas do menino Deus, que as esperava como seu Filho verdadeiro.

484 – E sem larga-lo de seus braços, serviu de altar e de sacrário, onde os dez mil anjos em forma humana adoraram ao seu Criador feito homem.

E como a beatíssima Trindade assistia com especial modo ao nascimento do Verbo encarnado, ficou o céu como deserto de seus moradores, porque toda aquela corte invisível se trasladou para a feliz gruta de Belém, e adorou também ao seu Criador em hábito novo e peregrino.

Em seu louvor entoaram os santos anjos aquele novo canto: Gloria in excelsis Deo, et in terra paz flolninibus bonae voluntatis.

E com dulcíssima e sonora harmonia o repetiram, admirados das novas maravilhas que viam postas em execução e da indizível prudência, graça, humildade e formosura de uma donzela terna de quinze anos, depositária e ministra digna de tais e tantos sacramentos.

485 – Já era hora que a prudentíssima e informada Senhora chamasse seu fidelíssimo esposo São José, que, como acima disse, estava em divino êxtase, onde conheceu por revelação todos os mistérios do sagrado parto, que naquela noite se celebraram.

Mas convinha também que com os sentidos corporais visse e tratasse, adorasse, reverenciasse o Verbo humanado, antes que algum outro dos mortais, pois ele era só entre todos, escolhido para despenseiro fiel de tão alto sacramento.

Retornou do êxtase mediante a vontade de sua divina Esposa, e restituído em seus sentidos, o primeiro que viu foi o menino Deus nos braços de sua virgem Mãe, encostado ao seu sagrado rosto e peito. Ali o adorou com profundíssima humildade e lágrimas.

Beijou-lhe os pés com novo júbilo e admiração, que o arrebataria e dissolveria a vida, senão lhe preservasse a virtude divina, e perderia os sentidos, se não fosse necessário usar deles naquela ocasião.

Logo que o santo José adorou o menino, a prudentíssima Mãe pediu licença ao seu próprio Filho para sentar-se, que até então havia estado de joelhos, e administrando São José as faixas e cueiros que traziam, o envolveu neles, com incomparável reverência, devoção e alinho, e assim com as fraldas e enfaixado, com sabedoria divina o reclinou a própria Mãe no presépio, como o evangelista São Lucas disse, aplicando algumas palhas e feno a uma pedra, para acomoda-lo no primeiro leito que teve Deus homem na terra fora dos braços de sua Mãe.

Veio logo, por vontade divina, daqueles campos um boi com suma presteza, e entrando na gruta, juntou-se ao jumentinho que a própria Rainha havia levado, e ela lhes mandou que adorassem com a reverência que podia e reconhecessem ao seu Criador.

Obedeceram os humildes animais ao mandado de sua Senhora e se prostraram diante o menino e com seu alento, o aqueceram e serviram com o obséquio que lhe negaram os homens.

Assim esteve Deus feito homem, envolto em panos, reclinado no presépio entre dois animais, e cumpriu-se milagrosamente a profecia: que conheceu o boi o seu dono, e o jumento, o presépio do seu senhor, e não o conheceu Israel, nem seu povo teve inteligência.

Doutrina da Rainha Maria Santíssima

486 – Filha minha: se os mortais tivessem o coração desocupado e o juízo são para considerar dignamente este grande sacramento de piedade que o Altíssimo obrou por eles, poderosa seria sua memória para reduzi-los ao caminho da vida e rende-los ao amor de seu Criador e Reparador.

Porque, sendo os homens capazes de razão, se dela usassem com a dignidade e liberdade que devem, quem seria tão insensível e duro que não se enternecesse e movesse, à vista de seu Deus humanado e humilhado para nascer pobre, desprezado, desconhecido, em um presépio entre animais brutos, só com o abrigo de uma mãe pobre e desprezada da estultícia e arrogância do mundo?

Em presença de tão alta sabedoria e mistério, quem se atreverá a amar a vaidade e a soberba, que aborrece e condena o Criador do céu e da terra com seu exemplo?

Nem tampouco poderá aborrecer a humildade, pobreza e nudez, que o próprio Senhor amou e escolheu para si, ensinando o meio verdadeiro da vida eterna. Poucos são os que se detém para considerar esta verdade e exemplo, e com tão feia ingratidão, são poucos os que conseguem o fruto de tão grandes sacramentos.

487 – Mas, se a dignação de meu Filho Santíssimo se mostrou tão liberal contigo, na ciência e luz tão clara que te deu estes admiráveis benefícios da linhagem humana, considera bem, caríssima, tua obrigação, e pondera quanto e como deves obrar com a luz que recebes.

E para que correspondas a esta dívida, te advirto e exorto de novo, que esqueças todo o terreno e o percas de vista, e não queiras nem admitas outra coisa do mundo, mais do que te afastar e ocultar dele e de seus moradores, para que nu o coração de todo o afeto terreno, te disponhas para celebrar em mistério das pobreza, humildade e amor de teu Deus humanado.

Aprende de meu exemplo a reverência, temor e respeito com que haverás de tratar, como eu o fazia quando o tinha em meus braços; executarás esta doutrina quando tu o recebas em teu peito e no venerável sacramento da eucaristia, onde está o próprio homem verdadeiro, que nasceu de minhas entranhas. E neste sacramento o recebes e tens realmente tão próximo, que está dentro de ti mesma, com a verdade que eu o tratava e tinha, ainda que por outro modo.

488 – Nesta reverência e temor santo quero que sejas extremada, e que também advirtas e entendas, que com a obra de Deus sacramentado no teu peito te diz o mesmo que a mim me disse naquelas razões: Que me assimilasse a ele, como o terás entendido e escrito. O baixar do céu à terra, nascer em pobreza e humildade, viver e morrer nela com tão raro exemplo e ensinamento do desprezo do mundo e de seus enganos, e a ciência que destas obras te deu, apontando contigo em alta e elevada inteligência e penetração, tudo isto deve ser para ti uma voz viva que deves ouvir com íntima atenção de tua alma e escreve-la em teu coração, para com discrição faças próprios os benefícios comuns, e entendas que de ti quer meu Filho santíssimo e meu Senhor os agradeças, e como se por ti só houvesse baixado do céu para redimir-te e obrar todas as maravilhas e doutrina que deixou em sua Igreja santa.

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Fonte das imagens: site oficial de Maria de Ágreda)

Madre Maria de Jesús de Ágreda

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Obras Publicadas

A Grande Mística Mariana

Galeria de Imagens da Madre de Ágreda

Corpo incorrupto de Madre de Ágreda:

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