Dias Litúrgicos

29 Abril – Memória Litúrgica de Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja

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Santa Catarina de Sena – Virgem e Doutora da Igreja

Catarina nasceu no ano de 1347, em 25 de março daquele ano, coincidindo com o Domingo de Ramos, no bairro Fontebranda, em Siena, especificamente na casa de Jacobo Benincasa, tintureiro de couro e Lapa Piacenti.

Nascida em Siena, em uma família muito numerosa, morreu em sua cidade natal em 1380. Aos 16 anos, impulsionada por uma visão de São Domingos, ingressou na Ordem Terciária Dominicana, no ramo feminino chamado Mantellate [chamado assim por usar um manto preto, s.d.t.].

Permanecendo com a família, confirmou o voto de virgindade que havia feito em particular quando ainda era adolescente, dedicou-se à oração, penitência, obras de caridade, especialmente em benefício dos doentes.

Catarina de Sena é chamada, não sem razão, a Mãe da Ordem dos Pregadores. Talvez seja por isso que os diversos ramos da Ordem, ao longo de nossa história, a apropriaram como patrimônio exclusivo de cada um: monjas, frades, dominicanos seculares, etc.

Foi decisivo em sua vida uma imagem do Senhor, que teve na idade de 6 anos.

A partir de então, “tudo havia mudado de aspecto” em sua vida. Agora, tudo seria diferente: o Altíssimo a cobrira com sua sombra e falara ao seu coração quando criança. Em tenra idade, ela já expressava seu desejo de ser tudo de Deus e viver as virtudes cristãs com perfeição.

É verdade que o seu processo de santificação foi muito rápido e acompanhado de muitas graças e carismas, aos quais soube responder com uma vida exigente de oração, recolhimento e mortificação.

A cândida ideia de cortar o cabelo e fingir ser um menino para ser admitido no convento revela algo do que já passava por sua mente infantil com desejos inexplicáveis ​​de radicalismo. A Leyenda menor 1,2, diz “que a partir dessa visão ela deixou de ser menina”.

Aos 20 anos, realizou-se o desposório místico com Jesus e, a partir de então, teve que deixar sua vida de recolhimento e solidão, para se entregar a uma atividade apostólica inédita: por sua força, por sua condição de mulher e no momento que ela estava passando, a sociedade e a Igreja.

Catalina tem um lugar privilegiado entre os maiores escritores, o poder de sua poesia não inveja nada ao gênio dos poetas mais renomados. Ela é considerada a mais excelsa das escritoras italianas.

O Beato Raimundo nos dirá que sua doutrina é talvez, a mais admirável de sua vida, e o Pe. Royo Marin, que “sua doutrina mística representa um dos pilares mais importantes na história da espiritualidade de todos os tempos.”

Além de sua abundante correspondência, destacam-se seu Testamento espiritual e “seu livro”, como ela mesma chama o Diálogo. O Testamento foi dado a seus discípulos quando, diante da iminência de sua morte, ela conseguiu recuperar por um momento suas energias.

Nesta exortação quer estimular a formação da virtude, fazendo recomendações sobre temas essenciais, todos ordenados ao autêntico centramento em Deus, como ponto de partida e de chegada da obra de santidade. Nela ele encerra sinteticamente toda a sua doutrina e vida.

O Diálogo foi ditado a vários escritores, a quem ela mesma havia alertado para estarem prontos para pegar o que ela dissesse quando era arrebatada em êxtase. No Diálogo fica plasmada a realização de sua missão recebida na Igreja; há toda ela, sua existência, sua paixão eclesial e todo o seu ser.

Nos primeiros meses do ano de 1380 – o último de sua existência terrena – a vida de Catarina parece uma pequena chama inquieta que dificilmente pode ser contida pela fragilidade do corpo que se desfaz. Mas enquanto ele viver ele será um holocausto para a Santa Igreja. Ela mesma já havia escrito antes: “Se eu morrer, saiba que morro de paixão pela Igreja”.

“Por volta das nove horas”, diz em uma carta emocionada ao seu diretor, “quando eu saio da missa, verás uma mulher morta caminhando para a Basílica de São Pedro e entrar de novo para trabalhar na nave da Santa Igreja. Ali estou até perto da hora das vésperas. Não quisera mover-me dali, nem de dia nem de noite, até ver este povo submisso e afiançado na obediência de seu Pai, o Papa”.

Ali, ajoelhada, em um êxtase de sofrimento interior e súplica, sente-se esmagada pelo peso da navicela, a nave da Igreja, que Deus a faz sentir pesar sobre seus frágeis ombros de pobre mulher.

“Catarina”, escreveu outro de seus discípulos, “era como uma mula que sem resistência levava o peso dos pecados da Igreja, assim como em sua juventude havia levado desde a porta da casa até o celeiro, os pesados sacos de trigo.”

Perto da igreja e do convento dos padres dominicanos de Santa Maria da Minerva, na Via di Papa, tinha durante sua estadia em Roma seu humilde quarto.

Dita suas últimas cartas-testamentos, transbordando de ternura e firmeza, com sua habitual visão sobrenatural de todas as coisas. Interrompe reiteradamente seu ditado, com um suspiro profundo: “Pequei, Senhor, tem piedade de mim”, ou com o grito de amor ardente por Jesus Cristo crucificado que consumiu toda a sua existência: “Sangue, sangue”.

Rodeada por muitos de seus discípulos e seguidores, consumida até o esgotamento e a dor pela enfermidade, ela oferecia o supremo holocausto de uma vida inteiramente consagrada a Deus e à Santa Igreja.

Com as palavras de Jesus: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”, com o rosto radiante de uma luz inusitada, inclinou suavemente a cabeça e entregou a sua alma a Deus, na plenitude do irrompimento da primavera romana. Era 29 de abril, o domingo antes da Ascensão do Senhor no ano de 1380.

A Santa Madre Igreja, com o selo de sua autoridade, endossou o prodígio de santidade da humilde filha do tintureiro de Siena, pela boca de seu vigário Pio II, ao canoniza-la solenemente na festa de São Pedro e São Paulo no ano 1461.

[Traduzida do espanhol por este site]

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