Dias Litúrgicos

12.06.2022 – Solenidade Litúrgica da Santíssima Trindade

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Imagem Public Domain: wikipedia

Autor da Imagem (de 1425) – Pintor Russo:  Andrei Rublev

 

[Extraído da Liturgia das Horas – I Vésperas – Ofício das Leituras]

Domingo depois de Pentecostes

Santíssima Trindade

Solenidade

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Das Cartas de Santo Atanásio, bispo
(Ep. 1 ad Serapionem, 28-30: PG 26, 594-595) (Sec. IV)

Luz, esplendor, graça

 Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor a ensinou, tal como a pregaram os Apóstolos e a transmitiram os Santos Padres.

De facto, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que a abandona deixa de ser cristão e já não merece usar esse nome.

  Ora a nossa fé é esta: acreditamos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo;

  – não há n’Ela mistura de nenhum elemento estranho;

  – não Se compõe de Criador e criatura;

  – mas toda Ela é criadora e eficaz;

  – uma só é a sua natureza,

  – uma só é a sua eficiência e acção.

 

O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo se afirma a unidade da Santíssima Trindade.

Por isso se proclama na Igreja um só Deus:

 –  que está acima de tudo,

 – atua em tudo

 – e está em tudo.

 – Está acima de tudo como Pai –  princípio e origem;

 – atua em tudo  – por meio do Verbo;

 – e está em tudo  – no Espírito Santo.

  

O Apóstolo São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo:

– Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo;

– há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo;

– e há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.

Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai, por meio do Verbo.

De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; e, portanto: as graças concedidas pelo Filho, no Espírito Santo, são dons do Pai.

 De igual modo:

– quando o Espírito está em nós,

– também em nós está o Verbo, 

– de quem recebemos o Espírito;

– e, com o Verbo, está também o Pai.

  Assim se realiza o que diz a Escritura: O Pai e Eu viremos a ele e faremos nele a nossa morada.

  Porque onde está a luz, aí está também o esplendor da luz;  e onde está o esplendor, aí está também a sua graça eficiente e esplendorosa.

  Isto mesmo no-lo ensina São Paulo na Segunda Epístola aos Coríntios com estas palavras:

  “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.”

Efetivamente, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade:

– vem do Pai,

– pelo Filho,

– no Espírito Santo.

Assim como toda a graça nos vem do Pai

– por meio do Filho,

– assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo,

– por cuja participação temos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.

Fonte: http://www.ibreviary.com/m2/breviario.php?s=ufficio_delle_letture 

 

PAPA FRANCISCO

ANGELUS

Praça de São Pedro
Domingo, 12 de junho de 2022

 

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Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!

Hoje é a solenidade da Santíssima Trindade, e no Evangelho da celebração Jesus apresenta-nos as outras duas Pessoas divinas, o Pai e o Espírito Santo. Do Espírito diz: «não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á». E depois, a propósito do Pai, diz: «Tudo o que o Pai possui é meu» (Jo 16, 14-15). Notamos que o Espírito Santo fala, mas não de si mesmo: anuncia Jesus e revela o Pai. E notamos também que o Pai, que possui tudo, porque é a origem de todas as coisas, dá ao Filho tudo o que possui: não reserva nada para si, doa-se inteiramente ao Filho. Ou seja, o Espírito Santo não fala de si mesmo, fala de Jesus, fala de outros. E o Pai, ele não se doa a si mesmo, doa o Filho. É a generosidade aberta, um aberto ao outro.

E agora olhemos para nós, para aquilo de que falamos e para aquilo que possuímos. Quando falamos, queremos sempre que se digam coisas boas sobre nós, e muitas vezes só falamos de nós mesmos e do que fazemos. Quantas vezes! “Fiz isto, aquilo…”, “Tinha este problema…”.  Fala-se sempre assim. Quanta diferença do Espírito Santo, que fala anunciando os outros, e o Pai anuncia o Filho! E, sobre o que possuímos, como somos invejosos, e como é difícil para nós partilhá-lo com outros, inclusive com aqueles que não têm o necessário! Com palavras é fácil, mas na prática é muito difícil.

É por isso que celebrar a Santíssima Trindade não é tanto um exercício teológico, mas uma revolução no nosso modo de viver. Deus, no qual cada Pessoa vive para a outra em relação contínua, não para si mesmo, provoca-nos a viver com os outros e para os outros. Abertos. Hoje podemos perguntar-nos se a nossa vida reflete o Deus no qual acreditamos: eu, que professo fé em Deus Pai e Filho e Espírito Santo, acredito realmente que para viver preciso dos outros, preciso de me entregar aos outros, preciso de servir os outros? Afirmo isto com palavras ou afirmo-o com a minha vida?

O Deus trino e único, queridos irmãos e irmãs, deve ser mostrado assim, com atos antes das palavras. Deus, que é o autor da vida, é transmitido menos através dos livros e mais através do testemunho da vida. Aquele que, como escreve o evangelista João, «é amor» (1 Jo 4, 16), revela-se através do amor. Pensemos nas pessoas boas, generosas e mansas que conhecemos: recordando a sua maneira de pensar e de agir, podemos ter um pequeno reflexo de Deus-Amor. E o que significa amar? Não só querer o bem e fazer o bem, mas antes de mais, pela raiz, acolher, estar aberto aos outros, dar espaço aos outros. Isto significa amar, pela raiz.

Para melhor o compreender, pensemos nos nomes das Pessoas divinas, que pronunciamos cada vez que fazemos o sinal da cruz: em cada nome há a presença do outro. O Pai, por exemplo, não o seria sem o Filho; do mesmo modo o Filho não pode ser pensado sozinho, mas sempre como Filho do Pai. E o Espírito Santo, por sua vez, é o Espírito do Pai e do Filho. Em suma, a Trindade ensina-nos que um nunca pode ficar sem o outro. Não somos ilhas, estamos no mundo para viver à imagem de Deus: abertos, necessitados de outros e necessitados de ajudar os outros. Então, coloquemo-nos esta última pergunta: na vida quotidiana, também eu sou um reflexo da Trindade? O sinal da cruz que faço todos os dias – Pai, Filho e Espírito Santo – aquele sinal da cruz que fazemos todos os dias, permanece simplesmente um gesto, ou inspira a minha maneira de falar, de encontrar, de responder, de julgar, de perdoar?

Que Nossa Senhora, filha do Pai, mãe do Filho e esposa do Espírito, nos ajude a acolher e testemunhar na vida o mistério de Deus-Amor.

Copyright © Dicastero per la Comunicazione – Libreria Editrice Vaticana 

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A Santíssima Trindade no Catecismo da Igreja Católica

261. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus pode dar-nos o seu conhecimento, revelando-Se como Pai, Filho e Espírito Santo.

262. A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer que n’Ele e com Ele é o mesmo e único Deus.

263. A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho (84) e pelo Filho «de junto do Pai» (Jo 15, 26), revela que Ele é, com Eles, o mesmo e único Deus. «Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado» (85).

264. «O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira; e, pelo dom eterno do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão» (86).

265. Pela graça do Baptismo «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», (Mt 28, 19), somos chamados a participar na vida da Trindade bem-aventurada; para já, na obscuridade da fé, e depois da morte na luz eterna (87).

266. «Fides autem catholica haec est, ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur, neque confundentes personas, neque substantiam sepa-raptes; alia enim est persona Patris, alia Filii, alia Spiritus Sancti: sed Patris et Filii et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coaeterna majestas (88) – A fé católica é esta: venerarmos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as Pessoas nem dividir a substância: porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas do Pai e do Filho e do Espírito Santo é só uma a divindade, igual a glória e coeterna a majestade».

267. Inseparáveis no que são, as pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, na operação divina única, cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo.

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A aparição de Iahweh no Carvalho de Mambré a Abraão

= Livro do Gênesis, 18, 1-15 – Bíblia de Jerusalém = 

18 A aparição de Mambré — 1 Iahweh lhe apareceu no Carvalho de Mambré, quando ele estava sentado na entrada da tenda, no maior calor do dia. 2 Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra. 3 E disse: “Meu senhor, eu te peço, se encontrei graça a teus olhos, não passes junto de teu servo sem te deteres. 4 Traga-se um pouco de água e vos lavareis os pés, e vos estendereis sob a árvore. 5 Trarei um pedaço de pão, e vos reconfortareis o coração antes de irdes mais longe; foi para isso que passastes junto de vosso servo!” Eles responderam: “Faze, pois, como disseste”. 6 Abraão apressou-se para a tenda, junto a Sara, e disse: “Toma depressa três medidas de farinha, de flor de farinha, amassa-as e faze pães cozidos.” 7 Depois correu Abraão ao rebanho e tomou um vitelo tenro e bom; deu-o ao servo que se apressou em prepará-lo. 8 Tomou também coalhada, leite e o vitelo que preparara e colocou tudo diante deles; permaneceu de pé, junto deles, sob a árvore, e eles comeram. 9 Eles lhe perguntaram: “Onde está Sara, tua mulher?” Ele respondeu: “Está na tenda.” 10 O hóspede disse: “Voltarei a ti no próximo ano; então tua mulher Sara terá um filho”. Sara escutava, na entrada da tenda, atrás dele. 11 Ora Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara deixara de ter o que têm as mulheres. 12 Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo: “Agora que estou velha e velho também está o meu senhor, terei ainda prazer?” 13 Mas Iahweh disse a Abraão: “Por que se ri Sara, dizendo: ‘Será verdade que vou dar à luz, agora que sou velha?’ 14 Acaso existe algo de tão maravilhoso para Iahweh? Na mesma estação, no próximo ano, voltarei a ti, e Sara terá um filho.” 15 Sara desmentiu: “Eu não ri”. disse ela, porque tinha medo; mas ele replicou: “Sim, tu riste.” 

 

Nota ‘a’ da Bíblia de Jerusalém ao Capítulo 18 do Gênesis acima:  “Nesses três homens, aos quais Abraão se dirige no singular, muitos Padres viram o anúncio do misrério da Trindade, cuja revelacão é reservada ao Novo Testamento.”

 

O Ícone da Santíssima Trindade

Fonte original em inglês: wikipedia

Descrição

A Trindade foi pintada em uma tábua verticalmente alinhada. Ele mostra três anjos sentados em uma mesa. Na mesa, há um copo contendo a cabeça de um bezerro. Ao fundo, Rublev pintou uma casa (supostamente a casa de Abraão), uma árvore (o Carvalho de Mambre) e uma montanha (Monte Moriah). As figuras dos anjos são organizadas para que as linhas de seus corpos formem um círculo completo. O anjo do meio e o da esquerda abençoam o copo com um gesto de mão Não há ação ou movimento na pintura. As figuras olham para a eternidade no estado de contemplação imóvel. Há traços selados de pregos da riza (tampa protetora de metal) do ícone nas margens, halos e ao redor do copo.

Iconografia

O ícone é baseado em uma história do Livro de Gênesis chamado Hospitalidade de Abraão e Sarah ou A Hospitalidade de Abraão (Gen. 18). Diz que o patriarca bíblico Abraão “estava sentado na porta de sua tenda no calor do dia” pelo Carvalho de Mambré e viu três homens em pé na sua frente, que no capítulo seguinte foram revelados como anjos. Quando os viu, Abraão correu da porta da tenda para encontrá-los e inclinou-se para a terra. Abraão ordenou a um servo-menino que preparasse um bezerro de escolha, e colocou coalhada, leite e o bezerro diante deles, esperando por eles, debaixo de uma árvore, enquanto comiam (Gênesis 18:1-8). Um dos anjos disse a Abraão que Sarah logo daria à luz um filho.

O tema da Trindade recebeu várias interpretações em diferentes períodos de tempo, mas no século XIX-XX o consenso entre os estudiosos foi o seguinte: os três anjos que visitaram Abraão representavam a Trindade Cristã, “um Deus em três pessoas” – o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. Os críticos de arte acreditam que o ícone de Andrei Rublev foi criado de acordo com este conceito. Em seu esforço para descobrir a doutrina da Trindade, Rublev abandonou a maioria dos elementos tradicionais da trama que eram tipicamente incluídos nas pinturas da história da Hospitalidade de Abraão e Sarah. Ele não pintou Abraão, Sarah, a cena do abate de bezerros, nem deu detalhes sobre a refeição. Os anjos eram descritos como falando, não comendo. “Os gestos dos anjos, suaves e contidos, demonstram a natureza sublime de sua conversa”. A comunhão silenciosa dos três anjos é o centro da composição.

No ícone de Rublev, a forma que mais claramente representa a ideia da consubstancialidade das três hipóteses da Trindade é um círculo. É a base da composição. Ao mesmo tempo, os anjos não são inseridos no círculo, mas criam-no em vez disso, assim nossos olhos não podem parar em nenhuma das três figuras e preferem habitar dentro deste espaço limitado. O centro impactante da composição é o copo com a cabeça da panturrilha. Ele sugere o sacrifício da crucificação e serve como um lembrete da Eucaristia (as figuras dos anjos esquerdo e direito fazem uma silhueta que se assemelha a um copo). Ao redor da taça, que é colocada sobre a mesa, o diálogo silencioso dos gestos ocorre.

O anjo da esquerda simboliza Deus, o Pai. Ele abençoa o copo, mas sua mão é pintada à distância, como se passasse a taça para o anjo central. Viktor Lazarev sugere que o anjo central represente Jesus Cristo, que por sua vez abençoa a taça também e a aceita com um arco como se dissesse “Meu Pai, se for possível, que este copo seja tirado de mim. Mas não como eu vou, mas como você vai”. (Mt 26:39) A natureza de cada uma das três hipóteses é revelada através de seus atributos simbólicos, ou seja, a casa, a árvore e a montanha. O ponto de partida da administração divina é a vontade criativa de Deus, portanto Rublev coloca a casa de Abraão acima da cabeça do anjo correspondente. O Carvalho de Mambre pode ser interpretado como a árvore da vida e serve como um lembrete da morte de Jesus na cruz e sua subsequente ressurreição, que abriu o caminho para a vida eterna. O Carvalho está localizado no centro, acima do anjo que simboliza Jesus. Finalmente, a montanha é um símbolo da ascensão espiritual, que a humanidade realiza com a ajuda do Espírito Santo. A unidade das três hipóstases da Trindade expressa unidade e amor entre todas as coisas: “Que todas elas possam ser uma, assim como você, pai, estão em mim, e eu em você, que eles também podem estar em nós, para que o mundo possa acreditar que você me enviou.” (João 17:21)

As asas de dois anjos, o Pai e o Filho. A cor azul do manto do Filho simboliza a divindade, a cor marrom representa a terra, sua humanidade, e o ouro fala da realeza de Deus. As asas do Espírito Santo não tocam as asas do Filho, elas são imperceptívels divididas pela lança do Filho. A cor azul do manto do Espírito Santo simboliza a divindade, a cor verde representa uma nova vida. As poses e as inclinações do Espírito Santo e das cabeças do Filho demonstram sua submissão ao Pai, mas sua colocação nos tronos no mesmo nível simboliza a igualdade.

 

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