Pe. Agustín – Comentário a Homilia do Papa Francisco na Missa de Nossa Senhora de Guadalupe de 12.12.2019

Comentário a Homilia do Papa na Missa de Nossa Senhora de Guadalupe

Escrito por Padre Agustín Giménez González

 Do FMD:  Foro Mariano Diocesano

Fonte do artigo: https://www.foromariano.es/atccg/el-jardin-de-la-virgen/item/106-comentario-a-la-homilia-del-papa-en-la-misa-de-ntra-senora-de-guadalupe

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Produziu-se certo alvoroço após a homilia pronunciada pelo Papa Francisco na Missa de nossa Senhora de Guadalupe (Basílica de São Pedro, 12/12/2019), devido a duas afirmações: uma, referente à corredenção de Maria, ao inicio, e a outra, ao final, sobre a petição genérica de proclamar novos dogmas.

O primeiro que se deve assinalar, é o gênero literário: uma homilia não escrita; mas dita por palavras, sem papéis. Com o que, sim, são palavras do Papa, que saem de seu coração, preparadas e pensadas, mas não aquilatadas pela precisão de um texto que se escreve e se publica.

 

Em seguida pode ver-se o vídeo da homilia, para sopesar melhor as palavras do Papa: 

 

Fonte do Vídeo: Vaticano

O segundo, muito mais importante, é não cair em manchetes sensacionalistas que sejam imprecisas. Como por exemplo se lê em uma web: “A Virgem Maria não é ‘corredentora’; e não há que ‘perder tempo’ com novos dogmas, disse na missa dedicada à Virgem de Guadalupe o Santo Padre, que qualificou de “tolice’ a ideia deste novo dogma.

Para ser exato com a verdade, sublinharemos o seguinte, primeiro em relação a “Maria Corredentora”:

1 – A intenção da homilia não é abordar a questão se Maria é corredentora, senão indicar que Ela é em primeiro lugar, “discípula” de Cristo, obediente em tudo a Ele, e que nunca procurou primeiros postos, nem rivalizar com Seu Filho, nem pretender os títulos de seu Filho.

Nesse contexto, é indicado que Maria não quis para si nada que fosse de seu Filho, o único Redentor: “Fiel ao seu Mestre, que é seu Filho, o único Redentor, jamais quis para si tomar algo de seu Filho. Jamais se apresentou como corredentora. Não. Discípula.”

2 – O Papa não disse que Maria não seja corredentora, senão que Ela não se apresenta a si mesma como tal. E é verdade.

Maria apresenta-se sempre como a humilde serva do Altíssimo. Tanto na anunciação do Anjo Gabriel (“Eis aqui a escrava do Senhor”) como na visitação a Isabel (“Deus olhou a humildade de sua serva”), onde tampouco oculta o grande desígnio divino sobre ela (“O Poderoso fez obras grandes por mim.”).

Certamente, o Papa Francisco sublinha que Ela é a discípula perfeita. E é nisto no que devemos imita-la. Pois é sua maior grandeza.

3 – Que Maria não se apresenta como corredentora não significa que não o seja. Maria tampouco se apresenta como Imaculada, nem como Assunta ao Céu, e inobstante o é. O Papa não entra na reflexão teológica de, se o título de Corredentora lhe corresponde ou não. Simplesmente exemplifica que durante sua vida nem pretendeu dito título, nem fez nada que fosse próprio de seu Filho.

4 – O termo Corredentora tem duas acepções: “a que redime com Cristo (implica dois redentores)” e “a que colabora com o Redentor”.

O Papa indiretamente alude à primeira acepção, que é a única que pretenderia para Maria algo de seu Filho: ser redentora como Ele.

Esta acepção, imprópria de Maria, por rivalizar com Jesus, é a que rejeitamos também neste Foro, e em geral, na mariologia moderna.

Estamos portanto, em perfeita comunhão com o Santo Padre, neste ponto. Pois entendemos corredenção como colaboração imprescindível e única à redenção. Isto não toma nada de seu Filho Redentor, que é o que critica o Papa. Do mesmo modo que celebrar a Festa de Maria Rainha, não tira nada de seu Filho, como Rei do universo.

5 – O Papa menciona na homilia os títulos que recebe a Virgem, como algo próprio que fazem seus filhos.

Disse que são expressão de amor filial dos cristãos para a Virgem, sua Mãe e Senhora: “sempre procuraram louva-la com novos títulos: eram títulos filiais; títulos do amor do povo de Deus. Mas que não tocavam em nada esse ser mulher-discípula”. De fato, são títulos que não eliminam a condição de discípula, como tampouco o faz o título de corredentora em sua segunda acepção.

6 – Após os títulos, menciona o título de Corredentora, precisamente como exemplo de um desses títulos que por amor filial se lhe atribui… Mas não critica o fato de que se lhe atribuam! Ninguém deixará de rezar as ladainhas do rosário por escutar esta homilia! O Papa simplesmente sublinha que acima de todos os títulos destaca o primeiro que Maria quis para si, o de discípula.

7 – Por outra parte, quiçá o Papa não se sinta muito atraído pelo título de “corredentora” … Mas sim pelo de “Mãe”, que é o que desenvolve depois de falar de Maria discípula:  Maria é Mãe nossa. É Mãe de nossos povos. É Mãe de todos nós. É Mãe da Igreja. as é figura da Igreja também.

E é Mãe de nosso coração, de nossa alma.” Isto que afirma o Papa é exatamente uma das conclusões que vamos obtendo em nosso foro: que o título fundamental de Maria, quando pensamos em sua colaboração à salvação, é o de Màe da humanidade dos cristãos.

Os demais títulos que possam estar relacionados com a redenção/salvação (corredentora, advogada, mediadora, auxiliadora, consoladora, defensora, protetora…) são secundários e dependentes deste.

Por isso o Papa, como é próprio de uma homilia, fica com o essencial: “Maria mulher. Maria mãe. Sem outro título essencial. Os outros títulos – pensemos nas ladainhas Lauretanas – são títulos que de filhos enamorados que cantam à Mãe. Mas não tocam a essencialidade do ser de Maria: mulher e mãe.

Passemos agora, a refletir sobre a segunda afirmação: a de “declarar dogmas.”

O primeiro que convém notar, é que não o diz, ao falar do título de “corredentora”. Pelo que não estão necessariamente relacionados, tal como pretendem algumas manchetes.

O Papa faz a menção ao final da homilia, ao sublinhar o terceiro aspecto que ele vê na Virgem de Guadalupe: sua mestiçagem: “Mestiçou-se para ser Mãe de todos; mestiçou-se com a humanidade. Por que? Porque ela mestiçou Deus.” [Nota do Tradutor; “mestiçar = cruzar uma raça com outra, procriando mestiços]

E esse é o grande mistério: Maria Mãe, mestiça a Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, em seu Filho.”

É então, depois de mencionar a maternidade de Maria, o momento em que diz: “quando nos venham com histórias de que havia que declara-la isto, ou fazer este outro dogma, ou isto, não nos percamos em tolices: ”Maria é mulher. É Nossa Senhora. Maria é Mãe de Seu Filho e da Santa Mãe Igreja hierárquica.”

Fixemo-nos no seguinte:

  • Ao quê está chamando o Papa de “perder-se em tolices”?
  • Podemos pensar que se refere ao fato de pretender a proclamação de novos dogmas… Mas quiçá também se refira ao conteúdo do que se pretenda proclamar.
  • “Tolices” parece ter aqui o sentido de “coisas secundárias; que não vão ao centro do que devemos viver.”
  • O Papa não está proibindo que se peçam novos dogmas. Senão que o dá como um fato que acontece ou que vá a acontecer… Mas o que se diz claramente é que nada nos descentre do essencial, do que é Maria acima de tudo.
  • E aí volta a mencionar a centralidade de sua maternidade divina e de toda a humanidade, o núcleo gordiano da verdade, que queremos aprofundar neste Foro e do chamado Quinto Dogma Mariano.
  • Este, ao longo do século XX foi se focalizando precisamente na maternidade de Maria; deixando em um lugar subordinado os títulos de Mediadora e Corredentora, que no passado ocuparam o lugar teológico central.
  • Com respeito a postura pessoal do Papa Francisco e da proclamação do Quinto Dogma Mariano, certamente dá a impressão que não tem uma especial disposição em proclamá-lo.
  • Mas isto não deve surpreender a ninguém. Pois é o normal. Se o Papa considerasse que se deve proclamar, já o havia feito. E se não o fez, é porque não o vê. Daí, que haja pessoas que, crendo que o dogma é um bem para a Igreja e a humanidade, lhe peça que o proclama e lhe dê suas razões e motivos.
  • Assim tem sido sempre na história dos dogmas: tardaram séculos em proclamar-se. Durante esses séculos, os Papas não o julgaram conveniente, até que o amadurecimento da reflexão teológica e da iluminação do Espirito Santo moveram o Papa correspondente a proclamar o dogma: Pio IX em 1954 (Imaculada Conceição_ e Pio XII em 1950 (Assunção).
  • Portanto, se se alguém, em consciência, cre que é um bem que o Papa proclama um Quinto Dogma, é dever moral que o faça saber.
  • Do mesmo modo que se o Papa, em consciência, vê que não é um bem para a Igreja, não deve proclamá-lo.
  • Frente o direito de pedir, está o direito de não conceder o que se pede. Mas ambos os direitos se mantêm. Assim, quem cre que deve pedir, que peça.

Proclamará o Papa Francisco um Quinto Dogma Mariano?

Provavelmente não. Mas graças a esta homilia, sabemos que se o fizer, não será por uma disposição pessoal favorável, senão por especial graça divina.

Alguma vez, se proclamará no futuro o Quinto Dogma por outro Papa? Só Deus o sabe!

A nós, toca seguir aprofundando na verdade de Maria e na salvação; conhece-la e ama-la mais; e oferecer uma reflexão profunda, baseada na Revelação, na Escritura, na Tradição, no Magistérios, nos Santos… E com respeito a pedir a proclamação dogmática, cada um obre conforme suas conclusões e consciência, procurando o maior bem e sempre em comunhão e obediência à Cátedra de Pedro.

Nada sem Maria!

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Texto da Homilia do Santo Padre o Papa Francisco

(Publicada pelo Vaticano – clicar no link acima para ler)

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NUESTRA SEÑORA DE GUADALUPE
SANTA MISA POR AMÉRICA LATINA

HOMILÍA DEL SANTO PADRE FRANCISCO

Basílica Vaticana
Jueves, 12 de diciembre de 2019

[Multimedia]


[ ES  – IT ]

La celebración de hoy, los textos bíblicos que hemos escuchado, y la imagen de Nuestra Señora de Guadalupe que nos recuerda el Nican mopohua, me sugieren tres adjetivos para ella: señora-mujer, madre y mestiza.

María es mujer. Es mujer, es señora, como dice el Nican mopohua. Mujer con el señorío de mujer. Se presenta como mujer, y se presenta con un mensaje de otro, es decir, es mujer, señora y discípula. A San Ignacio le gustaba llamarla Nuestra Señora. Y así es de sencillo, no pretende otra cosa: es mujer, discípula.

La piedad cristiana a lo largo de los tiempos siempre buscó alabarla con nuevos títulos: eran títulos filiales, títulos del amor del pueblo de Dios, pero que no tocaban en nada ese ser mujer-discípula.

San Bernardo nos decía que cuando hablamos de María nunca es suficiente la alabanza, los títulos de alabanza, pero no tocaban para nada ese humilde discipulado de ella. Discípula.

Fiel a su Maestro, que es su Hijo, el único Redentor, jamás quiso para sí tomar algo de su Hijo. Jamás se presentó como co-redentora. No, discípula.

Y algún Santo Padre dice por ahí que es más digno el discipulado que la maternidad. Cuestiones de teólogos, pero discípula. Nunca robó para sí nada de su Hijo, lo sirvió porque es madre, da la vida en la plenitud de los tiempos, como escuchamos a ese Hijo nacido de mujer.

María es Madre nuestra, es Madre de nuestros pueblos, es Madre de todos nosotros, es Madre de la Iglesia, pero es figura de la Iglesia también. Y es madre de nuestro corazón, de nuestra alma. Algún Santo Padre dice que lo que se dice de María se puede decir, a su manera, de la Iglesia, y a su manera, del alma nuestra. Porque la Iglesia es femenina y nuestra alma tiene esa capacidad de recibir de Dios la gracia, y en cierto sentido los Padres la veían como femenina. No podemos pensar la Iglesia sin este principio mariano que se extiende.

Cuando buscamos el papel de la mujer en la Iglesia, podemos ir por la vía de la funcionalidad, porque la mujer tiene funciones que cumplir en la Iglesia. Pero eso nos deja a mitad de camino.

La mujer en la Iglesia va más allá, con ese principio mariano, que “maternaliza” a la Iglesia, y la transforma en la Santa Madre Iglesia.

María mujer, María madre, sin otro título esencial. Los otros títulos —pensemos en las letanías lauretanas— son títulos de hijos enamorados que le cantan a la Madre, pero no tocan la esencialidad del ser de María: mujer y madre.

Y tercer adjetivo que yo le diría mirándola, se nos quiso mestiza, se mestizó. Pero no sólo con el Juan Dieguito, con el pueblo. Se mestizó para ser Madre de todos, se mestizó con la humanidad. ¿Por qué? Porque ella mestizó a Dios. Y ese es el gran misterio: María Madre mestiza a Dios, verdadero Dios y verdadero hombre, en su Hijo.

Cuando nos vengan con historias de que había que declararla esto, o hacer este otro dogma o esto, no nos perdamos en tonteras: María es mujer, es Nuestra Señora, María es Madre de su Hijo y de la Santa Madre Iglesia jerárquica y María es mestiza, mujer de nuestros pueblos, pero que mestizó a Dios.

Que nos hable como le habló a Juan Diego desde estos tres títulos: con ternura, con calidez femenina y con la cercanía del mestizaje. Que así sea.


© Copyright – Libreria Editrice Vaticana

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