M-Pe- Ottavio Michellini

Tomo 1 – Parte 1 – Confidências do Senhor Jesus Ao Sacerdote Italiano Ottavio Michellini

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Jesus aos Seus Sacerdotes e Fiéis

 

Confidências do Senhor Jesus

Ao Sacerdote Italiano Ottavio Michellini

 

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Obra: Jesus aos Seus Sacerdotes e Fiéis

Confidências do Senhor Jesus Ao Sacerdote Italiano Ottavio Michellini

Título original em Italiano:

“CONFIDENZE DI GESÙ A UN SACERDOTE”

Direitos da Associazione Mons. Ottavio Michelini, residente in Via Valenzano, 31 – 70010 Adelfia (Bari) – Apulia – Itália – tel.3498279140 – email: info@micheliniottavio.it

Volume 1 – Tu sai che io ti amo!

Volume 2 – Figlioli miei, coraggio!

Volume 3 – Liberaci dal maligno

Volume 4 – Non io, figlioli miei, ho voluto quest’ora

Volume 5 – La misura è colma il vaso trabocca l’umanità giustiziera di sè stessa

Volume 6 – L’umanità alla soglia della liberazione

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 Fonte do original em italiano:

 http://www.micheliniottavio.it/homepag2.htm

 https://devozioni.altervista.org/testi/opuscoli_vari/confidenze_di_gesu_ad_un_sacerdote.pdf

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Edição em Francês: “Confidences de Jésus à ses prêtres et à ses fidèles”

https://www.parvis.ch/fr/livres-et-brochures/confidences-de-jesus-ses-pretres-et-ses-fideles

© Février 1990 – 3ª Ed. avril 1996 Editions Du Parvis – Ch 1648 Hauteville – Suisse.

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Edição em Castellano:

“Confidencias de Jesús a un Sacerdote”

https://www.santisimavirgen.com.ar/michelini/consulta%20de%20mensajes.htm

Equador e Colômbia: 1ª Edição julho 1980 – 9ª Edição outubro 1992

Espanha: 1ª Edição janeiro 1998 – 2ª Edição junho 2000

 

Monsenhor Ottavio Michelini (nascimento: 14 de agosto de 1906 – falecimento: 15 de outubro de 1979) nasceu em Mirandola, na província de Modena, na região de Emília-Romana, situada no Norte da Itália.

Era um padre católico, mas também considerado um místico. Uma vez aposentado, dedicou-se a ser capelão em uma associação de pessoas com deficiência em Modena. Serviu na diocese de Carpi, onde, em 1967, obteve o título de Monsenhor como Capelão de Sua Santidade. Na década de 70, juntou-se ao Movimento Mariano de Sacerdotes quando o trabalho de Dom Stefano Gobbi ainda estava em sua infância.

Desde 1975, durante os últimos quatro anos de sua vida, recebeu as “Confidências” de Jesus, na forma de locuções internas, que ele escreveu sob ditado, e visões de Jesus e Nossa Senhora, até sua morte em 15 de outubro de 1979.

Quase um ano antes o Senhor expressou o significado destes escritos: “Por meio desta mensagem, Eu quis dar aos homens deste tempo a visão realista e verídica dos dois mundos que se enfrentam: o da Luz e o das trevas”. (23.XI.1978)

As mensagens foram mais tarde publicadas em uma série de seis volumes intitulados “Confidências de Jesus a um Padre“. Associazione Mons. Ottavio Michelini, residente in Via Valenzano, 31 – 70010 Adelfia (Bari) – Apulia – Itália

Dom Ottavio Michellini havia servido na diocese de Carpi e, já aposentado, servia como capelão de uma Associação de deficientes físicos de Modena, Itália.

Nas mensagens, Jesus, com palavras ardentes, denuncia a gravidade da situação espiritual e moral em que o mundo de hoje se encontra, a confusão e a rebelião dentro da Igreja destacam as deficiências da atenção pastoral atual, ele explica que muitos desses problemas são consequência direta da profunda crise de fé que permeia a Igreja hoje.

[Fonte pesquisada do texto acima no site “Tu Es Petrus”:

http://laparolasalva.blogspot.com/2017/07/don-michelini-ottavio-conferma-la.html ]

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Tomo 1 – Parte 1

“Tu Sabes Que Te Amo”

“Tu sai che io ti amo!”

(Original Italiano: http://www.micheliniottavio.it )

 

 

Por que é que Deus me escolheu?

Quem sou eu? Sou menos que um grão de poeira em face do Universo. Sou como uma gotinha de 
água invisível em face do Oceano. Sou menos que um verme que rasteja no lodo. Sou um pobre sacerdote, entre tantos outros, o menos culto, o menos sábio, o mais desprovido de tudo, um pobre sacerdote rico apenas de inúmeras misérias de toda a espécie.

Por que é que Deus me escolheu?

Para que se compreenda que não passo de um pobre instrumento nas suas mãos, para que se compreenda que eu não passo de uma miserável caneta gasta, sendo até a minha caligrafia o símbolo da minha pobreza e da minha nulidade incomensuráveis.

Por que é que Deus me escolheu?

Para confundir os soberbos, inchados de orgulho pelo seu saber, que encheram a Igreja de erros e de heresias, envenenando as almas. Sim, amesquinhamentos, erros e heresias a respeito de Deus, da Igreja, da Santíssima Virgem; Deus 
é infinitamente simples e quer-nos simples e humildes: “Em verdade vos digo: Se não vos tornardes simples como estas crianças não entrareis no Reino dos Céus”.

Esta breve introdução, considero-a útil, senão mesmo necessária, a fim de que se estabeleça entre mim, instrumento, e os leitores aos quais se destina este livro, imersos num desígnio de amor da Divina Providência, um contato espiritual que possa facilitar a realização da vontade de Deus.

Ottavio Michellini

 

Meu filho, não me contento com a adesão, pouco mais que formal, de muitos dos meus sacerdotes.

Filho, quero dos meus sacerdotes uma ativa participação na minha Redenção. Quero os meus sacerdotes comigo no Calvário. Muitos recusam-se a seguir-me na minha dolorosa subida. Os meus sacerdotes, quero-os orantes e operantes comigo na Eucaristia; alguns já não creem na minha presença nos altares; outros ignoram-me e esquecem-se de mim; outros – novos judas- traem-me. Quero os meus sacerdotes construtores do meu Reino nas almas, não devastadores do meu Reino!

Quero dos meus sacerdotes o amor, porque os amo infinitamente desde toda a eternidade. A alma do amor é o sofrimento: ama-se na medida em que se sofre. Hoje, porém, muitos fogem do sofrimento e, por consequência, do amor.

Filho, quero os meus sacerdotes instruídos, responsáveis e conscientes do seu papel no Corpo Místico. Quero-os vivos: vibrantes de graça, de fé, de amor e, consequentemente, de sofrimento! Quanto tempo perdido, quanto bem não feito, quantos obstáculos e entraves no meu Corpo Místico! Quanto desperdício de sobrenatural… porque muitos, muitos não têm como apoio senão um pouco de fé, de esperança e de amor!

Pobres dos meus sacerdotes, que caminham às apalpa delas na escuridão! Amo-os, quero a sua conversão, filho! Admiras-te então que, por causa deles, eu te peça que sofras um pouco e que rezes?

Quero-os conscientes

— Jesus, faz-me entender o que queres de nós, sacerdotes.

Já to disse: quero-vos conscientes da vossa vocação. Eu escolhi-vos com uma especial predileção e amor. Quero os meus sacerdotes conscientes da sua participação no meu Sacrifício, não simbólico mas real. Isso implica união e fusão do seu sofrimento e do meu. Não formalismo externo, mas a esplêndida e terrível realidade: a Santa Missa!

O sacerdote deve unir-se a mim na oferta de mim mesmo a meu Pai. Que missa é essa, a do sacerdote desprovido desta consciência e desta convicção? Pensa, meu filho, que dignidade, grandeza e poder dei aos meus sacerdotes! O poder de transubstanciar o pão e o vinho em mim mesmo: no meu Corpo, no meu Sangue, enfim, em mim próprio. Nas suas mãos, todos os dias se repete o prodígio da Encarnação.

Constituí-os depositários e distribuidores dos frutos divinos do mistério da Redenção. Conferi-lhes o divino poder de remitir ou de reter os pecados dos homens. Como ao meu pai putativo, constituí-os meus guardiões na Terra; mas, para muitos, que diferença entre o amor com que me guardava S. José e a sua negligência para comigo no Sacrário!

Filho, aos meus sacerdotes confiei o dever de anunciar a minha Palavra. De que maneira, porém, é exercido este importante dever do ministério sacerdotal? Testemunha-o a esterilidade que, de uma maneira geral, acompanha a pregação.

Aos meus sacerdotes confiei a tarefa de combater as forças obscuras do Inferno. Quem, porém, se preocupa em fazê-lo? Em expulsar os demónios? Para o fazer, é necessário tender para a santidade; também do mesmo modo, para curar os doentes, são necessárias orações e mortificações. Meu filho, os meus sacerdotes, quero-os santos, porque eles devem santificar. Não devem confiar, para o seu ministério, nos meios humanos, como muitos o fazem. Não devem confiar nas criaturas, mas no meu Coração Misericordioso e no Coração Imaculado de minha Mãe.

Os sacerdotes são meus verdadeiros ministros, mas, exceção de um pequeno número, eles não têm consciência desta dignidade. São os meus embaixadores, acreditados por mim junto dos homens, das famílias e dos povos.

Eles vão com o mundo

Os sacerdotes participam realmente do meu eterno Sacerdócio. O sacerdote é protagonista, no Corpo Místico, de grandes fatos e de acontecimentos sobrenaturais. Os sacerdotes devem ser hóstias que se dão e se imolam para a salvação dos seus irmãos. É grave pecado pensar salvar as almas com os seus próprios recursos humanos de inteligência e de atividade. Toda a atividade exterior do sacerdote desprovida de fé, de amor, de sofrimento e de oração, é nula e vã.

O Sacerdócio é um serviço. Aquele que serve diferencia-se daquele que é servido; não se identifica com as pessoas servidas. O sacerdote deve diferenciar-se das almas que lhe estão confiadas, como o pastor se diferencia do seu rebanho.

Se os sacerdotes vissem a grandeza da sua dignidade, o sublime e sobrenatural poder de que estão revestidos (como via São Francisco de Assis), teriam por si mesmos e pelos seus irmãos no Sacerdocio, um grande e devoto respeito.

Filho, infelizmente alguns buscam-se a si mesmos, esquecendo-se de mim. Muitos outros vão com o mundo, em bora sabendo que o mundo não é de Deus, mas de Satanás.

Alguns traem-me, outros destroem o meu Reino nas almas, semeando erros e heresias. Outros são áridos, por falta da seiva vital da alma: o amor, cuja verdadeira alma é o sofrimento. Tens, pois, de rezar e de te oferecer, com uma sensível correspondência aos meus convites à reparação, à penitência, à oração, para que todos os meus sacerdotes se convertam. Sim, que eles se convertam e que cada um tome o seu lugar no Corpo Místico: ad majorem Dei gloriam e para a salvação das almas.

Real renovação

À pergunta que pretendia saber o que é que ele queria dizer exatamente com: “Quero os meus sacerdotes orantes e operantes comigo na Eucaristia”, respondeu o seguinte:

O que é que fiz e faço no Sacrifício da Cruz e da Santa Missa? Como rezei ao Pai? “Pai, se é possível, passe de mim este cálice, mas não se cumpra a minha vontade, mas a tua”. Não esqueças (como muitos o esquecem) que o Sacrificio da Santa Missa é a renovação real do Sacrifício da Cruz.

No Sacrificio da Cruz, há a minha oração ao Pai, unida ao aniquilamento da minha vontade, aniquilamento total. Há a oferta total de mim mesmo com um ato de infinito amor e de infinito sofrimento; há a imolação de mim mesmo pelas almas. O sacerdote que se une e que eu quero unido a mim neste oferecimento, participa, mais que nunca, no meu sacerdócio. Nunca é tão sacerdote como quando faz isto comigo.

Desperdício de sobrenatural

Quantas Santas Missas privadas desta alma vital, desta união íntima e fecunda! O amor a Deus e o amor ao próximo, atesta-o o sacerdote no ato mais importante do seu dia quando, consciente mente, em união comigo, ele se aniquila a si mesmo no oferecimento eficaz da sua vontade ao Pai, aceitando imolar-se pelas almas, pelas quais eu incessantemente me imolo.

Em suma: o sacerdote deve, na Santa Missa, dar-se realmente comigo ao Pai, para ser dado pelo Pai às almas. É isto que deve preceder qualquer atividade do sacerdote; doutro modo, há desperdício de tempo e de sobrenatural. De outro modo, toma-se estéril, na raiz, cada uma das suas atividades.

Filho, se te fizesse ver como são celebradas muitas, muitas Santas Missas, ficarias aterrorizado, a ponto de morrer… Assim sendo, repito-te: quero os meus sacerdotes orantes e operantes como eu fui e sou; é apenas deste modo que eles se tomam instrumentos, para eles e para os seus irmãos, de uma verdadeira renovação espiritual. Quantas atividades inúteis, meu filho, porque privadas da sua alma natural!

 

— Eis, em síntese, o que ele me disse: “Propter peccata veniunt adversa”.

A humanidade pecou, na origem, em Adão e Eva; de pois, os homens continuaram a pecar. Era necessário pagar e expiar; mas a humanidade era impotente para expiar a sua dívida. O Verbo insere-se na humanidade com o mistério da Encarnação. Ele expia e satisfaz pela culpa e pelas culpas da humanidade. O seu triunfo constitui-se pelo mistério da Cruz: Cum exaltatus fuero a terra, omnia traham ad me ipsum”.

Ela salva, expia, satisfaz e resgata com um sofrimento infinito. O seu triunfo brotou dos insultos, dos escarros, da flagelação… Deste modo, glorifica o Pai e salva as almas; reconcilia a humanidade com a Divindade e triunfa sobre os seus inimigos visíveis, mas sobretudo sobre os inimigos invisíveis: Satanás e seus adeptos.

Do seu lado brotou o mistério da Igreja, seu Corpo Místico, de que ele é a Cabeça. É uma lei da natureza que o sofrimento de um órgão se reflita e se repercuta nos outros órgãos do corpo. Assim a Redenção, começada com a Encarnação e consumada sobre a Cruz, completa-se em todos os membros do Corpo Místico com o sofrimento, até ao fim dos tempos.

As nossas ações humanas não são nunca só pessoais: as suas consequências, boas ou más, não são nunca só pessoais, mas repercutem-se positiva ou negativamente em todo o Corpo Místico, de que cada um é membro. Por isso, o cristão nunca é tão cristão senão quando sofre, culpado ou inocente, grande ou pequeno; o seu sofrimento, como o de Cristo, toma-se património de todos, conservando ao mesmo tempo o seu valor pessoal.

Quanto mais o cristão, com o seu sofrimento, se aproxima de Cristo, tanto mais contribui para completar o mistério da Redenção na Igreja. Esta, como Cristo, do lado do qual ela brotou, triunfa na dor, na humilhação e na perseguição.

As Injustiças espirituais

A não aceitação do sofrimento é falta de amor a Deus, falta de justiça e de amor ao próximo e aos nossos irmãos mais necessitados da misericórdia divina. Deploram-se as injustiças sociais, e justamente, mas não se deploram absolutamente nada as injustiças espirituais cometidas em detrimento de tantas almas que se perdem pela recusa de sofrer, com ele, pela sua salvação.

Terrível falta de sensibilidade cristã que revela a tremenda crise de/é, e, com a fé, a crise da esperança e da caridade. A não aceitação do sofrimento manifesta a falta de justiça e de caridade em relação a Deus e em relação aos nossos irmãos: duas grandes virtudes que formam o sustentáculo de toda a vida cristã.

Os rebeldes ao sofrimento correm o grave risco de se auto eliminarem do Corpo Místico; correm o perigo de definhar como ramos secos e inúteis, até mesmo nocivos, bons somente para o fogo. Falta aos cristãos a visão do grande valor dos bens eternos, para os quais foram criados e resgatados.

A não aceitação do sofrimento é um gravíssimo mal da sociedade materialista, que, infelizmente, contaminou o clero, os religiosos e as religiosas. Por consequência, sufocou a verdadeira, autêntica vida cristã de fé, de esperança e de amor; cegou as almas, tomou insípido o sal e apagou muitas lâmpadas que deveriam irradiar luz e que já não a irradiam.

 

— Pedi ao Senhor que me fizesse conhecer a participação da Santíssima Virgem no mistério da Encarnação. Com grande bondade, respondeu-me assim:

A participação de minha Mãe na minha Encarnação é um mistério grande e sublime.

Enquanto ela me dava a vida corporal, e me alimentava e me fazia crescer, antes do nascimento, e depois do nascimento, eu dava-lhe numa medida cada vez maior, a minha vida divina (1).

[Nota 1: A graça santificante é participação na natureza de Deus, pela qual nos tomamos seus filhos, herdeiros do Paraíso e membros da Igreja. Maria é a cheia de graça, é a verdadeira Mãe de Deus, é a Mãe da Igreja, que ela alimenta e faz crescer como fez com Jesus. Por consequência, Maria sendo uma criatura infinitamente inferior a Deus, do qual é a mais humilde escrava, pela graça e pela maternidade divina, que a fizeram Rainha do Universo, participa na natureza de Deus ao nível mais profundo e sublime. “Fecit mihi magna qui potens est!”]

Por isso, eu sou como uma parte dela pela natureza humana, e ela é como uma parte de mim pela natureza divina. Natureza humana e natureza divina em mim e nela, fundem-se num modo único, particular e misterioso, de modo que tudo o que é meu é também seu, e tudo o que é seu também meu.

Daí é claro e evidente que a sua participação no mistério da minha Encarnação leva a uma comunhão perfeita, de modo que os pensamentos, os afetos, as alegrias e as dores brotam, por assim dizer, de uma única fonte. A sua participação no meu infinito sofrimento é misteriosamente tão intensa que não pode ser compreendida por mentes humanas. Pela mesma razão é incompreensível para as mentes humanas o seu amor por mim, Uno e Trino, e por todos os homens.

É igualmente incompreensível para as mentes humanas a grandeza de minha Mãe na provação e na dor, e a sua grandeza na glória. Ela vive em mim; eu vivo nela. É assim agora, foi assim, e será sempre assim.

 

— Qual é, Senhor, a participação de tua Mãe no mistério Eucarístico?

A mesma que no mistério da Encarnação. É de comunhão perfeita, vivendo ela de mim e eu dela. Ela, da minha natureza divina. Eu, da sua natureza humana. Disse que vivemos numa comunhão perfeita; onde eu estou, ela está também.

Filho, isto bastaria para tomar mais acessível às almas a grandeza de minha Mãe e vossa. Por seu intermédio, a minha inserção, de mim, Verbo Eterno de Deus, na natureza humana! Por seu intermédio, pôde-se realizar o mistério da Salvação.

É um mistério em pleno desenvolvimento. Por seu intermédio, Satanás foi vencido, e o homem de boa vontade, se quer, pode salvar-se. A comunhão, proveniente do mistério da Encarnação, continua no mistério Eucarístico e continuará na eternidade.

Eu viverei sempre da sua natureza humana e ela viverá sempre da minha natureza divina. Esta comunhão é um fato único, que não se pode repetir. Não tem equivalente na minha comunhão com as almas em estado de graça, ainda que esta última seja também uma coisa que humanamente não se pode descrever, pela sua beleza sobrenatural.

Mergulhados na escuridão

Da relação existente entre Deus, Uno e Trino, e minha Mãe, derivam fatos sublimes, únicos, que não se podem repetir:

• a sua maternidade inseparável da sua virgindade;

• a sua Imaculada Conceição;

• a sua isenção da corrupção da carne;

• a sua assunção e a sua realeza acima de todas as

potestades do Céu e da Terra;

• o seu poder sobre as próprias forças do Inferno que, no fim, vencerá definitivamente.

Os homens, na sua presunçosa suficiência, não veem a grandeza e o poder da minha Mãe, que é também sua Mãe. Não escutaram os seus apelos maternais. Os homens, se se dirigissem a ela, arrependidos, se lhe rezassem, poderiam evitar a avalanche que os ameaça e que já está em movimento.

Ébrios de prazeres e de bens materiais, vivem, pelo contrário, mergulhados na escuridão como se não existisse Deus e como se não existisse minha Mãe.

Os homens, e até muitos dos meus ministros, não compreenderam, porque não aprofundaram, o amor sem medida da sua Mãe do Céu. Se o tivessem compreendido e se lhe tivessem correspondido, quantos males seriam evitados aos indivíduos e aos povos; como teria sido serena para todos a peregrinação nesta Terra!

 

— Qual é a participação da Virgem Maria no mistério da Cruz?

A participação de minha Mãe no mistério da Cruz é um fato único na história do gênero humano e mesmo na história do Céu. A minha Mãe, é a única entre todas as mulheres que verdadeira Sacerdotisa. Bem instruída nas Sagradas Escrituras, superabundantemente iluminada pelo Espírito Santo, ela sabia bem, ao aceitar a divina maternidade, o que viria a ser dela.

De resto, o velho Simeão, sem meias-palavras, disse-lhe: E tu, ó mulher, terás o coração trespassado… etc.”

A minha Mãe conservou no seu Coração esta terrível profecia, para ela límpida e transparente, de modo que essa profecia foi como uma lâmina afiada que lhe trespassou o Coração por toda a vida. A minha Mãe foi verdadeira Sacerdotisa.

Não no sentido comum em que o são, de certo modo, os batizados e os confirmados, nem no sentido ministerial, mas de um modo diferente, e ainda mais profundo que os que receberam o sacramento da Ordem.

A minha Mãe foi e é verdadeira Sacerdotisa porquanto, no cimo do Calvário, ofereceu ao Pai a Vítima Pura e Santa, o Cordeiro de Deus, seu Filho, e com o Cordeiro, ofereceu-se a si mesma. Ela é também vítima pelos pecados. Presente, aquiescente, coparticipante, ela não sofreu a ação, mas- com o seu Divino Filho – ela foi verdadeira protagonista do drama da Redenção, que é o centro da história do gênero humano.

Nesta dupla oferta, que se renova em cada Missa, esta ação pela qual o sacerdote o é verdadeiramente. De fato, nunca o sacerdote é tão sacerdote como quando, comigo, ele me oferece e se oferece a si mesmo ao Pai. É por isso que a minha Mãe é Corredentora.

Para fazer esta oferta, a minha Mãe teve de se aniquilar inteiramente. A vítima destrói-se, a vítima consome-se. Ela teve de destruir o seu Coração de Mãe santa e pura, a mais santa de todas as mães. Ela teve de sacrificar e de imolar todos os seus sentimentos, teve e quis repetir o seu “fiat” e, como Jesus e com Jesus, disse: “Faça-se, ó Pai, a tua vontade, e não a minha”.

Só um amor indescritível, incompreensível, um amor sem medida, a tomou capaz de um tão grande prodígio. A minha Mãe, como Sacerdotisa, testemunhou a Deus e aos homens a maior prova de amor que consiste no sacrifício, não da própria vida, mas da vida daquele que mais se ama.

Terrível surpresa

Os homens sabem pouco e ainda por cima não refletem no pouco que sabem. Os homens e muitos dos meus ministros e almas consagradas, não consideram que o mistério da Cruz se renova.

Os sacerdotes não pensam que, a meu lado, que estou presente na hóstia consagrada, se encontra, como no Calvário, a minha Mãe, que, ao mesmo tempo que me oferece a mim, se oferece também a si mesma ao Pai. Pensa, filho, que terrível surpresa para muitos dos meus ministros descobrirem, um dia, que foram apenas materialmente, comigo e com minha Mãe e sua, protagonistas destes grandes mistérios. Reflete no número de frutos perdidos, no número das almas não santificadas por causa da cegueira culpável de muitos dos meus ministros. Reflete nos contínuos sacrilégios.

A minha Mãe está e continua a estar em perfeita comunhão comigo. Nela se cumpriram grandes coisas. Que exemplo, a minha Mãe, para todos os sacerdotes! Se os meus sacerdotes se inspirassem nesta comunhão perfeita existente entre mim e minha Mãe, lutariam quotidianamente pelo aniquilamento total do seu “eu”.

Oferecendo-se ao Pai comigo, seguindo-me na Cruz em lugar de seguirem o mundo, experimentariam que o meu jugo é doce e leve. Veriam a árvore da minha Igreja muito rica de frutos.

Filho, o mundo, como terrível avalanche, está a precipitar-se para a ruína. Quando a avalanche inicia a sua descida, raramente é notada; o seu movimento inicial é imperceptível, depois, a pouco e pouco, cresce e toma-se irresistível. Ora, a avalanche iniciou a sua marcha e os homens, cegos, não reparam no desastre ao encontro do qual vão. O alarme foi dado, quase inutilmente. Pouquíssimos o acolheram, muitíssimos o ignoraram.

O que mais, porém, entristece o meu Coração Misericordioso e o Coração Imaculado de minha Mãe e vossa, é o fato de demasiados sacerdotes terem ignorado os múltiplos apelos vindos do Céu. Terrível responsabilidade… Rezar, reparar, oferecer! Eis o que é urgente dizer. Eis o que é urgente fazer.

Filho, o sacerdote pertence-me, todas as criaturas me pertencem, todos os homens me pertencem, mas o sacerdote pertence-me de um modo diferente e particular.

Tu, meu filho,

• pertences-me por Criação,

• pertences-me por Redenção,

• pertences-me por Vocação,

• pertences-me por Reconquista.

Assim é, verdadeiramente.

Por conseguinte, tu és minha propriedade e, como minha propriedade, realizas o fim da Criação, o fim da Redenção, o fim da tua Vocação, apenas de um modo: conformando-te escrupulosamente com a minha vontade.

Foi por isso que te chamei: não foste tu que me escolheste, mas fui eu que te escolhi. Escolhi-te para fazer de ti um dos meus ministros, ou seja, para fazer de ti um outro Cristo. Não é uma maneira de fadar, mas sim uma grande realidade: “Sacerdos alter Christus”. Só os santos tiveram a justa visão da grandeza sacerdotal. Muitos dos meus ministros estão bem longe de viver esta realidade divina: eles não têm a luminosa visão do mistério de que fazem parte.

Os meus ministros deveriam ser responsavelmente conscientes da sua dignidade sacerdotal, adequando a esta, dia e noite, todas as aspirações, todas as energias, todas as fadigas e todos os sofrimentos.

Assim fizeram os sacerdotes santos; e todos os sacerdotes devem ser santos. Foi para isso que eu os escolhi, para se santificarem, e depois santificarem, para se darem inteiramente a mim, por que eles são meus, porque me pertencem a muitos títulos, e para que eu os possa dar, sem reserva, aos meus irmãos.

Que fazem muitos dos meus ministros, porém?

Eles tratam dos seus interesses (muitas vezes disfarçados, mas sempre os seus interesses), não dos meus, que são os das almas. Estão sedentos e famintos das coisas mundanas.

Eu disse que eles tratavam dos seus interesses: seria melhor defini-los como pseudo interesses; o seu verdadeiro interesse deve ser um só: Deus, a gloria de Deus, a salvação das almas; todo o resto carece de valor. É por isso que eles erram, desorientados, no nevoeiro e na escuridão, ao ponto de não se reconhecerem a si mesmos. Já não sabem quem são, nem sabem para onde vão; por isso, não penetram nas almas!

Não, não se salvam as almas nas praias, onde impera Satanás, rivalizando com os filhos das trevas na imoralidade, na impureza, no mal. Não se salvam as almas lendo toda a espécie de livros, envenenando, sujando o espírito e a alma. Não se salvam as almas repudiando a fé. Eles materializaram-se.

Horrível inversão

Como estão longe, estes meus ministros, do centro propulsor da graça que é o meu Coração Misericordioso! Como sofri por Judas, rebelde ao meu amor! Como sofri por Judas, e mais que pela traição feita a mim, pela ruína da sua alma. Que sofrimento por causa de muitos dos meus sacerdotes que traem o divino mandato, corrompendo-se a si mesmos e, com eles, a tantas almas!

Meu filho, um sacerdote nem se salva sozinho nem se perde sozinho. Trabalhando para a salvação de um sacerdote, trabalha-se para a salvação de muitas outras almas.

Que terrível, horrível inversão de uma esplêndida realidade divina:

• de alter Christus, a lobo devorador que despedaça o rebanho;

• de anjo de luz, a anjo das brevas;

• de ministro, embaixador de Deus, a traidor ao fim da Criação, da Redenção, da sua vocação.

“Não vos chamo servos, mas amigos”.

• de amigo de Deus, a colaborador de Satanás, arrancando as almas ao meu Coração Misericordioso.

Não é este o maior mal que um homem, um dos meus ministros, pode levar a cabo?

Necessidade essencial

Por que se chegou a este ponto?

Meu filho, à medida que se vão afastando da fonte da luz, avançam, primeiro, na sombra, na escuridão, depois; medida que se vão afastando da fonte de calor (amor), penetra na alma o- frio e depois o gelo, a insensibilidade para com qualquer apelo vindo de mim.

É necessário unir-se a mim, filho, sempre mais íntima e profundamente, como a minha Mãe esteve e está unida a mim na oferta. Por isso, não te deves admirar com o que te peço com insistência. Um ato de fé, um ato de esperança, um ato de amor e de abandono são para mim uma reparação dos sofrimentos, das injúrias e dos sacrilégios que continuamente se cometem.

Quero atrair para mim as almas, que amo, com a violência e o poder infinito do meu amor.

Quero unir e elevar a mim essas almas: eis porque lhes peço que se deem a mim inteiramente na execução da minha vontade, a exemplo de minha e vossa Mãe.

Quero que essas almas vivam, dia e noite, inclinadas para mim, numa união que se deve transformar numa comunhão perfeita.

Isto acontece quando o amor por mim é verdadeiro, grande, ardente. Então, inclinarem-se para mim com atos de fé e de esperança, de confiança e de oferta, tomar-se-á como uma segunda natureza, uma necessidade, uma necessidade essencial, como o é para o amante tender para o objeto amado. Então, tal como não se pode viver sem respirar, também não se pode viver sem respirar, também não se poderá viver sem mim.

Filho, é isto que peço: não te esqueças de que eu sou o Amor, o Amor eterno, incriado, que desde sempre estou inclinado para vós. Tenho o direito de ser amado por vós, porque sou o Amor, porque por amor vos criei, por amor vos resgatei, por amor vos escolhi e por amor vos reconquistei.

 

Filho, levanta-te, e de joelhos, escreve:

Dois fatos centram em si toda a história do gênero humano.

O primeiro, é a criação do homem e a sua recusa de Deus.

Esta recusa constitui uma terrível catástrofe, de uma gigantesca gravidade, cujas consequências destrutivas se perpetuarão pelos séculos até o fim dos tempos. Os homens, subornados pelas obscuras e misteriosas potestades do Inferno, materializados como estão, já não têm a percepção desta enorme tragédia que transtornou a natureza humana, ferindo-a mortalmente, debilitando-a e privando-a dos dons maravilhosos com os quais tinha sido criada.

Os homens já não têm conhecimento da enorme tragédia da qual eles são objeto e vítima, e pela qual são pessoal e socialmente arrastados.

Guerras e revoluções, epidemias, inundações e terremotos, cataclismos, dores, sofrimentos, têm aí a sua origem. As particulares e terrenas vicissitudes humanas, que são elas comparadas com esta tragédia pela qual a humanidade inteira estava eternamente perdida?

O outro acontecimento que se encontra igualmente no centro de toda a história do gênero humano, é dado pelo mistério da Encarnação, Morte e Ressurreição do Verbo.

Obra da Trindade Divina, desejada pela própria Trindade como resposta eficaz tendente a limitar e a circunscrever a ação devastadora de Satanás, e como contramedida para o resgate da humanidade e a sua libertação da tirania do Maligno.

Só Deus podia realizar uma tal obra de redenção. A monstruosidade desta geração perversa consiste em ignorar e querer ignorar o prodigioso mistério de salvação através do qual é, contudo, patente o amor infinito de Deus pela humanidade.

Poderia eu, meu filho, dar um testemunho maior para a salvação dos homens que o fornecido com a minha Encarnação, Morte e Ressurreição?

Poderia eu dar um testemunho maior da perpetuação do mistério da Cruz, mediante o Sacrifício da Santa Missa?

Poderá haver algum fato que se compare a este em toda a história dos povos da Terra?

Provas para acreditar? Eles não as procuram! Dei tantas! Milagres Eucarísticos? Quantos realizei nos tempos passados e nos tempos presentes!

Meu filho, eles não querem acreditar, eles têm medo de ter de acreditar!

Um conflito gigantesco

A recusa de Deus, que é Amor infinito, é um pecado de uma tal gravidade que todas as outras coisas e acontecimentos humanos não são nada, comparados com ele. A taça está cheia e transborda; só a minha paciência e longanimidade, as orações dos bons, a intercessão de minha Mãe e as virtudes dos santos suspenderam o curso da divina justiça.

Esta geração de materialistas não tem nenhuma ideia a respeito destes dois grandes fatos nos quais se centra e com pendia toda a história do gênero humano, ou, se as tem, essas ideias são obscuras e defasadas.

Os homens de hoje não sabem que se encontram no centro, como objeto e vítima, de um gigantesco conflito. Todos os homens são arrastados para este terrível choque entre a luz e as trevas, entre a vida e a morte eterna, entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro, entre a salva o e a danação. Esta geração perversa não se preocupa sequer em conhecer o que Deus Criador, o Verbo feito Came Salvador, o Espirito Santo Santificador, fazem para a livrar da ruina e da perdição eterna.

Eles ignoraram, e os homens materialistas continuam a ignorar todas as intervenções de minha Mãe e vossa Mãe. Ignoraram minhas intervenções; têm medo e vergonha de falar delas, até os meus ministros!

Os homens deste século perverso recusam as águas cristalinas e puras da verdade. Pelo contrário, gostam de se dessedentar nas águas putrefatas da corrupção, da sensualidade, dos prazeres, perdendo até a noção do bem e do mal, noção que eu inseri na natureza humana.

Meu filho, estou desgostado e enojado. Até quando se abusará da minha paciência?

Eis porque te peço atos de amor e de reparação; eis porque te peço que rezes. Não deixes passar uma hora do dia sem elevar a tua alma até mim, com atos de fé. de esperança e de amor, de arrependimento, de humildade e de reparação. Dar-me-ás assim um pouco de alegria; não a negues ao teu Jesus, um pouco dessa alegria!

Ama-me, meu filho! Eu te abençoo e, contigo, abençoo todas as pessoas que te são queridas, pelas quais tu rezas.

 

Meu filho, defines-te a ti mesmo como “uma gotinha de água turva a cair”. Não foste tu que te atribuíste esta definição, mas fui eu que ta sugeri, para que possas compreender melhor a realidade da vida. Diz-me: pode uma gotinha de água a cair inverter de repente o seu percurso para subir sozinha? Bem vês que não; contra a lei da natureza.

Diz-me, filho: pode uma alma, debilitada pelo pecado original e pelas suas faltas atuais, subir de repente, pelas suas simples forças, do baixo para onde tende, para cima? Nunca! Nunca, de modo algum!

S. Paulo já te informou a este respeito. Sem a minha ajuda não podes sequer dizer: “Jesus é o Filho de Deus”. Então, meu filho, “minha gotinha de água turva”, eu quero libertar-te de todas as escórias e tomar-te mais puro que um rubi. Só então te poderei absorver e tu poder-te-ás confundir em mim em místicas núpcias e formar comigo uma só coisa.

Eis porque te pedi que renunciasses aos jornais, às revistas. à televisão. Eis porque te pedi insistentemente, frequentes atos de amor e de renúncia, de arrependimento, de oferta. Eis porque insisto na fórmula: crer, esperar, amar, confiar, rezar, calar-se, aceitar, sofrer, oferecer, adorar. Assim, os dons maravilhosos que te dei, de fé, de esperança e de caridade, podê-los-ás concretizar dia após dia, hora após hora, operando a tua santificação.

A virtude de base

Meu filho, quando chamas a ti mesmo de “gota de água turva a cair”, dizes uma grande verdade, que se transforma em humildade; e tu sabes que a humildade é o fundamento de todas as outras virtudes. E a virtude de base que se opõe ao pecado de base que é o orgulho.

O Espirito Santo disse-o: “Superbia radix omnium malorum”. Nunca urna alma repleta de orgulho me poderá agradar. O aniquilamento do seu “eu” é a primeira coisa que de ve fazer aquele que seriamente deseja pôr mãos à obra com vista à sua própria santificação. Como estamos longe desta obra de progresso espiritual! Muitos males, mesmo na Igreja, nos meus ministros, nas almas consagradas e não consagradas encontram no orgulho a sua origem. Que cegueira! Eu te abençoo, meu filho. Ama-me. Procura-me, dia e noite, e encontrar-me-ás sempre, e bem sabes porquê.

 

Meu filho, escreve:

sacerdote mau: equivalente a demónio que leva as almas à perdição; deicida e homicida;

sacerdote tíbio: como um arbusto espinhoso numa terra árida e estéril;

sacerdote bom: equivalente a um pouco de bem;

sacerdote fervoroso: equivalente a uma chama que ilumina, aquece e purifica;

sacerdote santo: corresponde a muitas almas salvas e santificadas.

Filho, muitos sacerdotes agitam-se, afadigam-se, constroem materialmente. Se fossem gastas tantas energias para a construção do meu Reino nas almas, quanto bem… Ao contrário, como estes sacerdotes estão orgulhosos de suas obras! Na realidade, são como a figueira de que fala o Evangelho: folhas, folhas, e nem sequer um fruto.

Tu sabes que é absurdo pensar em santificar sem se santificar. Reflete em tudo o que eu fiz para que os meus apóstolos fossem santos, em tudo o que fiz e faço para que meus sacerdotes sejam santos. Uma migalha de verdadeira fé seria suficiente para evitar as terríveis consequências da estéril aridez da alma sacerdotal. A esterilidade é culpável por carência responsável de fé, de esperança e de caridade, ou seja, de vida divina.

Quero salvá-los

Viste muitas almas travadas, quase imóveis, estagnadas como a água dos pântanos, pela falta culpável de confesso res bons e experimentados. Viste a falta de progresso de muitas almas consagradas, pela falta culpável de santos e hábeis diretores espirituais.

Muitas dessas almas, se tivessem sido bem guiadas, teriam atingido altos cumes de perfeição. Que desolação, meu filho, que desolação! Essas almas não realizaram o fim supremo da sua vocação por causa da cega incapacidade daqueles aos quais elas foram e estão confiadas.

Por que é que eu falo quase exclusivamente dos males que afligem a minha Igreja? Porque o médico preocupa-se com a parte doente do corpo, não com a parte sã. E não sou eu o Divino Médico das almas?

Eu não vim para curar os sãos, mas os doentes; não vim para os justos, mas para os pecadores. E quem se encontra em maior necessidade que um sacerdote em crise de vida interior?

Eu quero salvá-los, estes sacerdotes. Amo-os infinita mente, quero a sua conversão. Disse conversão, porque de conversão se trata.

Filho, o que está em jogo é a sua alma, a salvação ou a perdição eterna da sua alma. Por conseguinte, reza, repara. É um dever de justiça e de caridade. Oferece-me os teus sofrimentos e ama-me. Abençoo-te.

 

Leste as palavras do Evangelho desta manhã ditas por mim a Pedro? “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão jamais contra ela”.

Nestas últimas palavras: “as portas do Inferno não prevalecerão” está claramente indicada a terrível e gigantesca luta, o choque contínuo, o enfrentamento inevitável entre as potências do bem e as obscuras e misteriosas potestades do mal.

Se, porém, já não se crê em mim, Verbo Eterno de Deus, com que coragem se ousa ainda pregar em meu Nome? Ou se aqueles que estão encarregados de modelar e de formar os meus futuros sacerdotes de amanhã, não acreditam ou duvidam fortemente, que se poderá pensar desse amanhã? Poderá uma má árvore produzir bons frutos?

Como repugna ao meu Coração Misericordioso a visão das ruínas espirituais levadas a cabo nos seminários, nos conventos, nas famílias religiosas! Como, pois, evitar a justa cólera de meu Pai? Ó, sim, meu filho, a avalanche está em marcha, a sua descida irresistível será terrível.

Num exército em guerra, se os oficiais em vez de vigiar e de fazer todo o possível para detectar os movimentos do inimigo, dormem e se distraem com divertimentos, a derrota inevitável.

Na minha Igreja a batalha ateia-se em todas as frentes, e os sentinelas não estão todos vigilantes. Aqueles que deve riam vigiar, dormiram demasiado tempo e dormem demasiado tempo; não se faz uso dos grandes poderes dados aos meus sacerdotes e, infelizmente, muitos encontram-se num tal torpor que fazem duvidar fortemente do seu despertar.

Satanás comporta-se como senhor

Não se crê, filho, na evidência, porque se vive superficialmente. Bastaria meditar, refletir um pouco sobre o que acontece na Igreja e no mundo para se chegar à lógica conclusão de que o que se passa no mundo não é o fruto de tabus”, mas sim do Príncipe das trevas e dos seus sequazes.

Não se fez caso das minhas múltiplas intervenções. Não se escutou, como se devia, os conselhos de minha Mãe nas suas numerosas intervenções para indicar aos cristãos e, em especial, aos sacerdotes, o meio de pôr um travão, com a oração e a mortificação, à ação homicida de Satanás e dos seus sequazes.

Os múltiplos apelos de meu Vigário não serviram para nada; pelo contrário, em seguida materializaram-se, falando hipocritamente de renovação. Não, filho; a única renovação possível é uma verdadeira, sincera conversão.

Satanás, com uma orgulhosa arrogância, comporta-se como senhor e muitos dos meus ministros, insensíveis, não se apercebem disso ou fingem que não se apercebem. Até quando? Porquanto tempo ainda? Reza, repara, oferece-me os teus sofrimentos, ama-me, filho.

Tu estás no meu Coração Misericordioso. Tu, “a gotinha de água”, tu serás absorvido no oceano infinito do amor de meu Coração, dilacerado para a salvação de todos.

Abençoo-te.

 

Disse-te que todas as coisas me pertencem: o mundo visível e invisível. Tudo e todos me pertencem, tudo foi feito por meu intermédio, e nada do que existe foi feito sem mim. De uma maneira muito especial, porém, como já to manifestei, os meus sacerdotes pertencem-me.

Os sacerdotes são os meus corredentores; investidos de poderes misteriosos e sobrenaturais, devem ter comigo relações de grande intimidade. Não vos chamo servos mas amigos, mas rela amigos.

Meu filho, são poucos os sacerdotes que compreenderam o alcance deste dom, da minha real amizade. São poucos, por isso, os sacerdotes responsavelmente conscientes da necessária e insubstituível solidariedade de fé e de amor que deve existir entre mim, Senhor e Salvador, e eles, meus amigos e corredentores. São poucos os que compreenderam que entre mim e eles deve existir um intercâmbio recíproco de forças e de energias. Dou-me inteiramente a eles, e eles deveriam dar-se exclusivamente a mim.

Se falta este intercâmbio absolutamente essencial e insubstituível, tem-se a morte espiritual dos meus ministros; e morte significa putrefação que contamina e perde as almas.

Muitos não parecem dar-se conta das consequências que daí derivam. Interrompida a seiva vital, o meu ministro, de meu amigo e corredentor, passa a aliado de Satanás, transforma-se num demônio, e realiza ações do demônio.

A insensibilidade de muitos dos meus ministros perante o escândalo da recusa de Deus, perante o escândalo da apostasia generalizada, a passividade com que assistem à perdição de tantas almas, são verdadeiramente uma ferida dilacerante para o meu Coração Misericordioso.

Tu dir-me-ás que muitos se movem. Eles agitam-se, mas não se movem na direção certa! Ao menos se eles sentissem a necessidade de me pedir a sua conversão, que eu não recuso a nenhum dos que a pedem com um sentimento de fé viva e de sincera humildade!…

Eles não me amam

É bem verdade que não faltam santos sacerdotes, mas são poucos. Faltam bons confessores e diretores espirituais. Meu filho, se eu pudesse fazer-te compreender a fundo a quantidade de almas que mal vivem, que vegetam como plantas doentes! Elas murcham por falta de uma esclarecida direção espiritual. Mesmo nos conventos, entre as almas consagradas, falta uma válida direção espiritual.

Há almas que, se tivessem sido bem dirigidas, teriam atingido os mais altos níveis de santidade. “Qui non diligit, manet in morte”.

Muitos dos meus sacerdotes estão na morte porque não me amam, porque não quiseram conhecer-me. S. João diz: “Ele veio a este mundo, mas os seus não o acolheram”. Que os meus amigos de predileção não me acolham no seu coração, porém, isso, meu filho, é um pecado enorme.

Que ao amor se responda com a frieza e a injustiça, isso é uma grande ferida que, sem cessar, se provoca no meu Coração Misericordioso.

Eu fui expulso quando estava ainda no seio materno.

Continuo a ser expulso pelos meus ministros, escolhidos com um amor infinito. Coloquei os meus sacerdotes, em dignidade e poder, acima das tropas angélicas. Confiei-me ao seu livre arbítrio. Concedi-lhes o poder divino de remitir os pecados, de transubstanciar o pão e o vinho no meu Corpo, no meu Sangue, Alma e Divindade!

Quem poderia supor que o meu amor chegasse a esse ponto?

Meu filho, ama-me muito de modo a reparar uma tão monstruosa ingratidão; dá-me toda a tua pessoa, com o que tens, com o que ésP Faz reparação, filho, faz reparação, por causa dos inúmeros judas que quotidianamente me traem.

Aceita sofrer

Os meus ministros erram na escuridão, ignorando, por culpa sua, aquilo ao encontro de que vão. Não acolheram, com uma consciente responsabilidade, as numerosas intervenções de minha Mãe. Com clareza, sem equívocos, deveriam informar os fiéis acerca delas. Em vez disso!… A presunção, o orgulho, o respeito humano, a incredulidade cegaram-nos.

Que hemorragia de almas consagradas! Quantos judas surgirão ainda? Quanto sangue, quanto sangue será derramado!

Quanto tempo eles tiveram, a quantos acontecimentos assistiram! A revolução espanhola, a perseguição nos países onde governa o comunismo, não serviram para nada, ou quase nada. A crise de fé materializou-os a tal ponto que muitos perderam até o sentido cristão da vida. Como é que estes meus sacerdotes, que apesar de tudo quero salvar, podem treinar as almas contra Satanás, se eles próprios se tomaram joguetes de Satanás?…

Eles ignoraram os repetidos apelos de meu Vigário na Terra. Eles não amam o meu Vigário, e como poderiam eles educar as almas no amor ao meu Vigário, no amor a mim?

Filho, que desolação! Reza, repara, aceita sofrer pela salvação destes ministros. Abençoo-te, meu filho, ama-me.

 

Meu filho, repito-te pela segunda vez: Procura convencer-te e não duvides. Quando rezas, quando escreves o que te digo, Satanás faz tudo não só para te distrair e desviar da tua ação, mas também para te impacientar e, se consegue, para fazer-te cair no orgulho (…)

Satanás pecou por orgulho: ele está no orgulho e nele permanecerá eternamente. E necessário combatê-lo com a virtude oposta: a humildade.

Se tu, esta tarde, em vez de te impacientares, tivesses concretizado, com um ato de humildade, o “calar-se, aceitar, sofrer e oferecer”, terias vencido Satanás com a mortificação do teu “eu”. O “eu” é orgulho, e Satanás, zangado e humilhado, de pois de algum tempo abandonaria a sua presa. Neste caso, a presa eras tu, porque ele visava a ti, servindo-se de X.

Disse “humildade”, porque nada o mortifica tanto como um ato de humildade. A afronta de ser vencido por um homem inferior a ele por natureza, exaspera-o e fere-o. Como se enganam grosseiramente os que (materializados e, portanto, cegos em nome da sua personalidade, ou seja, do seu “eu”, fossa de orgulho, de vaidade e de presunção) favorecem e fazem crescer essas paixões, secundando Satanás na sua ação de demolição e de devastação da alma!

O Príncipe da mentira faz passar por força o que, na realidade, não passa de fraqueza, e por fraqueza o que é fora; deste modo, muitas almas são arrastadas para a sua própria ruína.

Tu, filho, pode bem pôr o dedo na tua moleza e ver a loucura dos que tão facilmente se deixam apanhar na armadilha. E, no entanto, não faltaram os meus avisos, não faltaram os meus exemplos e os de minha Mãe e vossa Mãe, os exemplos dos santos.

A virtude de base

Não vos disse já: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de Coração”? Custa mais e exige mais força mortificar o seu “eu” que concretizar qualquer outro empreendimento. Satanás pecou por orgulho; por orgulho induziu o homem a pecar. A vitória do homem consiste em bater Satanás com a arma poderosa e eficaz da humildade.

A humildade é a virtude de base, fundamental; sem ela, não há progresso espiritual; sem ela, é impossível a edifica o do Reino de Deus nas almas. Pensa, medita, reflete na grandeza desta virtude. Satanás teme os humildes porque, pelos humildes, ele é sempre vencido.

Meu filho, o teu Jesus, oceano infinito de amor, está se dento de amor, mas os homens, embrutecidos pela matéria na qual estão mergulhados, são doravante incapazes de me ver e de me compreender, a ainda menos de me amar. Ama-me, tu, filho, ama-me pelos numerosíssimos cristãos que não me amam, por tantos e tantos sacerdotes que não me amam, profissionais materializados dos valores da minha Redenção. Abençoo-te.

 

Meu filho, eu sou o Amor que, por natureza, tende para a união. Satanás é ódio, o ódio nascido do orgulho e que leva à divisão. Do amor provém a humildade, da rebelião de Lúcifer nasce o ódio!

A humanidade, desde a sua queda, conhece o amor de Deus que se derrama sobre ela; conhece igualmente o ódio de Satanás. Caim foi o primeiro a ser intoxicado por este ódio, foi a primeira vítima. O ódio é vomitado como uma fonte turva, sem descanso; ai dos homens que não sabem defender-se dela!

Deus salva os homens de boa vontade com o amor. Satanás perde-os com o ódio e a divisão. Deus transforma o homem; de selvagem toma-o humano, de humano, toma-o cristão, quer dizer, filho de Deus, elevando-o à sua natureza divina. “Consortes divinae naturae”?

Também Lúcifer procura transformar o homem em demônio de orgulho, de ódio e de rebelião.

Os preciosos frutos do amor de Deus são a fé, a esperança e a caridade. Deles derivam: o respeito pela liberdade pessoal e social, o respeito pela justiça, que une os homens como irmãos e toma a peregrinação terrena mais serena e mais desejável.

Do orgulho, do ódio e da divisão nascem as injustiças pessoais e sociais; a escravidão, a exploração e opressão que exasperam as almas dos indivíduos e dos povos até o desespero.

Os frutos da fé, da esperança e do amor são a paz nas consciências, nas famílias, a paz entre os povos. São os justos, os santos, os bons que tomam os homens civilizados e contribuem para o florescimento da verdadeira arte, da arte boa, que não perverte, mas ajuda o homem na sua subida para a conquista do bem, do verdadeiro, do belo.

Os frutos do orgulho, do ódio, da divisão, são as violências, as guerras, a degradação da natureza humana, as corrupções em todos os setores, a perversão da arte em pornografia e sensualidade.

Na mais espessa escuridão

Tudo isto, meu filho, é manifesto e claro. As experiências próximas e longínquas são disso uma confirmação, mas os homens esquecem facilmente. É como se tivesse descido sobre a humanidade uma cortina de denso nevoeiro, que faz com que ela ande às apalpadelas na mais espessa escuridão.

Nesta escuridão andam também às apalpadelas muitos dos meus ministros; é fácil de compreender com que dano e perigo para a salvação de tantas almas. Tu não podes compreender nem abarcar com a tua mente a enorme massa de mal de que sofre a minha Igreja.

Divisões, rancores, e até ódio. Divisões nas paróquias, divisões e dissensões nas Ordens e nas Congregações religiosas, nos conventos; rebeliões declaradas despedaçam o meu Corpo Místico.

Uma lodosa corrente a jorrar do Inferno para a Terra, num efervescente transbordar de heresias, de obscenidades e de escândalos, de violências, de injustiças privadas e públicas, causa um massacre das almas, mesmo das consagradas. Oh, sim! Os homens de hoje não são melhores que os homens pré-diluvianos. As cidades de hoje não são melhores que Sodoma e Gomorra. Os numerosos apelos não ser viram para nada, as minhas múltiplas intervenções e as de minha Mãe não serviram para nada. Os numerosos castigos, parciais não serviram para nada.

Os homens deste século encheram a medida, endureceram os corações na iniquidade, e a punição global já teria vindo se não fosse a intervenção de minha e vossa. Mãe, se ela não se tivesse colocado entre vós e a justiça divina. E se não tivesse havido as almas vítimas, corajosas, generosas, heroicas, para se imolarem como lâmpadas vivas diante dos meus Altares… Os habitantes da Nínive corrompida acreditaram e arrependeram-se, face aos apelos ameaçado res do Profeta, e assim foram salvos; mas os homens desta geração perversa, que recusa Deus, não escaparão aos castigos da divina justiça.

“Non praevalebunt”.

Sim, os justos verão que Deus é fiel às suas promessas; verão como o meu Pai, mesmo na sua justiça, tomará luminoso o seu desígnio de amor, para a salvação da humanidade e da minha Igreja.

Abençoo-te, meu filho. Ama-me e oferece-me os teus sofrimentos. Lembra-te de que o meu Coração Misericordioso é inesgotável nas suas riquezas e arde em desejos de vo-las poder dar.

 

Volto, filho, a um assunto de que já te falei, mas no qual deveis parar muitas vezes a vossa mente para pensar e meditar, para em seguida voltardes a pensar e a meditar. Desejo referir-me à renovação do Santo Sacrifício da Cruz, perpetuamente continuado na Santa Missa.

Tu sabes como são poucos os sacerdotes que se aproximam do altar para realizar a ação três vezes santa, com o devido espírito de fé e de graça. E não falamos daqueles que profanam sacrilegamente o meu Corpo, o meu Sangue, e que não são poucos. Falemos ainda daqueles que se preparam para vestir os ornamentos sagrados com a desenvoltura e a mentalidade dos operários que, antes de começar o seu quotidiano trabalho manual, vestem o “macacão” , falando disto e daquilo.

Sem um pensamento de recolhimento, procedem à celebração do Rito Santo, enquanto a sua mente foge para as coisas mais estranhas. Chegam à Consagração bem longe de se darem conta de que nesse momento, nas suas mãos se repete o prodígio dos prodígios, se leva a cabo a minha Encarnação, de mim, Verbo de Deus.

“Et Verbum caro factum est”.

Não se dão conta de que nesse momento, nas suas mãos, eles provocam a intervenção simultânea da Santíssima Trindade.

A minha Mãe, com o seu “fiat” , provocou a intervenção simultânea:

• do Pai, que nela criou a minha alma humana, de mim, Verbo;

• de mim, Verbo, que me uni à alma criada pelo Pai;

• do Espírito Santo, causa eficiente da minha concepção virginal no seio puríssimo de Maria.

A partir desse momento, tomei-me verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Entre as mãos do sacerdote celebrante, no momento da Consagração, renova-se realmente o mistério da Encarnação. Nisto, bem poucos dos meus sacerdotes pensam.

Tirada esta fé, esta convicção vivida, é mais que evidente a razão pela qual o sacerdote celebrante realiza a mais santa entre todas as ações como o operário realiza o seu trabalho normal. 0 sacerdote toma-se um simples trabalhador e mais nada.

O Amor repelido

Meu filho, a apática atitude dos meus sacerdotes feremais dolorosamente o meu Coração Misericordioso que a raivosa ofensa dos meus inimigos declarados. E, contudo, quantos são os meus sacerdotes que habitualmente me tratam assim…

É o Amor que esbarra numa barreira de frieza, de indiferença. E o Amor repelido, apesar de todas as graças gratuitamente dadas e de modo algum devidas. Não desço a pormenores para te falar de todas as indelicadezas e liberdades que se têm para comigo, e que se evitaria tomar com tantas outras pessoas do mundo ditas importantes. Comigo, tudo é permitido…

Eles veem-me e consideram-me como uma vaga e longínqua recordação histórica, ignorando, por sua culpa, a viva realidade na qual eles têm uma participação tão importante.

Se ainda que teoricamente eles admitem que o Santo Sacrifício da Missa é o mesmo que o Sacrifício da Cruz, na prática negam-no com um comportamento que revela falta de fé, de esperança e de amor.

Filho, que oceano infinito de misérias, de profanações, de traições, de escuridão espiritual! Oh, se os meus sacerdotes estivessem todos animados de uma fé viva, de um amor ardente, quantos me têm nas suas mãos, que rios de graças poderiam arrancar do meu Coração Misericordioso, para eles e para as almas que eles devem apascentar!

Por que é que muitos dos meus sacerdotes estão tão afastados e obstinados, são tão rebeldes aos meus reiterados convites à conversão?

Orgulho, presunção, vaidade, impureza! Quantos se perdem, esses, os corredentores! Que atroz tormento o seu Inferno!

Eles eram os distribuidores e os depositários dos frutos da minha Redenção. Eles, os amigos de predileção, não me quiseram conhecer; a sua ação no meu Corpo Místico tomou-se estéril por terem extinguido a fé nos seus corações, se recusado a seguir-me no caminho da Cruz e quebrado a unidade do meu Corpo Místico.

Movido pelo amor

Filho, ter-te-ás apercebido da insistência com que volto sempre a estes lamentáveis assuntos. É urgente aclarar convenientemente uma situação mais que nunca dolorosa, a fim de que, quando a derrocada começar a sua ação destrutiva, quando se conhecer a ação rigorosa da justiça de meu Pai, se saiba claramente que não faltaram os avisos, as intervenções e os apelos, que muitos não escutaram, para evitar à cristandade os males indescritíveis que a esperam.

É necessário que se saiba ainda, sobretudo entre os bons, que o Pai, mesmo no rigor da sua justiça, é sempre movido pelo amor, porque Deus é Amor. Deus não quer a morte do pecador, mas que o pecador se converta e viva.

Não tendo os homens, e mesmo muitos dos meus sacerdotes, acolhido os reiterados convites à conversão, não tendo tirado lições dos castigos parciais, permitidos e deseja dos para os chamar à realidade, a cólera divina cairá. Eles apagaram Deus do seu coração. Na sua inconsciência, dizem que não há Deus, e Deus apagará da face da Terra os frutos da sua loucura e do seu orgulho.

Meu filho, reza e faz rezar; a derrocada está em marcha.

 

— Qual é. Senhor, a nossa participação, dos sacerdotes, no mistério da Encarnação?

Filho, a esta pergunta já respondi indiretamente nos nossos precedentes colóquios. Todos os cristãos foram regenerados pela graça, todos se tomaram filhos de Deus. Isto é um acontecimento tão grande, tão sublime, que se lhe deve dar conveniente relevo.

Eis, meu filho: neste século materialista, a vossa gerao infiel dá mais importância às coisas exteriores que ao fato sobrenatural do Batismo, que incide substancialmente na alma da criança, para o tempo e para a eternidade. Não se tem a mínima consideração pelo dom, não de vido, mas feito, com uma divina generosidade, ao batizado.

A este quadro pagão que rodeia o Batismo, adaptaram-se, com uma desenvolta superficialidade, os meus sacerdotes; quero dizer que não houve reação a este paganismo que, como uma sombra densa, esconde aos olhos dos fiéis o precioso dom de Deus.

Os costumes pagãos imperantes obscurecem as mais belas realidades divinas. A graça conferida ao Batismo transforma e transfigura-la alma daquele que recebe este sacramento, tomado possível pelo mistério da Encarnação. Daqui que todos os batizados participem no mistério da Encarnação.

Esta participação deve ou deveria intensificar-se com o desenvolvimento e crescimento da minha vida divina, através da requerida e necessária colaboração de uma educação cristã, por parte dos pais e dos seus substitutos.

Esta educação deve ser iniciada a partir dos primeiros meses. Infelizmente, já quase não se pratica; não se vê nada na criança deste povo pagão para além da sua natureza humana. Faltou e falta aos meus sacerdotes a premente vigilância a respeito de um ponto central da vida cristã.

Todos os cristãos participam no mistério da Encarnação (por conseguinte, os sacerdotes ainda mais) na medida em que são coerentes com a fé neste grande mistério.

Se eu, Verbo de Deus, encarnei para poder comunicar a minha vida divina aos homens, para os aliviar, os ajudar e encaminhar para a vida eterna, os homens, razoavelmente, deveriam aceitar com alegria todas as consequências derivantes deste grande mistério, vivendo-as com fidelidade na sua vida quotidiana.

Filho, tu próprio podes constatar como o paganismo afastou os meus fiéis, e com eles, muitos dos meus sacerdotes, da realidade divina, reduzindo tudo a ritos paganizantes mais ou menos faustosos.

Coerentes com o Batismo

E agora, respondo diretamente à tua pergunta, apesar de poderes encontrar a resposta num anterior colóquio.

Vós, sacerdotes, não sois simples cristãos. Escolhi-vos para serdes os meus ministros na terra. Escolhi-vos para serdes objeto da minha predileção e do meu amor. Retirei-vos do mundo, deixando-vos, ao mesmo tempo, no mundo, para que sejais instrumentos, colaboradores e corredentores na realização do mistério da Salvação.

Revesti-vos de uma dignidade e poder dos quais não tende plena consciência e que bem pouco utilizais para a eficácia do vosso ministério. Vós dever íeis, com muito mais rigor, ser firmemente coerentes com o vosso Batismo, a vossa Confirmação, o vosso e meu Sacerdócio.

Como aconteceu com a minha Mãe, que ao pronunciar o seu “fiat” foi causa de um prodígio tão grande (cujas consequências mudaram a sorte da humanidade no tempo e na eternidade) que o Céu e a Terra não o podem conter, assim acontece convosco, sacerdotes, quando pronunciais as palavras da Consagração.

Deveis acreditar “que eu, Verbo de Deus, faço-me Carne e Sangue, Alma e Divindade nas vossas mãos. Da mesma forma que a minha Mãe, no momento em que deu o seu livre, consciente e responsável consentimento, provocou a minha simultânea intervenção, de mim, Uno e Trino, assim vós, na Consagração, provocais a simultânea intervenção da Trindade Divina, estando também presente a minha e vossa Mãe.

Crer firmemente

Filho, se um sacerdote está impregnado e penetrado por esta fé, se um sacerdote crê firmemente nesta realidade divina, testemunha do amor infinito de Deus, esse sacerdote transforma-se; sua vida toma-se maravilhosamente fecunda.

No mistério da Encarnação (que, por sua obra, Deus renova nas suas mãos, que não foi para nada que foram consagradas) esse sacerdote encontra a fonte inesgotável dos dons do meu Coração Misericordioso. Nenhum poder adverso lhe poderá resistir, porque estou nele e ele em mim.

Meu filho, vimos juntos um outro aspecto da desolação que esta geração incrédula manifesta. Ama-me, vira-te para mim dia e noite, desagrava-me com o teu amor e a tua fé, da frieza de tantos dos meus ministros, que eu amo muito e que quero salvar.

Eu te abençoo; contigo, abençoo as pessoas que te são queridas. Lembra-te de que a minha bênção é um guarda-chuva protetor e um escudo de defesa.

 

Filho, todos os membros de um corpo tendem harmoniosamente para um único fim: a conservação e o crescimento do próprio corpo.

Assim no meu Corpo Místico: todos os membros deveriam tender, razoavelmente, para o bem supremo do Corpo Místico, que é a salvação de todos os membros de que ele formado. O fato destes membros serem livres e inteligentes, capazes de discernir e de querer o bem ou o mal constitui mais uma razão para que todos tendam para o bem comum. No entanto, assim não acontece.

Muitos membros, seduzidos e enganados, rompendo a harmonia do corpo de que fazem parte, praticam o mal com tenacidade, prejudicando-se a si mesmos e aos outros membros do corpo. Se além disso, estes membros são sacerdotes, eles destroem a coesão harmoniosa com um dano incalculável para si mesmos e para toda a comunidade cristã.

Na minha Igreja, todos os sacerdotes devem tender valentemente para o bem comum de todas as almas; foi para este grande objetivo que eles foram chamados, sem exceção alguma. Não há, na minha Igreja, distinção de objetivos; o objetivo único para todos os membros e, de uma maneira especial, para os meus sacerdotes, é: salvar as almas, salvar as almas, salvar as almas.

O último sacerdote (último é uma maneira de dizer, por que poderia ser o primeiro, como o Santo Cura d’Ars, último e primeiro), digo, o último sacerdote que consome a sua vida na oferta de si mesmo no Santo Sacrifício da Missa, em comunhão comigo, na presença de meu Pai, é maior até que muitos dignitários que nem sempre o fazem.

No meu Corpo Místico há muitos membros que estão terrivelmente doentes de presunção, de orgulho, de luxúria.

Há no meu Corpo Místico muitos sacerdotes que desempenham um ofício, muito mais preocupados com o lucro que com a salvação das almas.

Há muitos sacerdotes orgulhosos de seu “saber fazer”, quer dizer, da sua esperteza. Eles esquecem que, muitas vezes, ainda que não seja sempre o caso, a arte de saber-fazer é a arte de mentir: é a esperteza e a astúcia de Satanás. Que a vossa linguagem seja simples e sincera; se é sim, sim; se é não, é não. A verdade é caridade.

Não as suas palavras

Na minha Igreja há sacerdotes que se pregam a si próprios. Na procura da linguagem, na elegância do estilo e por mil outros expedientes, eles procuram chamar a atenção dos ouvintes para a fazer convergir para si mesmos

E verdade que a minha Palavra é, por si mesma, eficaz, mas a minha Palavra, não a sua palavra! A minha Palavra, antes de ser anunciada, deve ser lida, meditada e assimila da; depois, dada com humildade e simplicidade. No meu Corpo Místico há focos de infecção, há chagas purulentas.

Nos seminários há uma casta infecta que contamina aqueles que devem ser os meus ministros de amanhã: quem pode avaliar este mal?…

Se numa clínica ou numa comunidade se manifesta uma doença contagiosa, trata-se imediatamente dela com grande solicitude, com investigações e isolamentos, com medidas enérgicas e repentinas. No meu Corpo Místico manifestam-se males muito mais graves, e há aquiescência, como se de na da se tratasse. Medos, receios injustificados, diz-se.

Não é amor, não é caridade permitir que se espalhem males que levem as almas à perdição. Há um abuso exagerado da misericórdia de Deus como se a misericórdia não coexistisse com a justiça…

Aquele que foi investido de responsabilidades, agindo com retidão, não deve preocupar-se com as consequências, quando se trata de tomar medidas para travar o mal em curso.

Filho, que dizer, em seguida, de tantos dos meus sacerdotes, do modo completamente irresponsável como eles desempenham as tarefas mais delicadas, como a do ensino religioso nas escolas? Concordo que não faltam sacerdotes bem formados e conscientes, que cumprem o seu dever da melhor maneira.

Contudo, ao lado dos bons, quantos superficiais, inconscientes e até mesmo corrompidos! Eles fizeram e fazem, em vez de bem, um mal imenso, aos jovens que têm tanta necessidade de serem ajudados moral e espiritualmente. O fato destes meus sacerdotes serem compreensivos não deve justificar a licença.

Um traje próprio

Foram superiormente fornecidas disposições a respeito do traje sacerdotal; os meus sacerdotes, ainda que vivam no mundo, foram separados do mundo.

Os meus sacerdotes, quero-os distintos dos leigos, não só por um tipo de vida mais perfeito, mas também exterior mente se devem distinguir por um traje próprio. Quantos escândalos, quantos abusos e quantas ocasiões mais de pecado, e quantos pecados mais!

Que inadmissível condescendência por parte dos que têm o poder de legislar e, com o poder, também o dever de fazer respeitar as suas leis. Por que não o fazem? Eu sei: os aborrecimentos não seriam pequenos; mas eu nunca prometi a ninguém uma vida fácil, confortável, isenta de desgostos.

Temem-se, talvez, reações contraproducentes? Não, o relaxamento faz deslizar para um maior relaxamento. Os empregados do Estado, dos organismos militares, vestem o seu uniforme. Muitos dos meus sacerdotes têm vergonha, transgredindo os regulamentos, rivalizando em elegância com os mundanos. Como, filho, poderia eu não sofrer amorosamente com isto? Quem não é fiel no pouco, também não o será no muito.

Que dizer, em seguida, do modo como são administrados, por tantos sacerdotes, os meus sacramentos? Entram no confessionário em mangas de camisa, e nem sempre com a camisa, sem estola.

Se se vai fazer uma visita a uma família de cerimónia, veste-se a casaca, mas a Casa de Deus é muito mais importante que qualquer família de cerimónia batina é também prescrita para o exercício do ministério propriamente dito: assistência aos doentes, ensino nas escolas, visita aos hospitais, celebração da Santa Missa, administração dos sacramentos. Quem a veste ainda, a batina? Isto, meu filho, é indisciplina que roça a anarquia.

Que dizer de tantos dos meus sacerdotes que não têm tempo para rezar, atarefados como estão em muitas atividades inúteis, ainda que sejam aparentemente santas?

E quantos sacerdotes que têm tempo para ir ver filmes imorais e pornográficos, sob pretexto de que é preciso conhecer para ter opinião! Esta justificativa é satânica! Os santos sacerdotes, que jamais se permitiriam tais imoralidades, não estariam então aptos a orientar e aconselhar as almas…

O dever da obediência

Eis a que ponto chegamos. E ainda há pior. Eu, meu filho, constituí a Igreja hierarquicamente, e não se diga que os tempos mudaram e que, por isso, tudo tem de ser mudado.

Na minha Igreja há pontos firmes que não podem mudar com a mudança dos tempos. O princípio da autoridade, o dever da obediência, não poderão nunca ser mudados. Poderá ser modificada a maneira de exercer a autoridade, mas a autoridade não poderá ser suprimida.

A condescendência necessária nas altas esferas não de ve nunca ser confundida com a fraqueza! A condescendência não exclui, mas, pelo contrário, exige a firmeza. Meu filho, porque quis eu trazer à luz uma parte dos muitos males que afligem a minha Igreja?

Eu o fiz para colocar os meus sacerdotes diante das suas responsabilidades. Quero que eles entrem em si, para uma vida verdadeiramente santa. Quero a sua conversão, porque os amo. Que eles saibam que a sua conduta é, por vezes, causa de escândalo e de ruína para muitas almas. Não é justo que se abuse do amor de Deus, fiando-se na sua misericórdia, ignorando quase inteiramente á sua justiça!

Filho, disse-te várias vezes que a derrocada está já em marcha. Só um regresso sincero à oração e à penitência por parte de todos os meus sacerdotes e dos cristãos poderia aplacar a cólera do Pai e travar as justas e lógicas consequências da sua justiça, porém, sempre movida pelo amor.

Quis dizer-te isto porque da minha “gotinha de água a cair” quero fazer um instrumento para o plano da minha providência. Eu te abençoo, ó filho. Ama-me, reza, repara e desagrava-me com o teu amor, de todo o mal que lavra na minha Igreja.

Tanto bem também

É bem verdade que, na minha Igreja, há também tanto bem. Que desgraça se assim não fosse! No entanto, eu não vim para os justos; eles não têm necessidade. Vim para os pecadores; esses, eu quero-os; esses, eu quero-os salvar! É por isso que pus o dedo em algumas das muitas chagas e feridas, causa da perda das almas.

Diz-se que não se vai para o Inferno. Ou se nega o Inferno, ou se faz apelo à misericórdia de Deus, que não pode enviar ninguém para o Inferno. Não é porque há estas heresias e estes erros que o Inferno deixa de existir. Não é por isso que muitos impenitentes, mesmo sacerdotes, deixam de ir para o Inferno…

 

Filho, nos meus anteriores colóquios não faltaram alusões à minha presença no meio de vós. Hoje entendo voltar a chamar a tua atenção para esta divina realidade, da qual se podem tirar dons inestimáveis, no que toca à vida espiritual e eterna, quer material quer terrena.

Eu, Jesus, Verbo Eterno de Deus, desde sempre gerado pelo Pai, feito Carne, na plenitude dos tempos, no seio virginal de minha Mãe Santíssima e vossa Mãe misericordiosa, eu estou gloriosamente presente à direita do Pai, na glória do Paraíso.

Estou realmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade em todas as hóstias consagradas do mundo; estou e estarei no meio de vós até a consumação dos séculos, até o fim dos tempos.

Como é que então muitos não se interrogam acerca do porquê da minha presença no meio dos homens?

Por que é que eu quis estar no meio de vós, conhecendo bem, desde sempre, que tratamento me estaria reservado pelos homens? Ódio, ofensas, injúrias, frieza, ainda que não tenham faltado, não faltem e nunca venham a faltar as almas generosas que me desagravam do mal dos ímpios. O porquê da minha presença no mundo tem uma única resposta, meu filho: o amor.

 

 

A Minha Palavra

Como é que concretizo a minha presença no meu Corpo Místico? Em primeiro lugar, pelo dom da minha Palavra.

Confiei à Igreja o patrimônio, o depósito espiritual da minha Palavra, que é Palavra de Vida e de Verdade. Protegi este tesouro com a assistência do Espírito Santo. Eu sou a Verdade, a Vida que a minha Igreja pode mostrar com segurança a todas as almas, sem sombras de ilusão.

Os ataques contra mim, Palavra de Deus, ao longo dos séculos, foram contínuos e ferozes. Heréticos, pseudo mestres e mentirosos, subornados sem tréguas pelo Maligno, fizeram tudo para me apagar da face da Terra, a mim, Verdade, Vida, a mim, Palavra de Deus. Inutilmente, porém.

Em seguida, este século materialista não deixa de lado nenhum meio, nenhuma tentativa para também me destruir; seitas, partidos ateus, correntes envenenadas de filosofias perversas e destruidoras de todos os mais sublimes valores espirituais, valores de verdadeira civilização. Será possível que os homens tenham a memória tão curta de modo que não se lembrem mais da trágica história deste século, que é a vossa história?

O que é extremamente triste é que muitos dos meus sacerdotes, em vez de se fiarem humildemente no Magistério infalível da minha Igreja, erigindo-se em mestres, com presunção, tenham se tomado responsáveis pela difusão de várias heresias, com grande dano para as almas. Por que é que muitos dos meus sacerdotes se tornam os promotores, com Satanás, de tanto dano para as almas?

O orgulho cega, sim, verdadeiramente ele cega.

O meu Vigário

Eu estou no meio de vós, filho, na pessoa do meu Vigário.

A ele foi dado todo o poder para apascentar os cordeiros e as ovelhas. Quem o ama, ama-me a mim; quem não o I escuta, não me escuta a mim; quem o combate, combate-me a mim.

Ele sobe o seu Calvário, dia após dia, mas muitos não se apercebem disso. Ele chora pelos seus filhos que se tornam lobos devoradores e fazem um massacre no seu rebanho. Como eu, ele tomou-se objeto de escárnio, de ódio e de guerra.

Ele mantém-se ao leme da minha nau nesta triste hora em que o mar está fortemente agitado, e a surda agitação das vagas pressagia uma próxima tempestade selvagem.

Meu filho, é necessário manter-se ao pé do meu Vigário, do doce Cristo da Terra; é necessário ampará-lo pela oração e pela oferta do sofrimento. E necessário amá-lo e fazê-lo amar.

Tudo o que, bom ou mau, é feito a ele, é feito a mim mesmo. E necessário defendê-lo das frequentes intrigas satânicas de seus inimigos. Eu estou nele, estou presente na Igreja na sua pessoa.

A Eucaristia

Filho, estou ainda presente na minha Igreja pelo mistério do amor e da fé, quer dizer, no mistério da Eucaristia. Estou verdadeiramente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Esta minha presença, se fosse acreditada, sentida, vivida, em toda a sublime e maravilhosa realidade divina, por todos os meus sacerdotes, transformar-se-ia num tal fermento de purificação e de sobrenaturalização, que os meus sacerdotes poderiam, por si sós, transformar rapidamente o rosto da Igreja e arrancar do meu Coração Misericordioso, grau as e mesmo milagres impensados.

Infelizmente, porém, não são muitos os que creem firmemente. A maior parte acredita debilmente. Não faltam os que não acreditam nada na minha presença Eucarística. Com razão tem falado várias vezes o meu Vigário na Terra, da crise de fé, causa e origem de inúmeros males.

Onde há sofrimento

Há uma quarta forma da minha presença na Terra: Eu estou realmente presente nos meus santos. São santos os que vivem da minha vida divina. Estou realmente presente nos meus santos que perseguem, com a maior tenacidade, as mais árduas conquistas de todas as virtudes cristãs.

Eu estou realmente presente naqueles que sofrem; onde há sofrimento, eu estou. Estou, em seguida, presente nas almas vítimas; nelas acho as minhas complacências, as minhas alegrias; elas desagravam-me abundantemente das ofensas, dos insultos, das blasfêmias e dos sacrilégios daqueles que não me amam.

Elas fazem as delícias de meu Pai; foram as almas vítimas que mitigaram, pararam a cólera de meu Pai, por causa iniquidades desta geração perversa que, em vez de se dessedentar na fonte de água viva e pura, aspira a dessedentar-se nas águas putrefatas e lodosas dos pântanos saturados de miasmas.

Meu filho, ama-me, só a mim, com o teu amor, com a tua fé, com a tua oferta. Abençoo-te e contigo, abençoo as pessoas pelas quais diariamente rezas.

 

Filho, para que servem a glória, a estima, a riqueza e a saúde, a prosperidade, o talento e a cultura, se depois, no fim, a alma se perde?

Estas palavras foram, para muitas almas de boa vontade, causa de uma radical regeneração espiritual ou de uma conversão. Uma séria e ponderada reflexão sobre este convite pode levar as almas à conquista de heroicas virtudes, à realização da perfeição e da santidade.

Uma séria meditação sobre este aviso levou e pode levar muitas almas à descoberta desta pedra preciosa, de que eu falo na parábola, pela qual vale a pena cortar rente com o pecado, através de um resoluto desprendimento dos falsos bens e afetos deste mundo, e seguir-me no caminho do Calvário, em troca de uma imperecível coroa de glória eterna na Casa de meu Pai.

Filho, a alma em pecado é como a pedra que, em virtude da lei natural da gravidade, se precipita do alto para o fundo, aumentando, na queda, de peso e de velocidade. A alma em pecado precipita-se para o fundo, aumentando, na queda, o peso das suas faltas, das suas paixões.

Que lei natural pode parar e inverter a trajetória de uma pedra que cai de cima para baixo? Que lei natural pode converter a descida em Subida? Nenhuma lei natural pode produzir este milagre. Só uma lei de ordem superior o poderia fazer.

Só eu sou a lei sobrenatural, quer dizer, a Força Divina que pode parar o pecador na sua ruinosa descida para o precipício e converter a sua trajetória de descida em subida o precipício e converter a sua trajetória de descida em subida para a Vida.

Isto é o que eu mais ardentemente desejo fazer com todos os pecadores, mas particularmente com os meus sacerdotes, arrastados pelo Maligno para a concupiscência do espírito e dos sentidos.

Bastar-lhes-ia um olhar para mim crucificado, uma invocação ao meu Coração Misericordioso e que, a exemplo de Pedro, me dissessem: “Senhor, salva-me, porque me afogo nas vagas”.

Oh, meu filho, como eu seria solícito a estender-lhes a mão, para os pôr a salvo!

Eu amo as almas

Dás-te conta da trágica situação de muitos dos meus sacerdotes que caminham a passos largos para a danação eterna da sua alma? Poderá haver na Terra uma tragédia maior, mais horrível que esta? Poderá haver um engano mais diabólico que o que é espalhado no nosso tempo por pseudo mestres que afirmam que o Inferno não existe e que a misericórdia divina nunca poderia permitir a condenação eterna de uma alma?

Aqueles que divulgam estas heresias e estes erros quereriam suprimir a justiça divina, quando afinal deveriam saber que em mim, misericórdia e justiça são indivisíveis, por que em mim são uma mesma e única coisa.

Meu filho, eu sou a luz que veio a este mundo. A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a acolheram. Eu amo as almas. Eu quero a salvação das almas; Eu vim para isso, mas preciso de vós, da vossa colaboração. Vós sois os meus membros, e todos os membros tendem para o mesmo e único fim. Preciso de vós, para que se cumpra, em plenitude, o mistério da Salvação.

A meu exemplo, a exemplo da minha Santíssima Mãe, dos mártires, dos santos, deveis abraçar generosamente a vossa cruz e seguir-me. Se a cruz vos parece pesada, sabeis que estou em vós para atenuar o seu peso.

Filho, disse-te e repito-te: isto é um dever de justiça e de caridade; ninguém se pode subtrair a ele e muito menos os meus ministros. Não temas, sou eu que te conduzo. Segue em frente, não recues e não te preocupes. Eles recusaram o meu Evangelho, distorceram a minha Verdade. Não acreditaram nas almas vítimas às quais eu falei. Nas suas palavras, pus o selo da minha graça; eles resistiram a tudo.

Ditei a Maria Valtorta alma vítima, uma obra maravilhosa. Desta obra, eu sou o autor.

Tu próprio te deste conta das reações raivosas de Satanás. Constatastes a resistência que muitos sacerdotes opõem a esta obra que, se fosse não digo lida, mas estudada e meditada, traria um bem imenso a tantas almas. Esta obra é fonte de séria e sólida cultura.

No entanto, em vez desta obra, à qual reservei um grande êxito na Igreja regenerada, preferem as imundícies de tantas revistas e livros de teólogos presunçosos. Abençoo-te como sempre. Ama-me.

 

Filho, repetidamente tenho-te dito que eu sou o Amor; onde há amor, eu estou. Eu sou o Amor Infinito, Eterno, Incriado, vindo à Terra para reconciliar e reconduzir a Deus a humanidade que o 
ódio lhe tinha arrancado. O amor, pela sua natureza, tende para a união, como o dio, pela sua natureza, tende para a divisão.

Nós somos três, mas o amor infinito une-nos intimamente num só, numa só natureza, essência e vontade.

O amor levou-me, a mim, Verbo Eterno de Deus feito Came, a imolar-me, a fim de ser dada ao homem a possibilidade de se unir, em mim, a Deus e de formar comigo uma só coisa, como eu sou um único Ser com o meu Pai que me enviou.

Filho, há mais de cem anos que o materialismo, como uma sombra obscura e densa, envolve uma boa parte da humanidade.

Obscureceu, mesmo no meu Corpo Místico, quer dizer, na alma de muitos fiéis e sacerdotes, o dogma da Comunhão dos Santos, que é uma realidade espiritual grandiosa, viva, verdadeira e operante no Céu e na Terra. Não há palavras que sejam capazes de exprimir a grandeza, o poder e a atividade vibrante de amor e de vida. Não há palavras na vossa linguagem que sejam capazes de fazer compreender o invisível e misterioso intercâmbio que tem o seu centro no meu Coração Misericordioso.

Poucas são as almas que compreenderam e poucos são também os sacerdotes que, além de acreditarem abstratamente, vivem ativamente nesta comunhão, com os bem-aventurados do Paraíso, com as almas que esperam no Purgatório e com os seus irmãos militantes na Terra.

A morte, ao contrário dos preconceitos existentes, não põe fim à atividade das almas. A morte que, mais precisamente se deveria chamar “passagem”, é uma passagem do tempo para a eternidade, que não põe fim à atividade da alma, quer no bem, quer no mal.

A Família de Deus

Em qualquer família ordenada no amor, cada membro que a constitui contribui para o bem comum, num intercâmbio de bens dados e recebidos numa comunhão harmoniosa.

Num grau de longe muito superior, assim acontece com a grande família de todos os filhos de Deus, que militam na Terra, que estão à espera no Purgatório, e com os bem-aventurados do Paraíso.

Portanto, a fim de tomar cada vez mais rica de frutos divinos a fé nesta realidade divina e humana, que decorre da minha imolação na Cruz, importa ter sobre ela ideias precisas.

É necessário:

1 – Crer firmemente no dogma da Comunhão dos Santos.

2- Quando se fala da família dos filhos de Deus, os sacerdotes devem deixar bem claro que a esta família pertencem os peregrinos da Terra, as almas à espera no Purgatório e os justos do Paraíso, quer dizer, os santos.

3- Os sacerdotes (muitos dos quais acentuam quase exclusivamente as questões sociais, deplorando, com razão, as injustiças perpetradas, para agradar aos seus irmãos militantes) esquecem quase sempre as mais graves injustiças cometidas em prejuízo de seus irmãos que estão no Purgatório.

Para uma tão grave omissão é preciso, ou não se acreditar no Purgatório, ou então não se acreditar no terrível sofrimento a que as almas do Purgatório estão submetidas. A necessidade de auxilio das almas que esperam é muito maior que as das criaturas humanas que mais sofrem na Terra.

Além disso, o dever de caridade e de justiça para com as almas em pena é mais premente para vós na medida em que há almas do Purgatório que sofrem por causa dos vossos maus exemplos, porque, com elas, vós fostes cúmplices do mal, ou, pelo menos, ocasião de pecado. Se a fé não é operante, não é fé.

A vida continua

Meu filho, é preciso fazer compreender, com clareza, que a vida continua para além da tumba. Todos os que vos precederam no signo da fé, estejam no Purgatório ou no Paraíso, amam-vos ainda, e com um amor mais puro, mais vivo e mais intenso.

Estes estão animados de um grande desejo de vos ajudar a superar as duras provas da vida, para vos permitir atingir – como eles já atingiram – a grande linha de chegada, a finalidade da própria vida. Eles conhecem bem todos os perigos que fazem emboscadas às vossas almas.

A sua ajuda a vós, porém, está em boa medida condicionada à vossa fé e à vossa livre vontade de vos dirigirdes a eles, com a oração e a confiança no seu valiosíssimo patrocínio junto de Deus e da Virgem Santíssima.

Se os sacerdotes e os fiéis estiverem animados de uma fé viva, conscientes dos inesgotáveis recursos de graça, de ajuda e de dons que podem obter deste dogma da Comunhão dos Santos, verão centuplicado o seu poder sobre as forças do Mal.

Eu enriqueci a minha Família de riqueza e de poder insondável, e cimento-a com a força invencível de um amor infinito.

Recursos inutilizados

Que os meus sacerdotes instruam os fiéis com palavras simples e claras, dizendo que os vossos irmãos, que já cumpriram na Terra o périplo da sua vida temporal, não estão separados de vós, não estão longe de vós.

Dizei que eles não estão inertes e passivos a vosso respeito, mas que, num novo estado de vida mais perfeito que o vosso, eles estão perto de vós, eles amam-vos. Tomam parte, na medida e na proporção da perfeição atingida, em todas as vicissitudes do meu Corpo Místico.

Repito-vos que eles não podem passar por cima da vossa liberdade, mas se são solicitados pela vossa fé e pelas vossas invocações, estão e estarão ainda mais perto de vós na luta contra o Maligno.

Eles observam-vos, seguem-vos e intervêm na medida determinada pela vossa livre fé e pela vossa livre vontade. Meu filho, que imensos tesouros predispôs o meu Pai para vós! Que imensos recursos inutilizados! Quantas possibilidades de bem deixadas cair no vazio!

Afirma-se que se acredita, mas não há um mínimo de coerência com a fé na qual se diz acreditar. Abençoo-te. Ama-me!

 

Qualquer comandante de Estado Maior reúne periodicamente, à sua volta, os seus colaboradores. Com eles, examina, revê e estuda os planos elaborados para a defensiva e, se for caso disso, para a ofensiva contra os que considera inimigos. Os planos são postos em dia e são continuamente revistos, segundo a evolução das situações dos povos.

Atualmente, filho, com maior cuidado deveriam fazer outro tanto aqueles que, na minha Igreja e nas minhas igrejas, têm o dever preciso e imperativo de preparar o imenso exército dos meus soldados (todos os confirmados são meus soldados) para a defensiva contra os ataques dos seus inimigos espirituais: o demónio, o mundo e as paixões. E de os preparar não só para a defensiva, mas também para a ofensiva!

A batalha que os meus soldados devem levar a cabo é
 a mais importante, a mais necessária e a mais urgente de todas as guerras que se realizam no mundo. A mais necessária, porque do êxito desta batalha depende a vida ou a morte eterna.

A mais urgente, porque as forças do Mal, bem organizadas e bem dirigidas, pretendem ultrapassar as forças do Bem e, se o conseguissem, isso seria determinante para o futuro da Igreja e do mundo. A mais importante, se os meus soldados não querem sucumbir no tempo e na eternidade.

Filho, numa anterior conversação falei-te claramente da enorme luta que, desde a criação do homem, se sucede no mundo. Os cristãos, influenciados e espoliados, parecem ter perdido o sentido da sua existência, manobrados como são pela crise de fé, que tem origem na violenta vaga materialista.

Mal guiados, mal adestrados, são horrivelmente arrastados pelas forças adversas do Mal. E urgente cortar o mal pela raiz e ter a coragem de enfrentar a realidade, se não se quer naufragar.

Remédios espirituais

— Senhor, a mim parece-me que há tantas iniciativas e atividades na tua Igreja precisamente para travarem o mal.

Meu filho, não faltam atividades e iniciativas, estudos e encontros; há mesmo demasiados. No entanto, eu disse-te que é preciso cortar o mal pela raiz, o que implica ter a coragem para procurar as verdadeiras causas desta derrota do mundo cristão de hoje.

O Concílio indicou as causas, mas poucos as tomaram a sério. Pelo contrário, a maior parte, com uma insensatez diabólica, aproveitou-se dele para gerar a confusão e a anarquia no meu Corpo Místico, nos meus soldados, nos meus fiéis. Os remédios para eliminar as causas de tão grandes males espirituais não podem ser senão espirituais. É evidente: os remédios, eu vo-los indiquei com os luminosos exemplos da minha Vida, da minha Paixão e Morte.

O primeiro remédio, seguro e fundamental, é uma autêntica conversão. Ninguém se deve admirar, nem os fiéis, nem ainda menos os sacerdotes.

Que os meus sacerdotes comecem a examinar-se a respeito da sua vida interior; quanto encontrarão para reformar! Reformar-se a si mesmos para reformar os outros, santificar-se a si mesmos para santificar os outros; menos leituras inúteis e nocivas; menos televisão, menos espetáculos, mais meditações e orações, mais devoção a minha e vossa Mãe, mais vida Eucarística.

Filho, por muitos dos meus sacerdotes eu sou tratado como um objeto, nem mais nem menos do que um objeto qualquer. E, contudo, eu, Jesus, Verbo Eterno de Deus, Deus como meu Pai, estou realmente presente no mistério do Amor, no mistério da Fé.

Progresso Interior

Se os meus sacerdotes tiverem a coragem de pôr mãos obra para iniciar este progresso interior, eu estarei com eles, ajudá-los-ei, assistir-lhes-ei, consolá-los-ei, a fim de que eles estejam à altura das suas santas instituições, e grande será a ajuda, a assistência de minha Mãe.

É por aqui, meu filho, – di-lo aos sacerdotes teus irmãos – é por aqui que se deve começar a grande reforma, para purificar, sobrenaturalizar a minha Igreja, em grande parte paganizada.

Por isso, os meus sacerdotes deveriam encontrar-se para elaborar, em comunhão com os objetivos, os planos de defesa, pessoal e social, da minha Igreja. Que eles não temam: Eu estarei no meio deles. Então, sim, dar-lhes-ei a conhecer os meus caminhos e os meus pensamentos. Por esses caminhos, eu os guiarei.

Di-lo, meu filho, sem medo, sem temor, lança a tua pequena semente e reza para que ela não caia em terreno árido, mas em terreno fértil e fecundo. Abençoo-te. Ama-me.

 

Não é novo o assunto de que vou te falar. Já anteriormente fiz alusão às sombras escuras que envolvem a minha Igreja. Disse-te sombras no plural, isso significa que há várias; contudo, todas provêm de uma única causa: “grande crise de fé”.

A fé não é um produto do homem, mas um grande dom de Deus; é um fruto precioso da minha Redenção que jorrado meu Coração aberto e misericordioso. Eu sou a Vida dos homens, mas a vida é luz que brilha nas trevas e que as trevas não acolheram.

A vida – falo da minha vida divina – pode ser aumentada, desenvolvida; pode ser também extinguida ou enfraquecida ao ponto de ser privada de toda a força e de toda a energia.

O meu Corpo Místico está em crise; está envolto em sombras escuras, como a terra quando no céu se desencadeia a tempestade. A minha Igreja está em crise, porque os seus membros estão a sufocar, no tomilho do materialismo, a vida divina, a vida interior da fé, e, com a fé, a esperança e a caridade.

Falei-te de lâmpadas apagadas, de lâmpadas que se apagam: são as almas de muitos dos meus sacerdotes e de muitíssimos fiéis nos quais já não pulsa, já não vibra a vida divina da graça. Para quê serve uma lâmpada apagada? É um cadáver.

Enterra-se para impedir que dele se destaquem perigosos miasmas e infecções mortais. Todos os cristãos e, com maioria de razão, todos os sacerdotes devem ser lâmpadas acesas sobre o mundo mergulhado nas trevas, para irradiarem luz, para serem minhas testemunhas, de mim, Verbo Eterno de Deus feito Carne, Luz do Mundo.

Coerência e fidelidade

Para isso, é necessário viver a fé com coerência e fidelidade. A este respeito, nos últimos anos, várias vezes o meu Vigário elevou fortemente a sua voz inspirada. Sacerdotes e cristãos, em grande número, não prestaram atenção às suas palavras, que foram frequentes vezes objeto de escárnio e de zombaria.

Meu filho, como não estar profundamente entristecido por uma conduta tão insensata e impenitente?

O materialismo, que causa estrago há dezenas e dezenas de anos, alimentado por Satanás, poluiu a humanidade. Está a extinguir, cada vez em mais almas, o dom incomparável da fé, da esperança e da caridade, da vida interior e da graça divina, sem a qual ninguém se pode salvar.

Há, sem dúvida, no meu Corpo Místico, rebentos vigorosos. Conhecidos ou escondidos aos olhos de muitos, eles serão os germes fecundos da minha Igreja renascida, regenerada e purificada neste atual deserto, porque é assim que se pode representar a Igreja hoje, onde abundam silvas, urzes, espinhos e ramos secos, tomando assim difícil o caminho para os bons.

Quando rebentar o incêndio, porém, que já se aviva de baixo das cinzas, ele queimará todas as coisas. Os numerosos germes de vida cobrirão então o terreno purificado dos frutos da loucura humana, do orgulho, da impureza e de todas as outras infâmias. A Terra, como um jardim luxuriante e fecundo, dará asilo aos homens tornados ajuizados e sábios, reconciliados com Deus, em mim e entre eles, e no amor viverão em paz.

O sentido da vida

Como eu gostaria que sacerdotes e fiéis, libertados do peso que os oprime e sufoca, adquirissem de novo o sentido da vida, convertendo-se a mim, à luz, à verdadeira vida, regressando à casa de meu Pai que os espera e os ama, apesar da sua perversão!

É por isso, filho, que te falo, para que tu leves ao conhecimento dos meus sacerdotes as amarguras do meu Coração Misericordioso e a angústia de meu Pai que vê os seus filhos, arrancados ao seu amor, caminhar para a ruína e para a morte.

Pobres almas que eu resgatei; agora embriagadas e cegas, vão às apalpadelas na escuridão. EIas ignoram que a vida na Terra, dom de Deus Criador, está ordenada para a vida eterna; ignoram que ela breve e fugaz, que dura o que dura a erva no prado e a flor dos campos que a foice corta e que definha e seca.

Pobres filhos! Orgulho, vaidade e presunção mergulharam-nos na escuridão, ao ponto de já não se reconhecerem. Nada, filho, deve ser negligenciado para lhes obter a graça de uma verdadeira conversão; mais uma vez, trata-se, para muitos, de conversão.

E necessário rezar e mendigar orações: oferecer as tribulações e as contrariedades. Os sofrimentos, semeados na vida de cada um, se são aceitos com fé e oferecidos com generosidade, são verdadeiramente um fermento de graça e de misericórdia. O tempo de que se dispõe é curto, porém: que desgraça seria não o aproveitar!

Abençoo-te, como as pessoas unidas a ti na fé e no amor fraterno. Ama-me. Tu sabes que te amo.

 

Filho, qualquer comandante de Estado Maior reúne periodicamente os seus colaboradores. Com eles, revê os diversos planos de defesa e mesmo de ataque; esforça-se para que os seus planos sejam sempre bem estudados, prepara dos segundo a alternância das relações de todos os povos vizinhos, para estar pronto para qualquer eventualidade.

Assim fazem os homens que têm responsabilidades sociais. Também na minha Igreja e nas minhas igrejas se deveria fazer do mesmo modo, com a mesma diligência e um cuidado premente.

Na minha Igreja há um exército imenso de confirmados que deve ser conduzido à luta contra os inimigos da alma: os demónios, as paixões e o mundo. Compete à Hierarquia, aos diversos Estados Maiores da Igreja, organizar e conduzir esta gigantesca batalha que se vem travando desde a criação do mundo e que continuar sem interrupção até o fim dos tempos.

Eu disse que os homens, quer considerados individualmente, quer socialmente, são objeto e vítima desta luta contra as obscuras e tenebrosas potências infernais, para as quais toda a manha e toda a sedução são boas, desde que causem a perda das almas.

Nisto, a maior parte não acredita. Se não se crê, não se avaliam as forças e as possibilidades do inimigo, o que toma impossível conduzir uma guerra bem organizada, se não se estiver convencido da sua necessidade no plano individual e no plano social.

É louvável a diligência com que alguns Estados Maiores preparam os seus planos, convictos de estar a cumprir um de ver. Ao contrário, é condenável a inércia por parte dos Estados Maiores e de outras igrejas locais que não sabem, nem preparar, nem executar os seus planos de defesa e de ataque contra todas as forças do Mal.

Mesmo demasiadas coisas

Fazem-se, sem dúvida, muitas coisas: por vezes, mesmo demasiadas coisas, que bem pouco servem para o objetivo que é desbaratar as forças do Maligno. Os inimigos da Igreja, do bem e da verdade, tomaram-se impertinentes e prepotentes; avançam cada vez mais, tomam-se insolentes, chegando a subverter as leis divinas e naturais.

Por quê, meu filho?

Muitas responsabilidades pesam sobre a minha Igreja pelos inúmeros males que a atormentam, na base dos quais se encontra a crise da fé, a crise da vida interior!

Não raro se chegou a ser cúmplice dos inimigos de Deus e da Igreja. Fraqueza, mórbido amor ao prestígio, falta de unidade, anarquia propriamente dita. Foi desfigurada a fisionomia dos filhos de Deus e dos ministros de Deus. E tempo de despertar! E tempo de cortar o mal pela raiz!

Quero dizer que é tempo de responder ao meu insistente convite para uma verdadeira conversão, antes que seja tarde demais. É tempo dos diversos Estados Maiores da minha Igreja deixarem de perder tempo em coisas ou iniciativas inúteis. Eles cometem um erro não indo à raiz do mal.

Exame de consciência

A gravidade da situação impõe um plano válido para todos, a executar por todos, no vértice e na base, com um importante exame de consciência que leva às seguintes conclusões:

• Estamos convencidos da necessidade de rever seriamente a concepção em que se baseia a nossa vida? E uma vida integralmente cristã, em parte pagã ou totalmente pagã?

• Estamos dispostos a elaborar um novo plano de vida interior, uma nova maneira de viver a nossa fé, esperança e caridade, a vida da graça?

• Estamos dispostos a fazer o que tantos homens fazem, com um empenho laborioso, para se treinar para a luta contra as forças do Mal, com uma verdadeira cruzada de oração e de penitência?

• Estamos dispostos a fazer calar os ruídos que se elevam à nossa volta (e há tantos!) para escutar, no silêncio e no recolhimento, os convites que nos vêm do Alto, para nos ajudar a esconjurar os perigos que são iminentes?

• Estamos dispostos a voltar a uma devoção viva, sincera, para com a Mãe de Jesus e Mãe nossa? A acolher o seu apelo à mortificação, à penitencia?

• Estamos dispostos a um regresso sincero e vivo a Jesus-Eucaristia?

Se os meus sacerdotes, tão embrenhados em tantas atividades, quisessem ser objetivos, teriam de admitir que, apesar do seu trabalho febril, já não oferecem, salvo raras exceções, quaisquer motivos de credibilidade. Será que se esgotaram as fontes da graça? Não! O meu Coração Misericordioso está sempre aberto.

É neles próprios que eles devem procurar a causa. É necessário cortar o mal pela raiz; entendo por isso que é urgente que mudeis de caminho, primeiro vós, sacerdotes, se quereis que o grosso do exército vos siga. Para isto, sim, vale a pena encontrarem-se e, numa leal e sincera fraternidade, elaborar um novo plano de reforma espiritual. Não é isto, aliás, que vos pede o Concílio?

Vida de graça, unidade e obediência, fim da anarquia, luta contra o demónio e contra o mal sem ceder a compromissos, eis os grandes temas para se aprofundar verdadeira mente, no vértice e na base.

Que se espera ainda para o fazer?

Medo, vergonha, respeito humano, apego a uma vida confortável… Convertei-vos, convertei-vos! Que este convite não vos amedronte, nem vos escandalize.

Eu e minha Mãe, que tanto vos amamos, estamos ao vosso lado. Trata-se da salvação das vossas almas e das que vos foram confiadas. Filho, abençoo-te; ama-me.

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(Este Tomo 1 continua na Parte-2 a seguir)

 

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